Quinta-feira, Novembro 05, 2009

O velho Caetano (e bom)

Entrei com muita expectativa na sala de cinema. A gente sempre espera ver algo surpreendente quando se trata de Caetano Veloso. A sinopse do filme Coração Vagabundo não dizia muita coisa, apenas ressaltava a presença de Paula Lavigne, Pedro Almodóvar, Michelangelo Antonioni, Gisele Bündehen, David Byrne e que o diretor Fernando Andrade "deixou o musico livre para dissertar sobre a saída de sua cidade natal, o sucesso no Exterior, a relação com Almodóvar e a separação de Paula Lavigne".

Algumas matérias de sites e jornais forma além: a atenção sobre a nudez de Caetano na cena inicial indicando a intimidade a qual o filme se propõe, a tentativa do diretor em apresentar o artista como um cara simpático e bem humorado às novas gerações, o medo de Caetano em envelhecer à preocupação em ser maquiado, as opiniões sobre quase tudo e a contestação da afirmação de Hermeto que o considerou um "musiquinho" afirmando ser a música americana a melhor do mundo.

Tudo isso está mesmo no filme, mas sem uma narrativa que nos atraia. Quem não gosta de Caetano poderá odiar o filme e mais ainda o artista. Então, melhor do que ver o filme é ouvi-lo. E como é bom ouvir Caetano no cinema! Sua voz fraca e violão primitivo crescem embalados com os arranjos modernos apresentados no álbum "A Foreing Sound" e a guitarra jovial de Pedro Sá.

O simpático Caetano que pretendeu ser apresentado a mim soou o mesmo Caetano com sua falsa-modéstia de sempre, do tipo que diz "eu não sou tão bom assim" quando quer afirmar o contrário, quando diz que não fala tão bem inglês mesmo tendo feito composições na língua britânica e ter gravado um álbum cantando em português/inglês como foi "Transa".

A transgressão de Caetano no filme ou "intimidade" não está na cena em que ele aparece nu. Aliás, não se vê quase nada. O que choca mesmo é o discurso sobre a velhice a partir de um homem velho que não se considera pejorativamente velho e que nunca se imaginou envelhecer como está hoje. Caetano nos ensino que o tempo dele é outro: o tempo de quem aprendeu a desacelerar e aprendeu que sempre há tempo sobretudo quando tem-se a idéia de que ele vai acabar num instante. Há mais vida, vontade e entusiasmo no Caetano de hoje, aos sessenta e tantos anos, do que naquele dos anos sessenta que gritava com impaciência e pressa: "É proibido proibir".

Em tempo: Paula Lavigne aparece estereotipada como chata no filme, Gisele Bündehen é absurdamente desnecessária na estória, Antonioni não diz muita coisa, Almodóvar podia ter dado um beijo na boca de Caetano que chocaria mais que o nu, e Pedro Sá não abre a boca. Mas o filme é bom? Não e eu gostei. Porque me fez refletir sobre o medo de envelhecer, porque é linda a cena do passarinho que pousa no ombro do companheiro de Caetano no Japão, porque Caetano continua sendo para mim uma referência estética artística e deu mais vontade de curtir o show dele aqui em São Luís, no dia 14.

"Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval. Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal. Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual. Já tem coragem de saber que é imortal" (O Homem Velho. Caetano Veloso)

Texto escrito por meu amigo desblogado Alberto Junior.


Ótimo texto, Alberto; e interessante análise. Atrevi-me a por umas ilustrações, mania minha! Obrigado pela contribuição ao blog.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Crise Virtual, Filho Abandonado

No início você possue milhares de idéias. Idéias que você pretende gritar, exibir, defender e discutir. Daí surge um blog. São posts e mais posts, sempre constantes e tudo o que passa na cabeça é, de imediato, um novo texto em potencial. A internet fez maravilhas, configurou novos modos dos indivíduos se relacionarem e a blogosfera se mostrou um ótimo terreno para que cidadãos comuns e celebridades pudessem expor suas idéias ou a ausência delas. Comigo foi assim! Comecei cheio de ânimo, idéias e vontade de exibí-las. Ter esse espaço pessoal dentro de um veículo de comunicação interativo é empolgante, libertador e uma ótima forma de se exibir. E uma coisa é certa, a vontade de ter um blog está sempre acompanhada de um certo exibicionismo, da vontade de se mostrar. Seria ignorância de minha parte fingir o óbvio.

Desde que descobri a internet me vi um viciado. À princípio, eu a usava como fonte de pesquisa sobre produções cinematográficas (não podia comprar a revista SET!). Depois, com toda a intensidade da vida acadêmica, o ciberespaço se tornou quase fundamental na minha vida: contatos, pesquisas, estudos, diversão e o próprio entendimento da ferramenta internet. Ao mesmo tempo, tornei-me um viciado em Lost, e parte da série acontece em debates virtuais. Fiz, então, meus perfis virtuais: orkut, facebook, msn's, etc. Os meus impulsos de comunicador logo me trouxeram à blogosfera. Precisava falar!

Uma vida virtual intensa. Então veio a minha monografia, possível graças a internet e aos sebos virtuais. Foram seis meses imerso! No auge da minha vida virtual descobri o Twitter, uma torrente de links e mais links, informações e mais informações, pessoas e mais pessoas, piração total. Então simplesmente parei, completa, subta e naturalmente. Houve uma espécie de saturação para mim desse ambiente, experimentava de tudo ao mesmo tempo e simplesmente comecei a perder o tesão por isso tudo. Desde meados do primeiro semestre pouco acessava a internet. Olho meu orkut, hotmail, e mal. Mas essa tempo dado foi bom, um dos maiores perigos que há nessa era da informação é você se perder no meio delas, sem saber para onde ir e o que fazer. Sei que como uma comunicador preciso conhecer e experimentar todas essas ferramentas virtuais, analisá-las, reconhecer seus potenciais, mas como um usuário devo cobrar de mim a seletividade.

Nessa minha crise virtual abandonei meu maior filho, o .Ponto-de-Vista. Não é um blog famoso, supervisitado, nem bem atualizado, mas é um espaço próprio, gostoso, de reflexão, que só a maravilha da internet poderia proporcionar. Nunca uma morcinha, nunca uma vilã, a internet vai ser sempre o reflexo de nós mesmos.

De volta ao ciberespaço!

Domingo, Julho 05, 2009

Who's bad?

Quando eu fazia a segunda série do primário, lembro que a Globo exibiu uma espécie de documentário ou algo parecido sobre Michael Jackson, mas não me recordo qual era a abordagem, não havia assistido, apenas pude escutar comentários eufóricos na sala de aula. Não vivenciei a era MJ, o seu auge. Fora esse momento de minha infância e outros raros, apenas agora, após a morte do cantor, que pude constatar novamente o significado dele para uma grande parcela de pessoas que puderam acompanhar a sua carreira e vivenciaram o cenário musical dos anos 80, enquanto a sua influência e originalidade na música pop sempre me pareceram óbvias. De resto, as tantas outras referências que eu tinha do cantor se tratavam das notícias sobre as esquisitices e escândalos, assim retratados pela imprensa, como as acusações de pedofilia e as mudanças físicas.

As referências negativas foram tantas que, por maior que fosse o carisma de MJ, fiquei surpreso com o tamanho do impacto e a comoção de algumas pessoas. Esperava que houvesse mais críticas por conta da possível causa de sua morte, ou que uma visão negativa prevalecesse, mas parece que todo o caráter doentio insistentemente divulgado pela imprensa ou criticado por muitas pessoas se esvaziou, dando-me uma forte impressa de uma grande e horrível hipocrisia. Eu sei, não é nenhuma novidade.

Para mim, que pouco sabia sobre o cantor mesmo gostando de suas músicas, em todas as notícias e suposições negativas sobre o MJ, sempre pairava uma dúvida sobre quem era aquele artista ou aquela pessoa escondida por trás daquele rosto esticado, branco e inexpressivo; era uma imagem bizarra que, de alguma forma, criava uma desproporção no comportamento dele próprio, e eu não vi alguém ousar em tentar entender levemente alguns dos seus comportamentos. Ao contrário de hoje, que é muito conveniente que se esclareçam todos eles. Confesso que aquela imagem de MJ mostrando seu filho na sacada nunca me chocou de fato e que nunca consegui entender o processo de causa e efeito entre a gravidade daquela atitude e o espanto da imprensa. Mas claro, não era uma pessoa segurando um bebê em uma sacada, era um ET, e pior, um ET que já havia sido acusado de pedofilia. E na mente miúda de muitos formadores de opinião, a imagem de MJ era inquestionável, não importando seu passado e nada mais.

E eu me questiono. Por que a mídia, muitas vezes, se mostra incapaz de tentar compreender razões invés de denegrir pelo fato em si? É, de fato, necessário que o indivíduo morra ou que a canalhice do seu pai seja novamente constatada para se entender o quão perturbado pela sua própria história essa pessoa era? Não sou nenhum ingênuo, o fracasso de uma estrela também é tão vendável quanto o sucesso e a sua morte, mas hipocrisia e oportunismo são sempre algo a se questionar.

Não ignorando os escândalos de outrora e nem apenas usando o termo "problemas familiares" para justificar mecânica e artificialmente as várias atitudes de MJ, como a maior parte da mídia tem feito no desespero de homenagear e "honrar" a imagem do artista - porque assim é que se se deve vender quando a estrela morre -, esse curto e ótimo podcast da CBN, de forma cômica, reflete sobre a pergunta aberta pelo próprio cantor. Para ouvir clique aqui!

Bom! Parece que biografias de verdade são feitas apenas depois que o personagem já morreu. Talvez, por isso, o cantor Roberto Carlos proibiu a sua de ser lançada recentemente!

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Diário de um "Usuário" Perdido I

Desde o final da quarta temporada de Lost minha idéia era a de não postar mais sobre os episódios, pois já previa o quão complexa ficaria a trama da séria, então eu pretendia fazer apenas alguns comentários em momentos pontuais e importantes das duas últimas temporadas da série. Os dois primeiros episódios desta quinta temporada marcaram uma grande reviravolta, não só na trama, mas novamente na estrutura narrativa, agora mais imprevisível e confusa, porém incrivelmente adequada. No entanto, o que era pra ser apenas comentários desse momento marcante da série, com o novo episódio do dia 28, Jughead, tive que mudar a proposta dos posts que eu viria a escrever sobre a série. Por conta de uma mudança tão drástica de um episódio para outro seguinte na minha percepção acerca da série, passarei agora a registrar um pouco das minhas reflexões acerca dos instigantes fatos e rumos desse encerramento, refletindo enfim sobre eu mesmo como exemplo de um telespectador que nunca se viu tão cheio de conflitos e sensações ambígua por um programa de TV - principal característica do telespectador de Lost, característica esta que dá sinais de uma nova relação do telespectador com a mídia -, o porquê disso tudo acredito que possa ficar claro com o decorrer dos posts.

Bom! O menos interessante para quem ler esses textos sobre a série (se alguém ler, pois considero sua extensão) é tentar entender meus argumentos e pontos de vistas, enquanto que perceber como reajo a esta seja bem mais importante para a compreensão da relevância da série nesse novo contexto dos meios de comunicação, em que os programas televisivos tendem a "abrir" links para novas informações e o telespectador ensaia ser um "usuário" desse espaço já não tão definido que é a televisão. E por essas razões meu maior objetivo com os textos sobre a série é o de tentar ser sincero na minha experiência enquanto telespectador.


Reflexões do dia 24/01 sobre Because You Left e The Lie.

Às vezes é preciso sentir falta de uma determinada coisa para descobrir a sua existência. Em Lost, atribui-se sempre ao seu sucesso a capacidade da série em tratar de fatos fantásticos dentro de um padrão de verossimilhança que não prejudique os dramas dos personagens, então vemos estórias com relativa profundidade, desenvolvimento minucioso e singelo, e uma carga dramática incomum para uma série de ficção científica que nos dá a impressão de que os personagens estão sempre em primeiro plano na trama, elevando a série a um nível de qualidade atípico para o gênero de ficção científica, sendo até confundida com drama em determinadas fases. No entanto, entender como isso ocorre, como esse drama se sobrepõe a ação ou como esse pano de fundo fantástico nos parece tão real e aceitável ao ponto de não comprometer o drama sempre foi um desafio, pelo menos pra mim, que nunca aceitei a afirmativa de que cuidadosos roteiros, excelentes atuações e ótimas direções foram suficientes para compor esse padrão da série.

Na estréia da quinta e penúltima temporada, aquele que talvez seja um dos maiores e principais elementos constitutivos desse aspecto da série é revelado, mas da pior forma, através da sua ausência. Logo no início dessa nova fase da série, descobrimos que existem fortes e terríveis conseqüências àqueles que permaneceram na ilha após a fuga de seis dos sobreviventes. Após ser "movida", a ilha - sempre tratada nos roteiros como entidade ou mito - passa a se locomover no tempo, fazendo com que os personagens que estão nela presenciem diversos fatos já ocorridos em vários momentos da história da ilha. Muito fantástico! Mas quando Lost não foi fantástico? O que faz dessa série algo tão sólido é justamente o fato de seus criadores saberem exatamente o que ela é, um entretenimento; mas uma série voltada para o divertimento que se faz pretensiosa, que não se prende aos moldes da aventura e da ficção científica, assim como não perdeu a oportunidade de desenvolver em uma trama que poderia, a princípio, ser apenas um drama sobre náufragos que precisam conviver entre si para sobreviver, mas desenvolvendo mitos dentro daquele ambiente; uma série que quebra os padrões estruturais de uma trama linear e os explora; que se utiliza da imaginação do telespectador pra enriquecer a si própria, quebrando o limite da tela e dando ao espectador minutos de poder, o poder de imaginar, assumindo limitadamente propostas narrativas ainda inovadoras em que o telespectador tem, indireta e experimentalmente, a capacidade de interação e construção de conteúdos. Os telespectadores-usuários de Lost já insistem em fazer isso pela internet.

Inovações a parte, são os elementos fantásticos da série que mais importam e a forma com que eles parecem tão reais e aceitáveis para quem acompanha. Fora as respostas científicas, o tratamentos dramático e a força da interpretação dos atores, existe algo que está inserido na própria essência dessa série que compõe esse padrão, algo que leve à aceitação do inaceitável, sem a menor chance de cair no ridículo, como se fosse um desvio entre a afirmação radical de "Impossível! Isso não existe" para a questão "Mas o que é isso? E o que isso significa?". No primeiro episódio dessa quinta temporada a trama entra naquele que é o tema mais espinhoso e traiçoeiro na história do entretenimento (e por que não da física?), a "viagem no tempo". Bem elaborada, Lost prepara essa trama atual desde a terceira temporada ao criar conceitos que evitam o paradoxo típico dos roteiros que falam sobre o assunto, evitando que personagens do futuro possam modificar o passado ou assumindo a seu universo regras como: "O tempo é como uma rua. Podemos nos mover para frente e para trás, mas não podemos nunca criar uma nova rua. Se tentarmos fazer algo diferente, iremos falhar todas as vezes. O que aconteceu, aconteceu". Por esses e outros argumentos a série evita uma série de contradições e paradoxos temporais, inovando no tema, tornando esse inaceitável em algo mais crível. Mas durante toda a série algo a mais foi explorado que não apenas argumentos ou explicações científicas para fatos fantásticos, mas sim estratégias de concentração, de focalização da atenção do telespectador, assim como um mágico faz em sua performance.

Desde a temporada anterior a trama conta com o personagem Daniel Faraday, bem interpretado por Jeremy Davies. Trata-se de um típico cientista excêntrico, especializado em física e em experimentos que envolvem o tempo. Quando a ilha passa a "surtar" e a ter seus saltos de tempo, comparados por ele como "saltos de um disco de vinil arranhado", o personagem serve como um guia para esse universo com regras próprias e diferentes. No entanto, a série nunca utilizou nenhum personagem dessa forma, nunca houve um guia em Lost, nenhum personagem esteve lá para explicar determinados fenômenos, principalmente entregar sua compreensão de bandeja ao telespectador. Se há uma descarga eletromagnética de grandes proporções na ilha, a única coisa que os personagens conseguem explicar é que o céu ficou roxo, e tudo que o telespectador sabe hoje sobre o fenômeno ocorrido na trama este descobriu aos poucos. Sempre fomos presenteados por informações, quando não desconexas, incompletas e cheias de novas questões para serem encaixadas, fato que sempre revelou a confiança dos autores na inteligência de seu público. Quando os sobreviventes que permanecem na ilha descobrem que o acampamento deles simplesmente desapareceu, logo Faraday aparece e os explica que "ele não desapareceu, pois ainda não existe" sugerindo a viagem no tempo. Mais a frente, os personagens dão de cara com uma escotilha que já havia sido completamente destruída há duas temporadas, mas completamente intacta, e novas explicações são dadas por Faraday. Em determinado momento, o personagem chega a falar para todos que eles podem estar "ou no passado ou no futuro". São falas cuidadosas, bem elaboradas pelos roteiristas, mas são explicativas, contextualizam e entregam com clareza a natureza dos fatos, quando a confusão típica que permeia os eventos fantásticos da série é que torna tudo mais aceitável e desloca a concentração do telespectador do fenômeno em si para a curiosidade acerca da natureza e significado deste, como sempre foi feito. Em circunstâncias normais, ou seja, em outras temporadas, o sumiço de um acampamento, a presença de pessoas que já morreram e o reaparecimento de coisas que já haviam sumido do mapa seria um belo prato de confusões na cabeça do telespectador, que antes de ter as respostas - que não seriam colocadas de forma tão óbvia -, especulariam sobre o significado de todos aqueles fenômenos, e a última questão que passaria por suas mentes seria a verdade e possibilidade daquilo tudo. Esse desvio de atenção do espectador atrelado ao ótimo tratamento das cenas, à ótima direção e outros elementos, são fundamentais nessa aceitação do telespectador ao que é improvável na vida real, resultando posteriormente em um casamento perfeito de drama e fantasia.

Nos dois primeiros episódios da quinta temporada vemos o equilíbrio desses elementos comprometido pela má utilização do personagem Daniel Faraday como um instrumento de respostas fáceis que põe em exposição para o telespectador - pela primeira vez pouco confuso sobre os novos fenômenos - tudo o que há de inverossímil nessa nova trama, e logo quando se trata de um tema tão fácil de cair no contraditório, ou no ridículo e na auto-paródia, como o de viagem no tempo. No entanto, a trama é muito bem elaborada e dá sinais de que permanecerá na coerência, inovando pelos novos conceitos de viagem no tempo, tema tratado em exaustiva tradição nas ficções científicas. Da mesma forma, as personagens continuam tão bem desenvolvidas, assim como os roteiros continuam extremamente cuidadosos, mas o equilíbrio que elevava a série a patamares privilegiados no gênero de ficção científica foi prejudicado e corre sérios riscos de se perder nessa trama que tende a ser cada vez mais explicativa. Vejamos para onde a série vai.


Reflexões do dia 30/01 sobre Jughead.

Jughead é uma bomba, no bom sentido conotativo. No denotativo também. Jughead é o nome de uma bomba de hidrogênio testada pelos EUA no pacífico sul nos anos 50, e o episódio se trata sobre esse novo artefato. Uma constatação interessante é que o episódio faz uma enorme amarração de pontas, ou melhor, leva o espectador a organizar essa teia de informações desconexas através de informações aparentemente irrelevantes e cenas singelas. A tal e polêmica viagem no tempo da ilha continua a ocorrer e a cada clarão e sons ensurdecedores, os personagens se descobrem em outra época. Neste episódio, Locke, Sawier e Juliet estão na ilha do ano de 1954, descobrem que Os Outros têm a posse de uma bomba de Hidrogênio do governo americano, quando este invadia o local provavelmente a fim de fazer experimentos nucleares.

Se os dois primeiros episódios da temporada indicavam um possível esvaziamento do drama da série pelo tratamento comprometido dos elementos fictícios, algo que já expliquei; neste novo episódio tudo parece voltar ao normal. E não bastasse a dissipação do temor, a trama ganha contornos muito mais complexos, impressionando pela amplitude, pelo cenário macro, que pode envolver épocas que ainda não imaginamos e personagens que ainda nem vimos. Lost nos apresenta um mundo cada vez mais vasto e uma história impressionantemente ampla para uma série que a princípio levava o telespectador a acompanhar a vida de apenas 14 sobreviventes, trata-se de uma macro estória em um hiperseriado.

As viagens no tempo, que eram as protagonistas dos meus temores nos dois primeiros episódios, nesse terceiro se solidifica como uma nova estrutura narrativa. Uma das marcas de Lost foi o fato de incluir flashbacks de um de seus personagens por episódio, o que conferia a cada um o potencial protagonístico, e ao mesmo tempo negava a todos a centralidade da estória. Na quarta temporada, a série se reinventou estruturalmente ao incluir flashforwards com estórias do futuro dos personagens. Nessa atual temporada, as viagens no tempo assumem uma função estrutural semelhante, como se fossem longos flashs que deixaram de ser apenas uma estrutura narrativa para se inserir na própria narrativa, quase uma metáfora e referência aos tradicionais flashs da série. Essa nova composição não poderia ser inaugurada em momento mais coerente, pois as viagens no tempo se assemelham a grande flashs daquela que é a principal e maior personagem, a ilha, justamente quando a trama se amplia para muito além do que os personagens são capazes de explorar.

Lost, a meu ver, é o experimento de um produto que tenta se expandir ao máximo, para além dos limites das narrativas tradicionais, explorando a vastidão de uma macro estória povoada por personagens curiosos e fascinantes. Lost é a materialização mais clara do atual desejo de se explorar as possibilidades, pela expansão (detalhamento) geográfica, temporal e potencialização de cada personagem como um protagonista; é a própria fomentadora de sua amplitude, os mistérios funcionam como pedaços perdidos de um mapa que nem sabemos o tamanho total. Seus telespectadores são sedentos e investigativos, desejosos do poder de controlar a estória a qual estão imersos; caso o controle remoto permitisse, seriam capazes de definir os rumos, criar novas versões, ou acompanhar a vida de cada personagem, algo que a séria já nos oferece. A tridimensionalidade do mundo de Lost fica tão visível neste episódio que até uma imagem composta por um plano típico dos primeiros jogos 3-D - o da câmera que acompanha o cano de uma arma, semelhante ao jogo Doom -, foi utilizado.

Em Jughead, as proporções da trama chegam a ser incômodas ao telespectador tenso, esforçado em não perder ou esquecer de detalhes importantes. A desconcentração e dispersão do público é quase impossível, e a criatividade voa longe. Outra coisa fica bem mais evidente em Jughead, Lost forma uma nova linha de telespectadores, pessoas mais críticas, investigativas, criativas, inconformadas com o básico ou lógico, donas de novas idéias, participativas, ou seja, pessoas mais imersas nas questões do que preocupadas com as respostas. Deus abençoe os criadores dessa série por isso, o inconformismo nunca foi tão fomentado no mundo do entretenimento. São esses telespectadores que hoje são denominados de fanáticos, nerds, geeks, “atoas”, que são pioneiros e experimentam um pouco do que será o mundo do espectador-usuário das hipermídias do futuro. Particularmente, considero os fãs de Lost uma versão bem mais interessante e atualizada dos internautas que ainda não perceberam a valiosa fusão entre a TV e a internet.

Vejamos até onde a série vai. Voltarei a postar quando ela fizer mais uma reviravolta na minha cabeça!

Domingo, Janeiro 25, 2009

Os Seis Fatos Aleatórios sobre Mim

De volta ao blog após meses dedicados a monografia. Há duas semanas que a defendi e durante esse período venho querendo postar algo, mas sem sucesso. Idéias não faltam, palavras sim, no entanto, as vezes que tentei postar esse texto ocorreram falhas no site do Bloguer e eu acabava o perdendo. Essa é a terceira vez que o escrevo. Paciência!

Bom! Na falta de uma fluência para escrever (não sei por que, é o que mais tenho feito), resolvi começar com algo leve, livre e que fosse voltado para o próprio autor. Indicado por Dani, uma amiga de trabalho e vizinha da blogosfera, vou fazer um meme. Pra quem não sabe, o meme é uma brincadeirinha típica do mundo dos blogs que se assemelha a uma corrente: o blogueiro que for indicado responde ou comenta o que for sugerido pelo meme, e em seguida o repassa para a quantidade de pessoas que a brincadeira sugerir.

O interessante do meme reside na possibilidade do autor falar mais de si mesmo, do blog ou de assuntos que ele não costuma falar, principalmente no caso de um blog temático como o meu. Ao contrário do meme, os "selos de qualidade" - uma outra brincadeira que se pretende mais séria - são pura besteira, qualquer um possui e repassa para qualquer outro, sem critérios de distribuição. Assim, aquilo que era para ser uma referência de qualidade, se torna mero presente. Banalizado.

Mas indo direto ao assunto, o meme em questão é bem mais simples que o primeiro que fiz, devo citar apenas seis fatos aleatórios sobre mim. Para fazê-lo, porém, devo seguir as seguintes regras que valem para as pessoas a quem eu repassar.

- Colocar o link de quem te indicou pro meme;
- Escrever estas 5 regras antes do meme pra deixar a brincadeira mais clara;
- Contar os 6 fatos aleatórios sobre você;
- Indicar 6 blogueiros pra continuar a brincadeira;
- Avisar para esses blogueiros que eles foram indicados.

Enfim, os seis fatos aleatórios sobre mim:

Gosto de andar de ônibus, mas não de esperar.

Enquanto baixo algum episódio de Lost, sempre fico pensando na melhor hora para assisti-lo, como se isso fizesse alguma diferença na minha compreensão e imersão na estória.

Quando criança, meu brinquedo preferido era a imaginação. Dinossauros existiam. Já atuava e elaborava estórias.

Sou curioso e assisto Big Brother. Gosto de histórias reais, é interessante analisar o desencadear e a coerências dos fatos, assim como a dinâmica entre as pessoas, geralmente tão diferentes. É inspiração para a ficção. O real é uma fonte inesgotável de imprevisibilidades, enquanto a ficção é uma massa muito estruturada e mais previsível. Por isso não abomino os reality shows, pelos menos aqueles que se pretendem reality.

Sempre releio o que escrevo aqui na tentativa de experimentar a leitura de meu próprio texto como se fosse um internauta que acessa o blog. Tenho sempre uma relação de amor ou de ódio com cada texto. Há aqueles dos quais me envergonho por ter escrito, outros que me orgulho, assim como há dias em que desejo dar fim ao blog por insatisfação, e em outros, sonho que esse meu espaço vai me tornar um comunicador e uma pessoa melhor.

Não acredito em violões e mocinhos. Por mais que eu tente, geralmente enxergo o melhor que existe nas pessoas, seja quem for, mesmo que na metade das vezes eu acabe me ferrando. Sou o típico bobão! E 90 por cento das vezes gosto bem mais das pessoas do que sou capaz de mostrar.

Já li em outros blogs que esse meme é terapêutico. Não posso discordar! Então o passarei para os seguintes blogueiros:

Sábado, Novembro 15, 2008

A TV Brasil na TV a Cabo

. O texto abaixo foi enviado por mim à Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicação no dia 28 de setembro deste ano. Nele, expus uma questão que põe em cheque o acesso democrático da TV Brasil e informo uma oferta que julgo indevida da emissora por uma empresa operadora de TV a Cabo.

"O que faço aqui não é bem uma crítica, mas uma reflexão.

Meu nome é Caio Rafael Carvalhêdo, sou de São Luís - Maranhão, universitário e um integrante da audiência da TV Brasil. Atualmente, sou assinante de uma TV a Cabo. A minha escolha por essa TV se deu por motivos de diversidade de conteúdo, informação e entretenimento. No entanto, sou um apreciador da TV Aberta também, em especial, a TV Brasil.

O que me trouxe aqui foi o fato de que a TV Pública Brasileira está inacessível a mim por esse motivo, por minha escolha. Sou assinante da TV a Cabo JET, empresa do Rio de Janeiro, mas não tenho acesso a TV Brasil por ela, pois sou assinante do pacote básico e o canal é oferecido em um pacote especial mais caro, o que considero completamente injusto.

Se opto pela transmissão em TV a Cabo, a qual obviamente pagarei, certamente a TV Brasil, que na teoria é pública, deveria estar no pacote básico, sendo dessa forma, disponível para todos os telespectadores da TV a Cabo, indiscriminadamente, dever este que, creio eu, a TV Pública tem para com o telespectador brasileiro.

Mesmo que o canal em questão seja transmitido pela TV Aberta, um telespectador não pode ter seu direito de recepção de um dos canais mais importantes e democráticos do país negado só porque escolheu a TV a Cabo. Assim penso! Minhas condições financeiras não me permitem pagar 30 reais a mais pelo pacote especial, e não faria isso apenas para assistir a um canal que eu deveria tê-lo acessível da forma mais democrática possível, seja por qual meio de transmissão televisiva. Quanto a TV Aberta, não vejo vantagem pela limitação de conteúdo e de qualidade, portanto, a TV a Cabo me parece ideal.

O que alego aqui é que a pequena parcela de telespectadores brasileiros que são clientes dessa empresa e que pode apenas optar pelo pacote básico está tendo o seu direito a TV Pública negado e não parece justo o telespectador ter que fazer a escolha entre a TV a Cabo e a TV Brasil por causa dessa circunstância.

Minha TV possui apenas uma entrada de vídeo, o que me impediria de ter os dois modos mais comuns de transmissão recepcionados por ela ao mesmo tempo, além de que não tenho uma antena de TV Aberta justamente por ter feito a escolha de uma paga. Eu poderia trocar minha assinatura da JET por de outra TV a Cabo, que me oferecesse o canal, mas na verdade sinto que o meu direito de livre acesso a TV Brasil é negado nesse caso e acredito que o mais justo seja buscar o que me é de direito.

"... televisão pública que funciona como serviço público subordinado ao controle da sociedade civil." Para uma TV que se defini de tal forma, sinto-me, enquanto integrante dessa sociedade, limitado no acesso ao canal. Não sei bem se esse é o local ideal pra eu fazer tal reclamação, mas foi o primeiro que me veio à mente.

Também não sei se estou, na verdade, confuso na definição e função da TV Brasil. Gostaria, enfim, de ter algum esclarecimento ou resposta quanto a isso, se há regulamentação que permita esse tipo de oferta de transmissão da TV Brasil por empresas de TV a Cabo. E se caso isso seja errado e se revele contra os princípios que norteiam a existência da emissora, gostaria de saber aonde e a quem devo recorrer.

No contrato assinado com a empresa que faz transmissão de canais para minha residência havia uma promoção inicial de liberação, por 6 meses, dos canais que constituem os pacotes mais caros. Por descuido meu, apenas ao término da promoção pude descobrir que a TV Brasil fazia parte de um pacote mais caro e que eu não poderia pagar. Hoje, não tenho por onde assistir a TV Brasil, até que tome uma providência. Terei que instalar uma antena de TV Aberta? Cancelar minha TV a Cabo? Trocá-la? Comprar um aparelho de TV novo que tenha duas entradas de antena ou vídeo? Ou me habituar à troca de antenas sempre que quiser assistir a TV Brasil? Essas não são as questões que desejo abrir, pois são praticamente irrelevantes se pensarmos nas diversas possibilidades de acesso que posso, ainda assim, ter ao canal. O que deixo é a dúvida da existência do livre e fácil acesso a TV Pública em quaisquer formas de transmissão para qualquer indivíduo brasileiro. Ou também apenas apresento aquilo que desconfio ser uma falha por parecer contra a proposta que levou a implantação do canal. Não acho justo uma TV a Cabo, que oferece todos os canais abertos, veicular o sinal da TV Brasil por um preço mais caro, como se fosse um canal feito originalmente para TV Fechada, igual a uma TV Privada, o que se revela um verdadeiro contra-senso.

Obrigado pela atenção!

Caio Rafael Carvalhêdo"


. A Ouvidoria da EMB, em resposta enviada a mim no dia 13 de novembro:

"a) canais destinados à distribuição obrigatória, integral e simultânea, sem inserção de qualquer informação, da programação das emissoras geradoras locais de radiodifusão de sons e imagens, em VHF ou UHF, abertos e não codificados, cujo sinal alcance a área do serviço de TV a Cabo e apresente nível técnico adequado, conforme padrões estabelecidos pelo Poder Executivo;

Com efeito, necessário se faz ressaltar que tal exigência aplica-se tão somente às operadoras de tv a cabo, razão pela qual as prestadoras que operam na modalidade MMDS ou DTH não são obrigadas a disponibilizar gratuitamente o sinal das emissoras abertas.


No presente caso, a operadora de tv por assinatura citada pelo Sr. Rafael, Jet TV, opera na modalidade MMDS, motivo pelo qual esta prestadoras não estaria obrigada, por força da Lei do Cabo, a disponibilizar gratuitamente o sinal das emissoras abertas que operam em São Luís, dentre elas, a TV Brasil (canal 2E).


Contudo, a partir da Lei nº 11.652/2008, como exposto acima, todas as prestadoras de serviços de televisão por assinatura deverão obrigatoriamente disponibilizar gratuitamente em todos os seus planos (sem custo adicional) o sinal da EBC. A única ressalva que se faz a essa obrigação é aquela contida no parágrafo único do artigo 29, que também restou acima explicitada.


A partir dessas considerações, sugiro que a Ouvidoria informe o Sr. Rafael sobre a obrigatoriedade da Jet TV disponibilizar em todos os seus planos o sinal da EBC, sem qualquer custo adicional, bem como a possibilidade do mesmo encaminhar denúncia, seja por e-mail ou 0800, para que a Anatel verifique tal situação junto a Jet TV.

Finalmente, informo que o presente e-mail será repassado ao Sr. Kaiser, que atualmente é o Presidente do Comitê internamente criado na EBC para tratar de assuntos que envolvam Anatel e Ministério das Comunicações, tendo em vista que a EBC também poderá comunicar a Anatel o fato da Jet Tv não estar disponibilizando gratuitamente, em todos os seus planos, o sinal da EBC.

Aproveitamos a oportunidade para pedir desculpas pela demora em responder e agradecer pela colaboração.

Estaremos sempre à disposição.

Atenciosamente,Carolina Farah

Assessora da Ouvidoria da EBC
"


. Nada melhor do que ver o seu direito de consumidor e cidadão serem cumpridos. Já agradeci a Ouvidoria da EBC e farei, com certeza, a denúncia à Anatel, pois a TV Brasil se mostrou, logo nos seus primeiros meses de existência, uma das melhores opções da TV, seja Aberta, seja a Cabo. Pena que nesta época, em que mais preciso assistir a filmes nacionais, eu não tenha acesso ao canal.

Terça-feira, Novembro 11, 2008

100º


O .Ponto-de-Vista. foi com certeza fundamental na minha vida acadêmica, seja pela prática da escrita ou pelas reflexões. O post de número 100 do blog coincide justamente com os últimos dias como universitário e o início da minha vida profissional. Daqui pra frente, o blog naturalmente não será o mesmo. Mudanças e evoluções radicais ocorreram entre os primeiros posts e os últimos, o mesmo acontecerá como consequência dos meus seis últimos e intensos meses, em que minha perspectiva e alguns dos meus pontos de vistas a respeito dos temas que costumo abordar por aqui tiveram algumas mudanças significativas.

Em comemoração ao centésimo post do blog, disponibilizo links para os textos dos quais mais tive prazer em escrever.

Post preferido


Como nem tudo são flores no blog de um universitário...


Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Alice - Na Toca do Coelho

Não é bem no país das maravilhas, mas quem sabe na capital! São Paulo, em Alice, é fonte dos desejos da protagonista que dá nome a nova série da HBO Latin Americana, exibida aos domingos, às 22 horas, no canal. Saída da cidade de Palmas, em Tocantins, Alice abandona os preparativos de seu casamento para ir ao enterro de seu pai, que havia se suicidado. Uma vez fisgada pelos encantos da cidade, após um breve e intenso estranhamento, a personagem encontra motivos de sobra para permanecer nela, seja pela confusa noite badalada, pelas cobranças dos familiares em Tocantins ou pela descoberta da amplitude do mundo, que só uma cidade como São Paulo poderia proporcionar.

De cara exibindo um visual e estética tipicamente cinematográfica inspirados nas novas tendências televisivas norte-americanas e, atualmente, mundiais, no que se refere a convergência das linguagens cinematográfica e televisiva, Alice assume o estilo adulto de série, sem puderes e dando a si mesma a liberdade para criar e desenvolver essa estória com a sinceridade devida. O trabalho fotográfico, que busca extrair das luzes paulistanas todo o poder de sedução da grande megalópole, se revela quase que completamente cinematográfico, investindo em planos bem elaborados que realçam as sensações, como na cena do suicídio do pai de Alice, ou para simbolizar passagens importantes, como a "libertação" da protagonista que, após passar por um longo túnel em uma seqüência marcada pelo frenetismo, tem a sua vida radicalmente modificada, transitando de sua simples e ingênua vida para o curioso cotidiano no "país das maravilhas", pela qual a personagem passa a ter a noção de um mundo maior e, consequentemente, o desejo por este. O casamento, planejado, portanto, resignifica-se como um elemento aprisionador, agora que a personagem está frente a milhões de possibilidades. E é entusiástico marcar o fim de noite de Alice a partir de um envolvimento sexual com um típico gringo que visita São Paulo a trabalho, e que assume representativamente uma importante passagem tão comum em uma cidade global para o que existe fora do próprio cerco nacional. Nesse instante, as possibilidades vislumbradas e curiosidades de Alice vão mais além, e São Paulo se torna praticamente irressistível.

A trilha funciona adequadamente, resumida praticamente em sons eletrônicos contextualizantes do ambiente metropolitano, quando não, saltando para o melodrama comedido, típico também das tendências das séries de TV's modernas, mas que pontua muito bem os momentos mais sensíveis da personagem. Andréia Horta surpreende como Alice, considerando-se preconceituosamente o trabalho anterior ao qual ela participou na TV Record. A atriz é competente em conduzir a personagem de acordo com as exigências da estória, já que as descobertas desta é que dão o sentido da série e concentrar-se na transição de sua simples concepção de vida para o ambicioso desejo de conhecer o mundo é bem mais importante que desenvolver de cara qualquer complexidade dramática mais profunda da personagem. O elenco estréia muito bem e vale destacar a empolgante participação de Carla Ribas, que, tenho a forte impressão, renderá bons momentos.

Com mais de 1 milhão até agora bem investidos pela HBO, Alice promete, com base no primeiro e ótimo episódio da série, mostrar grandes aventuras embarcadas pela personagem na descoberta do "país das maravilhas", ou como pode vir a ser também, da selva metropolitana. Agora resta acompanhá-la na expedição pela grande cidade cheia de faces, possibilidades e que nunca dorme.



Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Bebida e Direção

Nunca dei muita importência a stand-up comedy, até porque prefiro comédias que tem por base textos dramatúrgicos e não à pura improvisação. Porém, não consigo ficar indiferente as piadas de Rafinha Bastos e seu tom sarcástico afiado. Com mais um pouco de seriedade, ficaríamos até em dúvida se ele estaria contando uma piada ou não. E isso é o mais engraçado! Pena que o CQC, programa ao qual ele trabalha e que possui outros bons comediantes de improvisação - incluindo ainda a presença central e sempre criativa de Marcelo Tas, não esteja conseguindo explorar bem as suas potencialidades, que são muitas.





E aqui também um vídeo muito divertido, que encontrei no próprio blog do Marcelo Tas. Em uma cena de A Queda - As Últimas Horas de Hitler, descobrimos como seria se Hitler fosse o chefe da delegação brasileira e seus planos megalomaníacos fossem por água abaixo em Pequim.

Como vem, mesmo, no título dos e-mails que nos enviam com essas bobagens divertidas?

Assista! Vale a pena. É muito bom!!!

Sábado, Agosto 23, 2008

Contradições Políticas

Raramente falo de política por aqui, mas alguns fatos contraditórios me deixam simplesmente intrigado. O pior é que os que me levaram a escrever esse post são protagonizados justamente pelo nosso Supremo Tribunal Federal, que, no dia 20 deste mês, tomou a decisão louvável, por uma súmula vinculante um tanto atrasadinha, de proibir o nepotismo nos Três Poderes de toda a administração.

Um medida positiva, certamente. Mas como tem sido de praxe, após uma excelente decisão ou qualquer discussão de grande conveniência, o STF dá um passo atrás desconcertante. Na mesma quarta-feira da decisão, o Tribunal achou melhor considerar nepotismo apenas caso do motorista da prefeitura de Águas Nova (RN), Francisco Souza do Nascimento, irmão do vice-prefeito do município, Antônio Sezanildo do Nascimento; enquanto que a contratação de Elias Raimundo de Souza, parente do vereador Antonio Raimundo de Souza, de Água Nova, para o cargo de secretário municipal de Saúde foi desconsiderada como nepotismo, de acordo com a súmula editada pelo tribunal, pelo argumento de que a função de secretário é política, autorizando o político a liberdade de nomear quem quiser.

Incoerente? Com certeza. Se a nomeação de parentes para cargos político por outro político é algo permissível, então não vejo a razão dessa decisão. O nepotismo em qualquer grau e cargo trata-se de uma inconstitucionalidade e desrespeito, mas pouco me importa se um pequeno funcionário público está inserido num esquema de camaradagem quando, na verdade, o nepotismo em cargos políticos constitui um agrupamento, uma formação de "patotas" bem mais prejudiciais a ordem.

Tão incoerente quanto essa decisão foi a vista grossa do STF em relação à contraditoriedade do fato de os servidores públicos, ao se candidatares, terem de se desincompatibilizar com o serviço público, enquanto que os gestores atuais que buscam reeleição possuem o caminho livre para a candidatura paralela a gestão. E de paralela não há nada, quando sabemos que a gestão de um prefeito que tenta se reeleger contribui direta e indiretamente para a sua candidatura, a não ser que você acredite que obras são realmente paralisadas no período eleitoral. No dia da grande decisão, em que pensávamos que o Tribunal permitiria que os juízes eleitorais do Brasil negassem os registros de candidatura dos candidatos ficha suja, simplesmente nada é feito, a não ser a prolação de um discurso otimista ao extremo de que o simples debate já era um progresso à justiça eleitoral. É como se tivéssemos, por obrigação, sempre de andar bem devagazinho, porque o progresso demais pode derrubar a crista dos políticos e do Congresso, que parecem temer tanta consciência e conhecimento a respeito de seus podres. "Vamos dosar o progresso, a sensação de justiça e poder do povo, senão daqui a pouco teremos todos nós os telefones grampeados e as mãos algemadas pela injúria da população e pelo heroísmo hipócrita da Polícia Federal", assim imagino o raciocínio coletivo que conduz algumas decisões do Congresso.

Não falarei sobre algemas, pois fico muito aborrecido e nem gosto de repetir demais um mesmo discurso. Se algum advogado que passar por este blog souber explicar com argumentos plausíveis, essas contraditoriedades, a um jovem que se sente impotente diante destas situações, ficarei grato. No momento, tento ser otimista como o habitual, mas não consigo.

Domingo, Agosto 17, 2008

Sobre Esquinas, Biografias e Ansiedade

Sou um cara essencialmente ansioso, sempre fui. Minha primeira tomada de consciência a respeito dessa minha característica ocorreu quando possuia 7 anos e mal conseguia esperar um dia para assistir ao recém-lançado VHS de Parque dos Dinossauros - e sabe lá Deus o porquê de meu facínio por dinossauros e paleontologia durante minha infância. Mas também sempre tive uma tendência satisfatória a racionalizar as coisas e talvez tenha sido por ela que me certifiquei tão cedo de como gosto de passar em alta velocidade nos cruzamentos. Uma tendência que chega a ser contraditória ao meu desejo de olhar cada esquina cuidadosamente.

Sou muito sonhador. Penso alto, até demais, e isso me predispõe a ansiedade e a pressa. No entanto, algo bacana me ocorreu logo em minha adolescência: eu queria ter uma história! Sempre gostei de assistir a biografias, de olhar como a vida de cada pessoa evolui e se transforma; e se pudesse, extrairia sempre uma equação ou cálculo probabilístico que garantísse o sucesso e indicasse o fracasso na vida daquelas pessoas. Adorava, também, ver como existem passos, partes e pedaços em cada história. São degraus que as pessoas sobem, ou descem, e isso sempre me facinou. A vida, definitivamente, é feita em vários atos.

Adoro cinema, e como tal, adoro estórias. Toda boa estória é contada em atos, passos e degraus. Graças a esse meu facínio pela história que se cria e se desenvolve, pela vida que as outros viveram, percebi que queria a minha história: lenta, processual e vivida. Abidiquei da pressa e decidi acompanhar cada passo de minha vida como quem assiste a uma biografia, como quem descobre e destricha a própria vida. Se sonhava alto, queria que cada metro da subida ou declínio fosse bem aproveitado; se a avenida era longa, não podia perder os atrativos de nenhuma esquina, e não estou falando de prostitutas.

Chegou um tempo que se me perguntassem se eu gostaria de ganhar na Loteria, eu diria que não. Acharia isso um salto anti-climático desinteressante e nada processual. Preferiria lutar aos poucos pelos meus sonhos, encarando o risco de não conquitá-los e sentindo o prazer de estar conciente e monitorando minha própria história. Assim como nas boas biografias.

Acontece que, mesmo sentindo a necessidade de presenciar cada passo, aos poucos, fui sentindo que estes estavam muito lentos e a torcida para que um novo passo fosse dado aumentava disfarçadamente. O mundo pedia um novo passo meu. Sempre pede! Que se danasse a biografia, ela era tão sonho quanto os sonhos que eu tentava alcançar. E entre a biografia e os outros sonhos, prefiro os últimos, sejam tarde, sejam cedo, sejam anticlimáticos. Ter pressa voltou a ser a ser uma opção, mesmo que não adiantasse tê-la. De repente, já nem conseguia mais não jogar na loteria. Isso, porque nem jogo.

A saudável conformação de que minha vida tinha um ritmo próprio e que cada passo dado para frente ou para trás era um novo fato de minha ilusória biografia de sucesso pessoal se transformou na ansia intensa e uma pressão de realizar cada um dos meus objetivos, e os dos outros para mim também. Não sei se a certeza de que minha história se escrevia prognosticando uma biografia idêntica as de personalidades chegava a ser pior que a necessidade que sinto hoje de correr; pelo menos, na primeira opção, a calmaria reinava. Por mais que tentemos, mesmo através de objetivos particulares como o meu, a lentidão não faz parte de nossa vida. Não a de hoje. Só nos resta, então, prestar atenção nas esquinas as quais passamos rapidamente para ver o que tinha lá, e imaginar o que não deu pra ver, o que vivemos.

Sábado, Agosto 09, 2008

Dois Curtas

Resisto em postar vídeos porque, geralmente, a maioria não assiste mesmo. Mas em si tratando desses dois divertidos e bons curtas, não consegui resistir, e aqui estão eles. Acho que não preciso avisar, mas insisto: Deixem o vídeo carregar por inteiro antes!

Um curta que mostra como uma edição pode terminar o roteiro.




Selton Mello defendendo as suas teorias "tarantianas".

Domingo, Julho 27, 2008

A Lei Seca e a gente

Logo no início da Lei Seca, lembro que fiquei apreensivo e receoso. Achei que era rigorosa demais e pensava nas coisas as quais seriamos privados. Mas não demorou muito até que me tocasse. O brasileiro tem forte problema cultural. Ele cresceu desacostumado a cumprir leis, cresceu praticando inocentemente ou não comportamentos anti-éticos. O brasileiro sempre se viu em situações em que tinha que buscar soluções práticas para sobreviver. A história o fez assim.

Os ex-escravos abandonados que buscavam qualquer forma pra sobreviver, os pobres que infringiam pequenas lei e que conseguiam com seus "peixes" uma vaga ou uma oportunidade de modos ilícitos, o jogador de futebol baixinho que desenvolveu seus dribles artísticos pra "furar" e passar por um inglês “altão”. Isso é o "jeitinho brasileiro", foi a nossa forma de sobreviver, a forma como aprendemos a sobreviver. Decorrente dessa nossa história, aprendemos a não cumprir leis, a ultrapassar o sinal vermelho, a furar filas, a driblar sistemas, a ser livres e a fazer um futebol bonito!!! Nada que eu já não tenha comentado por aqui.

O problema reside mesmo no campo da lei, dos nossos direitos e dos nossos deveres. Sei que nunca é bom generalizar, mas estamos falando de cultura e de hábitos. O brasileiro (quase) sempre foi infrator nas situações mais cotidianas possíveis. O pobre, se puder fazer um "gato", furar uma fila no SUS sem se preocupar com os outros que ficam pra traz ou usar uma senha para enviar mensagens de graça por celular, ele quase sempre o fará. O pobre brasileiro (a maioria) é talentoso em cumprir pequenos delitos. Já os ricos, estes possuem esse aspecto cultural potencializado pelo poder, e dessa forma, vemos políticos corruptos, empresários ambiciosos (alguns também corruptos) e granfinos ignorantes tão talentosos em cometer grandes e pequenos delitos.

Infelizmente, a maioria dos problemas do Brasil são resultados dessas anomalias culturais, dessa malandragem. E quando uma lei como essa, rigorosamente fiscalizada, mas justa, entra em prática, ficamos completamente assustados, justamente porque não estamos nada acostumados a cumprir deveres (seria pela falta de costume em ter direitos?). Percebo que leis, nas nossas mentes, não passam de alegorias e quando estas realmente funcionam, nos sentimos assim, presos e assustados.

Vejo a implantação da Lei Seca e a determinação pela qual ela está sendo executada como um novo passo na vida do brasileiro. Um momento de choque e de educação forçada que funciona sim - lembremos das leis envolvendo o cinto de segurança. Funcionou tão bem que hoje a maioria esmagadora da população dirigi com cinto de forma habitual. Não deixa de ser uma medida paliativa. A educação pode ser bem melhor e deve ser planejada, mas essa lei surge como uma bela contribuíção para a cada vez maior inserção do brasileiro no mundo da civilização e do respeito ao próximo.

Não demorará muito para que novas formas de burlar o bafômetro sejam inventadas (se possível), técnicas, que incrivelmente a maioria utilizará. Por outro lado, o surgimento da simpática idéia do "amigo da vez" me faz pensar que estamos nos adaptando rápida e adequadamente à situação.

Sempre me admiro com certas transformações. Muitas vezes pensei que o Brasil não mudaria nunca ao ver notícias ruins que provavam insistentemente a falta de educação do brasileiro. Mas, contraditoriamente, mesmo com uma reflexão maior que ultimamente fazemos sobre nós mesmos, vejo uma instituição acreditável como a Polícia Federal e leis tão bem executadas como a Lei Seca, e simplesmente não acredito. Impressiono-me com esses pequenos aprendizados e com a existência de pessoas tão sérias por traz dessas.

A Justiça Eleitoral também tem me impressionado cada vez mais, apesar de ter achado abusiva a proibição dos comunicadores de Rádio e TV de comentarem sobre os candidatos dessas eleições. Houve uma falta de bom senso nesse ponto, mas por outro lado, entendo que a "casa" dos comunicadores precisa ser organizada, pois a ligação destes com a politicagem é triste e perigosa.

Enfim, aos poucos aprendemos. Tenho fé no meu país e na minha gente. Sim, sou otimista e apesar dos pesares, vejo excelentes e inspiradores exemplos demonstrados por alguns conterrâneos. O que mais me empolga é imaginar esse povo tão fascinante vivendo melhor e bem mais esclarecido quanto si próprio.

Sábado, Julho 26, 2008

As Emoções de Steven Seagal

Todo bom ator possui um ilimitado repertório de golpes marciais. Tenho pena daqueles que só se preocupam com essa coisa de "expressão". Fracassados!

Segunda-feira, Julho 21, 2008

O Cavaleiro das Trevas - Primeiras e Sensíveis Impressões

Intrigado, cansado e feliz. Há cerca de uma hora, eu estava saindo da sala de cinema na qual assistia a Batman - O Cavaleiro das Trevas, e ainda sinto um pouco do peso que o filme deixou sobre minha mente.

Frenético em seu ritmo e realista em seu tratamento, essa continuação segue a mesma lógica do primeiro, mas desenvolvendo-se com uma intensidade tão forte que o diferencia de qualquer outro filme de super-herói. Impregnado por um pessimismo que não via desde O Senhor dos Anéis, o filme pouco nos dá a chance de acreditar em algum sucesso para os conflitos dos personagens, transformando a sessão de mais de duas horas e meia em uma experiência realmente cansativa e difícil, o que é certamente positivo por, de certa forma, essas sensações serem resultantes da carga dramática e da fácil correlação que fazemos da vida em Gothan City com a típica situação de medo e insegurança a qual vivemos nas metrópoles. Essa nova série, arrisco-me dizer, trata-se sobre a cidade, seu caos, sua moral frágil, seus bandidos e heróis, e bem mais a dicotomia destes.

Como uma grandiosa promessa que já sentia medo de não ser cumprida a altura, o Coringa revelou-se um indivíduo completamente sem senso, um anárquico. Eu sinto, mas muito mesmo pela morte de Heath Ledger, muito mais após este filme, que deixou marcado e comprovado como em nenhum outro o talento do ator. Intenso, visceral, intuitivo e dominante da técnica, Ledger assusta em cada momento de sua aparição, e de sua ausência também, que através de uma sádica mistura de humor e horror, me causava vários sorrisos nervosos durante a projeção. Com um vilão desses foi realmente difícil permanecer calmo.

Confesso que, mesmo lembrando bem o que foi o Batman Begins, ainda fiquei completamente abismado com a visão que Chritopher Norlan possui da estória do herói e com tudo que reproduziu neste filme. Penso, aliás, que o objetivo do diretor seja realmente nobre no que diz respeito a qualidade, seja na estética, seja no conteúdo; são filmes como esse, possuidores de uma natural tendência industrial mas que trazem consigo um trabalho artístico profundo, que pegam desprevenidamente uma distraída ou ignorante massa, como se fossem armadilhas para o bom gosto. São iscas que levam, aos poucos, um público a refinar seu paladar e torná-lo mais exigente. Ah! E como é bom ver milhares de pessoas correndo para os cinemas jurando que irão assistir a um divertido filme de super-herói, quando na verdade estão experimentando um denso e bem desenvolvido drama policial, que não arrastaria um-quarto desse público. Nesse sentido, adoro cineastas sagazes e propagandas enganosas de estúdios gananciosos. Como é dito em Batman - O Cavaleiro das Trevas: "Às vezes as pessoas merecem algo melhor que a verdade."

Ainda vou postar aqui uma análise mais crítica do filme, mas sinceramente, antes vou assisti-lo mais uma vez. Acho que não estava preparado para o excesso de informação. Deveria sempre estar!

Sexta-feira, Julho 18, 2008

O Gozo Espetacular da Violência

Tenho estudado e pesquisado mais intensivamente meu tema de monografia, que trata diretamente sobre cinema e violência, o que tem sido revelador em alguns aspectos, incitando-me a refletir sobre certos assuntos. Ao ler o artigo Estéticas da Violência no Cinema, de autoria da Doutora em Comunicação, Ivana Bentes, senti um forte incômodo diante do seguinte trecho:

"Para além do discurso midiático do medo difuso e demanda de repressão encontramos ainda outras diferentes formas de consumir a pobreza, ligadas ao circuito do turismo e das trocas culturais. A menos perversa, e mais antiga, faz pensar na pobreza e miséria como uma espécie de 'museu da humanidade', em que as favelas 'tombadas' (uma tendência inclusive urbanística, com o descarte, cada vez mais claro de qualquer idéia de 'remoção') são pontos turísticos com seu primitivismo-exótico, multiculturalismo e modos de vida em 'extinção'. A cena é comum em Copacabana. Um imenso jipe verde-oliva, apinhado de turista vestidos como se partissem para um safári africano, cruza a Avenida Atlântica saindo do Copacabana Palace. O Jeep Tour leva gente de todas as nacionalidades para ver de 'perto', ou do alto do jipe esse 'habitat natural' de uma pobreza ironicamente incorporada à imagem turística e folclórica do Rio de Janeiro.

[...]

A favela é o cartão-postal às avessas, uma espécie de museu da miséria, etapa histórica, não-superada, do capitalismo e os pobres, que deveriam, dada toda produção de riquezas do mundo, estar entrando em extinção, são parte dessa estranha 'reserva', 'preservada' e que a qualquer momento sai do controle do Estado e explode, 'ameaçando' a cidade."

É claro que chegamos ao ponto em que a violência e a miséria brasileira estão sendo encaradas como espetáculos. Não sei bem se o cinema tem a culpa nesse embelezamento da pobreza ou se somos nós que estamos um tanto incapazes de perceber a realidade, pois, mesmo que esses filmes possuam uma estética que traduz em belo uma difícil realidade, os mesmos são marcados por um realismo visceral que deveria nos chocar. Acredito que o problema esteja mesmo na forma como nos posicionamos quando estamos frente a telona; às vezes, parece que somos turistas visitando o nosso próprio país, tal qual, aqueles do jipe verde-oliva, citado por Ivana Bentes.

Nada Mais Engraçado que a Vida Real

Não sou um fã de Vídeo-Cacetadas e não curto muito postar vídeos por aqui, mas sempre abro um espacinho quando me deparo com situações realmente hilárias. Eu iria escrever e postar um vídeo do comediante de stand-up comedy e integrante do CQC, Rafinha Bastos, mas fica pra próxima. Dessa vez, nada mais engraçado que a própria realidade!


Projétil em Brasa
Como diria um famoso personagem do cinema brasileiro: "Então bota a porra da bandoleira!"




Ataque em Bando
Parece que o homem não está mais no topo da cadeia alimentar.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

O Incrível Hulk

Ao comparar o primeiro filme (Hulk) com este novo O Incrível Hulk, percebemos claramente que existem novas pretenções da Marvel para esta série. O primeiro, dirigido por Ang Lee, procurava desenvolver ao máximo o drama da situação ao qual Bruce Banner se encontrava, estudando a psicologia do personagem e tematizando com solidez o filme. Já nesta continuação, a tentativa foi de contar a estória do personagem através de um estilo mais comum aos utilizados em adaptações de HQ's, no qual o equilíbrio entre a ação, desenvolvimento das personagens e o drama é feito de forma a tornar a narrativa fluída e com rítmo adequado para o tipo de estória. Não que a empreitada de Ang Lee não tenha sido boa, na verdade, foi ótima e fundamentou como em nenhum outro filme de super-herói os poderes e traumas deste personagem, que, no fundo, estão estritamente ligados.

Mesmo que eu acredite que o tratamento dado pela direção de Louis Leterrier a este segundo filme seja mais coerente à estória, sinto e senti maior empatia pela forma com que Ang Lee a contou. A densidade com a qual este último desenvolveu e a utilização de argumentos psicanalíticos/psicológicos como explicação para os traumas do protagonista, indiretamente deram ao filme sensações mais vicerais e angustiantes, além de nos conceder explicações quase plausíveis para a mutação do personagem. E essa capacidade de tornar a estória mais emotiva quando racionalizada parece ser inexplicavelmente um trunfo comum às estórias de Hulk. Da mesmo forma, em O Incrível Hulk, os momentos mais emocionantes e dramáticos estão diretamente ligados às questões psicológicas de Bruce Banner, quando estas são desenvolvidas.

Com um início ágil, o filme, logo após nos apresentar a nova situação e esconderijo de Bruce Banner, nos deixa a par da ameaça e do constante desespero do personagem em se livrar de seu "poder". Usando a favela da Rocinha como cenário para o esconderijo de Banner, a produção fez um ótimo trabalho ao escolher ângulos fabulosos compondo uma bela fotografia, e ao explorar, em alguns momentos, o caótico ambiente do morro, como na perseguição que os militares norte-americanos fazem pelas ruelas, lajes e becos traiçoeiros do morro. O trabalho de Direção de Arte e a produção no geral foram tão bem realizados que o íncomodo típico que nós brasileiros sentimos ao assistir filmes hollywoodianos filmados no Brasil foi quase imperceptível pela escassez de deslizes na representação da Rocinha e da vida na favela, tropeçando apenas aqui e ali.

Com uma urgência e rítmo intenso, o início do longa praticamente em nada parece com a cuidadosa apresentação das personagens de seu antecessor e, curiosamente, uma nova versão do auto-experimento científico de Bruce Banner que o tornou em Hulk foi mostrada (nesta, sua namorada Betty Ross quase morreu no incidente). Investindo mais tempo nos momentos de ação, o roteiro se torna mais atrativa e prende fortemente o espectador, ao passo que mostra também as consequência traumáticas da "pós-transformação em Hulk" e de toda a ação ocorrida, assim como a carga emocional deste por ter que, constantemente, manter-se isolado como um fugitivo e ver-se sempre a um passo de "surtar" novamente. Dessa forma, reencontramos um Bruce Banner amargurado, que sofre o peso de sua natureza mutante e do que ela pode criar.

Composta essa nova versão cinematográfica, nada mais normal que a mudança de elenco. Bruce Banner, antes atuado por Eric Banna, agora ganha um novo e competente interprete, Edward Norton. Se Banna possuía um físico mais avantajada (malhado) que dificultava uma aparência mais frágil, Norton já possui um corpo esguio, mas diferentemente do primeiro, exibe aspectos psicológicos que imprimem maior segurança ao personagem. A verdade é que a fragilidade típica de um personagem inseguro e possuidor de certos desajustes emocionais acaba sempre prejudicada por alguns desses aspectos. Se eu escolhesse entre as atuações dos dois, mesmo sendo um adimirador do trabalho de Norton, ficaria com a de Eric Banna, por considerá-la a mais coerente. No entanto, vale ressaltar que certas mudança têm mais a ver com escolhas tomadas pela direção, do que pela composição feita pelos atores.

Edward Norton, porém, é bastante eficiente ao mostrar o peso dos problemas e restrições do personagem sobre si. Da mesma forma, a atriz Liv Tyler, que interpreta Betty Ross, funciona muito bem com Norton, imprimindo química ao casal. Mas infelizmente, o roteiro esquece de sustentar o lado da personagem como uma importante pesquisadora, deixando-a apenas como a mera namoradinha do herói. Já Tim Roth, constroi um Emil Blonsky interessante e ambiciso, e até certo ponto, um tanto obcecado e ameaçador, até para o próprio Hulk.

Superando o primeiro filme no que diz respeito a efeitos especiais, O Incrível Hulk impreciona pela veracidade do próprio Hulk, mas não a ponto de esquecermos de seu caráter digital. Dessa vez, com uma pele composta por uma coloração mais escura que o torna mais ameaçador, o Hulk ganhou um caráter mais verossímio, chagando a impressionar por alguns instantes pela preocupação dos técnicos em tornar o personagem em algo "real" e palpável. A única falha na composição do herói fica mesmo nas suas expressões faciais sempre indefinidas e quase sem emoções, tornando praticamente indecifrávis os pensamentos e as sensações de um personagem que é, na verdade, a forma física e surtada do inconsciente de Bruce Banner.

Em meio a incerssões bem sucedidas de algumas cenas cômicas, o momento em que Betty Ross fica completamente irritada com um taxista, ao passo que, ironicamente, Bruce aparenta total postura parcial a situação; é o único que revela-se ineficaz por não possuir qualquer elemento surpresa pela obviedade da tirada cômica. Possuíndo uma série de pequenas situações forçadas, o final peca ao investir quase que completamente na ação desenfreada e, novamente, na criação surpresa e desnecessária de um novo vilão.

Preocupado em não apenas referenciar os quadrinhos, o diretor Louis Leterrier faz homenagens óbvias à série de TV dos anos 80, como o plano das íris dos olhos de Banner no momento da transformação em Hulk, ou o próprio título do longa que é a referência mais direta à série. O filme, aliás, se dá ao luxo de explorar as diversas possibilidades estéticas ou narrativas assumidas variadamente nas muitas versões dos quadrinhos. Hulk foi uma das HQ's com mais adaptações diferentes da mesma estória e, talvez, a utilização de outra versão, no filme, do momento em que o protagonista sofre o incidente laboratorial que o transforma em Hulk, seja uma liberdade absorvida pela adaptação cinematográfica dessa característica da estória do herói, a de possuir vários início e versões.

De um modo geral, o tom utilizado nesse novo filme sobre o super-herói verdão é mais adequado que o da versão anterior, por ser mais leve, menos denso, com mais rítmo e não menos dramático, sem, com isso, torná-lo pobre e superficial. Essa mudança bem sucedida confirma que, em certos casos, melhor que utilizar um estilo denso e racional que transforme uma obra pop em uma arte mais rebuscada, é desenvolver o filme dentro de um estilo mais atrativo e coerente à proposta da estória, mas que mesmo assim faça jus ao potencial desta e não duvide da inteligência de seu público. São justamente estas as maiores qualidade de O Incrível Hulk.

Terça-feira, Julho 15, 2008

Uma Mídia mais Discreta?

Se no "Caso Isabella" eu discordava da cobertura excessiva e sensacionalista que extrapolava o limite do bom-senso, tanto por parte dos profissionais de comunicação quanto pelos milhares de receptores; frente a cobertura deste mais novo e triste caso de uma criança atingida pela violência, admito que alguns segmentos de mídia têm feito o seu trabalho de forma mais equilibrada, sensata e buscando encontrar, por trás dessa veiculação, um sentido e uma relevância que vão além do interesse público ou da audiência, mas que procure desvendar o contexto por trás dessa situação. Algo que não aconteceu no primeiro caso, que apenas com mais de um mês alguma discussão rasteira sobre violência doméstica e suas causas fora levantada.

Nesse caso ocorrido no domingo, dia 6, policiais militares foram acusados de disparar pelos menos 16 tiros contra o carro ao qual João Roberto, de 3 anos, se encontrava com sua mãe e irmão. A criança teve morte cerebral logo na segunda-feira, enquanto os dois PM's envolvidos na operação foram presos em um batalhão na Tijuca. Eles afirmaram que estavam trocando tiros com ladrões e negam terem atirado contra o carro em que o menino se encontrava. No meio da semana, o vídeo de segurança do prédio em frente ao ocorrido revelou que os policiais dipararam contra o carro, indicando um erro operacional, e dos grandes.

As reportagens sobre o ocorrido apuram os fatos de forma mais cuidadosa, além da habitual tentativa jornalística de comover. O que a princípio era noticiado como um típico caso de violência policial, passou a informar um possível despreparo da polícia, tanto psicológico como operacional. A questão inevitavelmente se aprofundou. A discussão sobre a deficiência dos policiais militares surgiu e vários meios de comunicação optaram por não impor papéis e funções aos personagens dessa história, com o intuito somente de sensacionalizar este, que é mais um fato complexo de nossa sociedade. Até a possibilidade dos policiais realmente terem trocando tiros com ladrões está sendo bem divulgada pela mídia, criando uma verdadeira situação reflexiva que vai para longe da simples comoção, vitimação e da incitação de raiva na população.

Tenho uma forte impressão que essa postura da imprensa nesse caso tenha ocorrido por esse fato caracterizar-se como parte de uma discussão já em pauta desde o ano passado pelo cinema e por outras mídias. Hoje, há uma verdadeira inquietação para se entender a instituição policial brasileira e como esta se encontra, já que ela é fundamental para a manutenção do equilíbrio social, principalmente em um país subdesenvolvido. Fiquei um pouco surpreso com a forma de tratamento da mídia em um caso que poderia ser muito bem explorado, aproveitando o sentimento de revolta induzido, intensamente utilizado pela imprensa no caso de Isabella Nardoni. No entanto, a reflexão sobre as condições da polícia foi quase inevitável de surgir no caso do pequeno João, já que envolvia diretamente policiais militares do Rio de Janeiro. E acredito, a imprensa não se submeteriam a tamanho indiscrição em um caso tão delicado.

A verdade é que a violência no Rio não é novidade, assim como a insegurança atual que sentimos em relação a instuição que deveria nos trazer um mínimo de segurança. Considerando esses fatores, talvez seja mais fácil de entender as diferenças consideráveis que existem entre o Caso Isabella e o de um menino que, infelizmente, será apenas parte de uma estatística tão comum à cidade. Nesse momento, a comovente revolta da massa realmente faz falta.

E então. Será uma mídia mais discreta ou exitem mais pressões por trás da cobertura de um fato como este ocorrido no Rio de Janeiro?

Sábado, Julho 12, 2008

Wall.E - Primeiras e Sensíveis Impressões

Quando escrevo sobre um filme e intitulo o texto de "Primeiras e Sensíveis Impressões", a idéia que tenho, obviamente, é de relatar o que senti e as primeiras impressões vindas do filme. Isso tem sido comum e relativamente fácil de se fazer, mas em si tratando de Wall-E, nas diversas vezes em que comecei a escrever este post me vi buscando um texto mais frio e distante, procurando não explorar e muito menos expor um pouco da experiência bem pessoal que foi assistir a essa animação.

A verdade é que dificilmente uma pessoa que assiste a Wall-E sairá a mesma ou sem um mínimo de reflexão. O filme é emocional, certamente. Mas incrivelmente racional também, como uma mistura magnífica que mais parece Steven Spielberg e Stanley Kubrick na direção de um mesmo filme, protagonizado por Chalie Chaplin. E comparar o robozinho com o ator é mais que um elogio ao trabalho da Pixar.

A princípio, Wall-E parecia ser uma ousada estória sobre a vida solitária de um robô programado para limpar uma Terra completamente poluída. No filme, um cenário verdadeiramente angustiante. São quase 30 minutos sem falas, apenas com gestos e rotinas, para então descobrirmos que a estória se trata da paixão entre dois robôs, que no decorrer do filme, abandonam suas diretrizes em prol do "amor". Aparentemente, uma idéia maluca e água-com-açucar, mas a verdade é que trata-se de um cinema de primeira.

O robô Wall-E é um personagem fascinante e irresistível. Não imagino quem possa ignorá-lo e não se comover logo nos primeiros instantes com a alma (isso mesmo) e sensibilidade do robô, que é uma singela homenagem a humanidade. E é isso que o filme de fato acaba por nos mostrar ser, uma homenagem ao homem e sua sensibilidade, e não é à toa que Wall-E guarda em sua casinha improvisada diversas lembranças bonitas e singelas do que foram as pessoas que naquele lugar já residiram. O mesmo indivíduo capaz de destruir o mundo em que vive e de discriminar o próximo por pura ignorância, é também aquele que ama, dá as mãos ao outro. O personagem consegue sempre ver o melhor do homem em todo o longa e, curiosamente, ele sempre me pareceu a versão mais pura e inocente deste, ou seja, aquela sem rancor e traumas, que não tem medo de sentir, se emocionar, se apaixonar ou parecer bobo.

A verdade é que, ao assistir Wall-E, pude observar o melhor do que podemos ser, e vendo aquele personagem inserido em um contexto de total destruíção de nosso maior bem, fica clara a mensagem de que somente essa versão de nós é capaz de dar o devido valor. Não demora muito para entendermos o porquê da total poluíção do planeta, quando na metade do filme, Wall-E encontra os humanos e, junto com ele, descobrimos que o homem do futuro não passa de um ser amorfo, ignorante, acrítico, que perdeu até sua capacidade de locomoção por total entrega às facilidades tecnológicas e que, ao primeiro e surpreso contato, todos parecem exibir atenção e simpatia, mas por pura carência e solidão. O filme vai mais além em seus argumentos, tratando do consumismo e da vida cada vez mais envolta de um tecnicismo e por frias diretrizes de um mundo com olhares voltados para valores superficiais.

Não foi possível não me emocionar. Para alguns, o filme funciona como uma verdadeira redescoberta do que somos; já para outros, como uma feliz relembrança, enquanto que uma outra parte apenas ignorará, assim como os humanos de Wall-E, que vivem deitados pela atrofia de seus corpos em cadeiras flutuantes e com uma espécie de TV (é uma mídia) frente aos olhos, incapazes de olhar para o lado e de sentir algo genuinamente humano e real. Como a paixão de Wall-E por Eva.


A Comoção de Courtney

Já que falei de Wall-E, não vou deixar de comentar a respeito de um curioso caso sobre o filme. Courtney, uma jovem norte-americana, enviou um vídeo para a Pixar que era um registro do que ocorria sempre que assistia ao tease-trailer da animação lançado a meses na internet. Coutney se emocionava, inevitavelmente, sempre que via o olhar e escutava a voz do protagonista. Depois disso, a jovem passou a receber e-mails constantes de alguns funcionários da Pixar que ficaram comovidos com o seu vídeo. A equipe acabou convidando Courtney a comparecer na festa de comemoração do lançamento do filme, e lá foi homenagiada pelo próprio diretor.

Segundo o namorado de Coutney, que se encontrava também no evento:

"Então [Andrew Stanton] disse: 'Há seis meses, quando o primeiro trailer de Wall.E foi lançado, estávamos apenas na metade do processo de realizar o filme e não sabíamos ao certo como iríamos concluir o projeto. Estávamos exaustos. E aí, um dia, um vídeo apareceu no YouTube mostrando uma garota assistindo ao trailer. E toda vez que o via, ela chorava. Quando vimos aquilo, soubemos que estávamos indo na direção correta'.

Todos no cinema riram deste caso, demonstrando que sabiam do que ele estava falando.

'Bem', Andrew Stanton disse. 'Nós convidamos Courtney para estar aqui esta noite.'


Um burburinho tomou conta do cinema. Quando virei e olhei para minha namorada, ela estava boquiaberta pela surpresa. Andrew Stanton pediu que ela se levantasse e mil pares de olhos se viraram para fitá-la e, então, um ensurdecedor aplauso começou. Courtney ficou parada e, sem saber o que fazer, soprou beijos para os artistas e técnicos que fizeram o filme. Foi uma das coisas mais emocionantes e surpreendentes que ela já viveu e que já testemunhei. E a Pixar fez isso apenas porque o vídeo dela havia tocado seus artistas, deixando-os otimistas com relação ao filme que estavam fazendo. E eles quiseram retribuir o favor.

(...)

A Pixar nunca tentou usar essa história para promover o filme. Eles realmente fizeram isso exclusivamente porque ficaram tocados pela reação de Courtney ao trailer, porque acharam que isto seria algo bacana de se fazer e porque acreditaram que isto agradaria também aos seus funcionários - os quais, pelo que vi, eles tratam com enorme respeito".


(trecho extraído do post "Pixar, Humanidade, Emoções" do blog Diário de Bordo, de autoria de Pablo Villaça)

O relato completo e o vídeo de Courtney podem ser vistos aqui.

E... Bom! O trailer de Wall-E, pra quem estiver curioso.