sexta-feira, abril 25, 2008

Found: Em Busca das Críticas Negativas de Lost

Enquanto dados do nono episódio da quarta temporada de Lost são transferidos ininterruptamente da rede para o meu computador, minha ansiedade de fã cresce, assim como uma curiosa vontade de entender até que ponto esse fanatismo me cega enquanto crítico, como várias vezes fui avisado a respeito disso. Decidi, então, me certificar da realidade de minha percepção a respeito de Lost e embarquei em uma jornada virtual em plena aurora de uma sexta-feira.

A questão era: Lost estaria tão ruím quanto algumas pessoas que me cercam dizer estar ou, na verdade, seria uma grande coincidência estar rodeado de pessoas que não gostam da série? Caso ela esteja realmente ruím, poderei de fato entender até que ponto a empatia que sinto pela série (já fora de um padrão normal) atrapalharia em um olhar mais crítico. Minha jornada então começou na busca pelas críticas mais negativas e ofencivas a série que eu acreditava não ter conhecimento, e que poderiam ser fatores de uma possível distorsão da realidade da série que eu pudesse estar sofrendo.

Então googlei. Comecei na busca por sites de "críticas de TV", que pra minha decepção, quase não existem em domínios brasileiros. Em seguida, busquei pela expressão básica "Lost" e pude encontra apenas umas poucas 486.000 páginas de respostas, que graças ao sucesso da série, tinha nas primeiras páginas justamente os links para os sites que comentavam a série. Entrei em diversas páginas, dezenas até, e pouco pude constatar, a não ser uma louca convenção geral de que a série é um "sucesso", simples assim.

Não satisfeito, busquei por "Lost decepiciona". Nada de novo me foi apresentado, a não ser sites que diziam: "Primeiro episódio da terceira temporada decepciona na audiência, mas ainda é a mais assistida no horário". Cansado de notícias sobre audiência ruím (falácias que não passam de um reflexo de popularidade), procurei por "Lost ruím" e encontro repetitivas afirmações de "sucesso" ou anúncios de "fotos sensuais de Evangeline Lilly". Sem desistir, procurei por "Lost péssimo", "Lost temporada fraca", "Lost cancelada", "Lost greve", "Lost não, Heroes sim", "Lost merda", "Lost pop". E o que eu encontro? Além da afirmação de que a série é um "sucesso", achei, em meio a 98% de afirmações de que a série é - novamente, "um sucesso" - "uma revolução da televisão", apenas algumas poucas críticas interessantes e negativas voltadas geralmente para episódios em específicos, como: "Lost tá cada dia pior, mas a nova trama apresentada no último episódio até que levantou fôlego", ou "Que episódio ruím, perto daquele outro bom"; ou o pior dos argumentos pra quem quer criticar uma série que se chama Lost: "Essa série só cria dúvidas na minha cabeça e nada de respostas". E para a irônia de tudo, em meio a minha jornada exaustiva em busca da crítica negativa, e sem muito sucesso, encontro uma crítica negativa de um blog chamado .Ponto-de-Vista., que detona um episódio mais que qualquer outra blog que eu tenha procurado no Google, isso, no GOOGLE.

Aliás, certifiquei-me de algo: os internautas criticam a série com cuidado e é comum encontrarmos afirmações como: "Às vezes Lost me desanima..." sucedido por um "... mas não decepciona" ou "Os últimos episódios estavam tão fracos... mas esse último mostra Lost novamente"; sem grandes argumentos, sem postura, e críticas destrutivas que morrem no episódio seguinte, quando não, no season finale.

Busca frustrada, que pelo menos resultou em um alívio por saber que a minha percepção da série, mesmo sendo um fã bobo e apaixonado, é sensata como a de poucos que pude encontrar no google, além, claro, de constatar que a série não é ruím como andam falando. Desta busca, pude pelo menos conhecer diversos sites de críticas e informações de TV que frequentarei com constâncias. Acredito que minha razão fique por cima da minha paixão, afinal, não exito em criticar Lost quando devo ou quando me desagrada, da mesma forma como não me entrego ao deleite de criticar outras séries ou de negar-lhes os elogios merecidos, como CSI ou 24 Horas, que possuem um modo particular e um tanto eletrizante demais de contar suas estórias, algo que não me agrada muito. Prefiro personagens, por isso, prefiro Lost.

Mas eu percebi uma coisa, das próximas vezes serei fã de uma coisa menos popular e conhecida. As pessoas tendem a associar popularidade a produtos ruíns. É o que eu sempre falo por aqui, preconceito artístico!

quarta-feira, abril 23, 2008

O Padre Voador está Lost


O teor cômico dessa história é inegável. O padre simplesmente, e na melhor das intenções, se amarrou a 1.000 balões e seguiu sua arriscada jornada, portando um GPS, que logo descobriria não saber como funciona. Por que alguém se submeteria a isso de forma tão precipitada? Antes de ver essa imagem, não havia rido em nenhum instante ouvindo essa história, mas sabia da graça que se escondia por trás da tragédia; agora com essa imagem, como não rir? Não costumo me divertir com a tragédia alheia, mas um mínimo de distanciamento que tomamos em relação ao padre é o suficiente pra tornar tudo engraçado. Um pé na tragédio e outro na comédia!

Lamentável, trágico e triste, mas inevitavelmente cômico. Balões de aniversário, nenhum colete salva-vidas, mal tempo, ausência de equipe de apóio, GPS sem intruções... como esse plano perfeito foi dar errado?!

Filmes que Assisti


Notas Sobre um Escândalo


Há alguns dias, assisti a esse filme pelo TV (legendado, graças à TV a cabo) e, sem muito me surpreender com as facinates interpretações de Judi Dench e Cate Blanchett, fiquei estranhamente vidrado naquela verdadeira montanha-russa emocional. Poucos filmes conseguem mater um ritmo tão constante, com tamanha tensão e intensidade.

Contando a estória de uma professora que tem a sua vida profissional e pessoal abalada pela acusação de ter mantido relações sexuais com um aluno de 16 anos, o filme nos apresenta a uma dinâmica interessante entre personagens, e nessas complexas relações, um estudo incrível destes. Sou um simpatizante completo de estória rápida, velozes, cheias de reviravoltas e tensões provindas de conflitos entre as personagens; e é exatamente isso que Notas Sobre um Escândalo nos oferece. Indico, indico!


X-Men: O Confronto Final

Quando o primeiro filme da saga dos mutantes lançou, de certa forma foi marcada uma transição na forma de tratamento dos atuais filmes de ação. O padrão "a là Batman" de adaptação das estória em quadrinho era abandonado em prol de estórias mais complexas, com personagens profundos e razoavelmente trágicos em seus destinos. A era dos heróis trágicos e complexos.

No entanto, mesmo com uma mudança significativa dos heróis de ação de hoje e suas estórias, X-Men continua com o posto de melhor adaptação de HQ's para o cinema, como um marco da mudança para o novo tempo em que a industria tende a prender seu público através de estórias menos rasteiras.

O Confronto Final fecha a trilogia da melhor forma possível, arcando a todo custo (inclusive com a vida de personagens importantes) com as consequências da trama desenvolvida nos dois filmes anteriores e pelos primeiros minutos do último episódio. Complexo, trágico e provido de um interessante subtexto, o terceiro filme dos X-Men's traça com mais força o paralelo entre os conflitos homem/mutante e a nossa sociedade aversa às diferenças.

terça-feira, abril 01, 2008

Desabafo

Ao visitar o blog Calango Net News, li um post chamado O Circo dos Horrores que comentava sobre a situação deplorável do Congresso Nacional, com seus escândalos, baixarias e casos de corrupção que não acabam nunca. De alguma forma, o texto escrito pelo autor não-identificado me trouxe uma série de reflexões nada novas a respeito dessa situação. Quando decidi comentar, o que era pra ser uma breve opinião, tornou-se em um longo comentário escrito quase que ininterruptamente e como se fosse um desabafo. E sendo assim, nada mais justo que postá-lo no meu próprio blog. E a resposta ao post foi a seguinte:


Sério! Esse é um problema cultural diretamente relacionado à educação. O brasileiro sempre se viu na corda bamba, sempre se viu obrigado a achar o jeitinho brasileiro. E o que é o jeitinho brasileiro? Teoricamente, uma forma desrespeitosa de buscarmos um modo de sobreviver e ultrapassar as dificuldades, infringindo leis e trapaceando. O brasileiro, de romântico, não tem quase nada, mas de cínico, praticamente tudo. A convenção de que devemos driblar as regras para sobreviver é tão grande e cara de pau, que qualquer sinal de sentimentalismo, romantico ou não, nacionalista ou não, que possa nos fazer pensar no próximo ou no coletivo, parece vergonhoso.

O pobre se ver no direito de trapacear com seu jeitinho brasileiro. O rico se ver igualmente no direito de, às escondidas, infrigir leis. Por que seria diferente se a educação cultural no fim é praticamente a mesma? Ninguém é vilão... somos todos mal acostumados. Mal acostumados a morrer de fome enquanto buscamos uma forma justa de sobreviver. Sem romantismo, isso é impossível. Mal acostumados a pensar no próximo enquanto queremos acumular fortuna ou sentí-la mais sólida quando nossas inseguranças e neuroses sempre dizem que o que temos não é o suficiente ou quando somos seduzidos cada dia mais pelo "ter" e pela publicidade.

Quem é o vilão? O congresso, com seus exemplares de pessoas egoístas ou de mazelas brasileiras potencializadas pelo poder? Seria o pobre, que fura a fila do SUS ou burlar algum sistema pra sobreviver sem ao menos lembrar do outro pobre que ficou pra trás? Como brasileiros, somos todos egoístas. Mas você me pergunta: "Por que pensar no outro se, caso a situação fosse inversa, o outro não pensaria em mim?". Esse é o cúmulo de uma mizerável convenção.

Nosso tão estimado calor humano e abraço, em certos momentos, não passam de superficialidades. Nossa proximidade uns dos outros e facilidade de relacionar-se, à vezes, revela o elo fraco que temos entre nós, e quando caímos no mais puro individualismo, isso fica mais que comprovado. Poucos são os brasileiros que pensam em outros brasileiros, e esses, são românticos, idealistas e quase extintos. Se no mundo o homem passa por um processo de individualisação, no Brasil, então já somos individualistas, mas da forma tipicamente brasileira, ou seja, fingindo sermos próximos, achegados, caridosos e carinhosos. Pessimismo? Não. O que acontece no "circo dos horrores", o Congresso, é a maior prova da desventura do brasileiro enquanto cidadão, e esse é o reflexo ou a maior divulgação de nosso comportamentos.

Da mesma forma que o brasileiro baixinho e jogador de futebol se viu obrigado a desenvolver dribles mirabolantes para ultrapassar os altos jogadores europeus, fomos também educados pela nossa própria história a ser assim, "dribleiros", infratores de nossas próprias leis e, consequentemente, problemáticos com nossa baixa auto-estima, que está direta ou indiretamente ligada com as nossas atitudes, ou talvez seja resultado de um pouco de culpa que sentimos pelos nossos atos. A verdade é que, de modo geral, só a educação para nos salvar, não só o Brasil, mas o mundo que anda invertido em seus valores. Só a educação para nos tornar conscientes de nossas próprias mazelas, e para o Brasil falta muito. Muito além do consciente e inconsciente do brasileiro, a educação deve mudar o inconsciente coletivo, em um processo a longuíssimo prazo. Pena que não começamos ainda!


domingo, março 30, 2008

My Preciousss

Faz exato um ano que não assisto a minha trilogia preferida, O Senhor dos Anéis. Essa é a primeira vez que falo sobre os filmes aqui no Ponto-de-Vista, e não há nada mais motivador para isso que a falta que sinto daquela estória, da melancólica jornada de Frodo. Meus DVD's estão emprestados, minhas versões estendidas estão arranhadas (sou um dos poucos no Brasil que as têm), e a vontade de revê-los é grande.

Tenhos opiniões bem fortes a respeito da trilogia. Sendo ela uma produção muito mal compreendida e julgada por se tratar de um aparente blockbuster típico, vez ou outra travo alguns debates em defesa dos filmes, seja para ressaltar aquilo que o torna uma obra-prima, ou para explica que Senhor dos Anéis não é Harry Potter (Sério! Tem gente que confunde. Não há coisa pior). O que a maioria percebe não vai além das cenas de ação e dos grandes efeitos especiais que, de fato, são essenciais para a verocimilhança da estória, enquanto o desenvolvimento das personagens, a carga dramática atribuida aos eventos, os subtextos, tudo isso passa despercebido por um público que pouco sabe analisar o que assiste. Até elementos mais perceptíveis, como trilha sonora, fotografia, direção de arte e as atuações parecem não impactar por simplesmente serem parte de uma produção fantástica. Se por um lado há os que não conseguem ver além do superficial, de outro há os pseudo-intelectuais que cegam a si mesmos com seus pré-conceitos desmedidos e a arrogância de quem acha que uma super-produção nunca pode oferecer algo de bom, principalmente quando esta é fantástica, chegando a negar as genialidades de uma obra.

Em qualquer discussão que eu trave a respeito de O Senhor dos Anéis, ao fim ou para finalizar, pergunto: "Por que Frodo ofereceu o Um Anel para Galadriel?". Se a resposta for boba e equivocada como: "Porque ele quis se livrar do fardo.", encerro a discussão ali mesmo tendo a plena certeza de que a maior parte dos argumentos dessa pessoa não são plausíveis. Pode paracer arrogância de minha parte, mas afinal, como pode uma pessoa julgar mal uma obra se ela nem a entedeu? Talvez seja uma defesa contra certos pré-conceitos artísticos, algo que muito me incomoda.

sexta-feira, março 28, 2008

10.000 A.C.

É incrível como os anos passam, as experiências acumulam, as críticas negativas também e Roland Emmerich não consegue amadurecer absolutamente nada como diretor. Em seu mais recente trabalho, 10.000 A.C., Emmerich mostra como seu mau gosto prevalece, estragando qualquer chance de qualquer idéia embrionária e boba sua de dirigir o longa com um mínimo de bom senso artístico. Após O Dia Depois de Amanhã, pensei sinceramente que o diretor estivesse "melhorando" em suas "alucinações" enquanto cineasta, buscando não apenas destruir cidades e narrar catastróficas invasões alienígenas, mas desenvolvendo idéias mais elaboradas em gêneros (épico ou catástrofe) mal aproveitados ultimamente. E pelo jeito, vejo que seus acertos não passaram de pequenos erros de um percurso artistico lastimável. Ao que parece, em 10.000 A.C., nada é mais importante que excitar o público através de barulhos e efeitos visuais, enquanto seu filme bate recordes de bilheteria - uma fórmula sempre apelativa de ganhar o público, que não exita em assistir a filmes desse tipo. No entanto, entrar no mérito de tal questão levaria tempo e algumas reflexões, pois, mesmo que o público se disponibilize a ver tais filmes, nem todos procuram saber quem é o diretor desse ou daquele filme, o que dificulta a diferenciação prévia de filmes tão diferentes como Godzilla e Cloverfield.

A estória de 10.000 A.C. se passa em uma época em que a vida nômade do homem está se encerrando. Na busca por alimento para sua tribo e de uma nova forma de viver em um período de escassez, um grande caçador deixa sua tribo e seu filho D'Leh (Steven Strait). O jovem cresce sofrendo discriminações e exclusão por ter um pai covarde que abandonou a tribo, sendo então criado por Tic'Tic (Cliff Curtis), o amigo de seu pai e que conhece os motivos da partida deste. Apaixonado por Evolet (Camilla Belle) e tendo o conhecimento que esta faz parte de uma profecia que diz que o primeiro jovem que derrotar um mamute será o novo líder e casará com a moça, D'Leh começa sua jornada épica ao ganhar a disputa pela liderança. No entanto, a tribo é invadida pelos "demônios sobre quatro patas" (diz-se cavaleiros) e Evolet é sequestrada junto a vários outros integrantes da tribo, restando a D'Leh, enquanto líder, resgatá-los.

O roteiro, assinado pelo roteirista Harald Kloser e também por Roland Emmerich, é a maior decepção (ou não, já esperava por algo do tipo) entre todas as outras baixas da produção, ao narrar com pobreza inacreditável a jornada épica de D'Leh e Tic'Tic. Esquecendo completamente de desenvolver as personagens, os roteiristas apenas se conformam em atribuir esteriótipos a estes logo no início do filme, seguindo toda a estória através de cenas vazias e maniqueístas em suas reviravoltas, mostrando o quanto a dupla não sabe desenvolver suas próprias idéias. Assim, em determinados momentos do filme, acompanhamos a jornada das personagens na tentativa de resgatar parte da tribo que fora sequestrada, porém, nada mais além do que caminhadas e momentos de risco às personagens nos é apresentado, nenhum conflito, nenhuma sub-trama, nada que acrescente e dê um mínimo de complexidade a trama, tornando o roteiro chato e completamente desestimulante. E se em alguns momentos os plano muito abertos nos mostravam toda a beleza das paisagens por quais os personagens passam, os planos fechados de nada acrescentam, já que, as personagens são apenas peças que se movem quando os roteiristas querem e nada de interessante acontece dentro do grupo quando estes não estão em perigo. O roteiro é tão fraco e pobre que poderia ser quase que inteiramente filmado em planos completamente abertos; seria como acompanhar de cima a jornada de um bando de pinguins. (Ué! Mas já vimos um documentário que possui um roteiro mais rico envolvendo pinguins.)

Todos esses defeitos não são nada em relação ao maior erro do roteiro: o de justificar toda a trama e seus absurdos através de profecias, que vez ou outra (sempre) se realizam. Que as tribos primitivas humanas possuiam suas crenças, ninguém pode negar, até hoje temos; mas tentar fazer o público acreditar na verdade das profecias, comprovando-as durante o filme, é tolo o suficiente e é a maior prova de mal gosto compartilhada pela dupla, que sem talento, viu nessa idéia a única alternativa de fazer de D'Leh um profeta e da sua viagem em uma jornada épica. Justificativas fraquíssimas que rendem cenas constrangedoras, como as duas convesas de D'Leh com um tigre-dente-de-sabre ou a milagrosa ressucitação de uma determinada personagem no final da estória (faltou apenas a lágrima milagrosa caindo no peito do falecido). Além disso, todo esse caráter fantástico é contraditório à proposta de se narrar uma estória em uma época véridica na história da humanidade.

Ao contrário do roteiro, os efeitos visuais não decepcionam, criando Mamutes incrivelmente convincentes e atendo-se a detalhes importantes, como os traços de velhice em um dos Mamutes ou à complexidade da arquitetura da pirâmide erguida pela civilização mostrada no filme. Nesse sentido, a Direção de Arte é competente ao recriar convincentemente os grandes cenários; da mesma forma, os figurinos são peças de aparência completamente rústicas e primitivas, enriquecendo culturalmente as tribos e civilizações, mesmo que o roteiro às vezes desconsidere alguns aspectos referentes às limitações culturais desses povos tão primitivos. Envolvente no que se refere à ação, 10.000 A.C. só se beneficia nesse aspecto, que aliás, Emmerich sabe como fazer. Afinal, parte de suas estratégias para atrair o público residem nesses momentos do roteiro. No entanto, a coreografia do importante duelo entre D'Leh e o Mamute no início do filme deixa a desejar pela falta de criatividade. Se o clichê do "pé preso" em algum lugar já é íncomodo para o espectador mais desligado, repetí-lo duas vezes na mesma cena já deixa qualquer público com o "pé atrás".

E para não culpar inteiramente a dupla de roteiristas, parte da responsabilidades (ou a maior parte) pelos problemas do filme são, claro, do diretor (ou seja, duas culpas para Emmerich!) que tem, desde o momento que aceita o roteiro até o momento das filmagens, a capacidade de evitar algumas dessas falhas e enriquecer mais o filme. E, definitivamente, não é o que Emmerich faz nesse caso. Dessa forma, os atores, que dependem diretamente do diretor, e em 10.000, sem ter o que fazer, nada mais representam do que o personagem físicamente e a fraca idéia que os roteirstas desenvolveram destes. No entanto, nem uma boa direção e roteiro salvaria a inexpressividade da atriz mezzo brasileira, mezzo americana, Camilla Belle, que com seus olhos azuis e uma grande beleza, pouco parece ser uma parente mais próximo de um Neandertal do que eu ou você somos.

Retomando vez ou outra a atenção do espectador para a vidente da tribo de D'Leh nos momentos em que este sofre qualquer dificuldade, através uma espécie de raccord somos levados a uns dos momentos mais contrangedores e que representam a falta de fundamentação para às idéias que o diretor em alguns momentos pretende passar, pois, a vidente, que não representa absolutamente nada para o espectador durante todo o filme, não deveria ser mostrada pela simples falta de uma importância de sua aparição para a narrativa. A surpresa de 10.000 A.C. reside apenas no fato de ser pior do que eu já imaginava. Uma produção, que segundo Roland Emmerich, investiu 15 anos em pesquisas históricas, que no fim comprometeu tudo incluindo na estória profecias bobas pra justificar os fatos, além de desenvolver um roteiro paupérrimas, não poderia render um bom filme - apenas barulho, efeito pelo qual o diretor já é reconhecido.

10.000 B.C.
EUA, 2008 - 109 min
Aventura / Ação

Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich e Harald Kloser
Elenco: Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis, Joel Virgel, Affif Ben Badra, Mo Zinal

quinta-feira, março 27, 2008

Meu Memê

A melhor parte de ser um blogueiro é quando você descobre todo o mundo que existe através dos blog, a infinidade de informações e opiniões. Se a internet já é algo surpreendentemente imenso, os blogs tornam tudo isso muito maior. E em toda essa loucura de visitar blogs aqui, visitar blogs ali, li muita coisa bacana, muita coisa sensível, muitos textos refinados, outros bem humorados e verdadeiros diários nos quais seus autores relatavam suas vidas. É, de fato, um mundo facinante.

Há alguns dias, Euzer Lopez, um amigo virtual de um desses grandes blogs da rede, o Metendo o Bedelho, me "passou" o Memê. Não me perguntem o que significa, apenas vejam abaixo. Responderei algumas questões que só um autor de blog pode responder. Agora é a minha vez!

Então... bem-vindos ao Memê do .Ponto-de-Vista. :


1 - Por que resolveu criar o blog?
A princípio, minha idéia era a registrar minhas opiniões a respeito de qualquer assunto que estivesse em pauta ou não, e que fosse do meu interesse. Ocorreu que, com o tempo, meus textos foram tomando rumos próprios, encaminhando-se mais para o lado da crítica e da argumentação, e acabava comentando sobre os assunto que mais me interessavam, consequentemente, cinema e arte. Pode-se perceber uma diferença grande entre os temas do início e os atuais. Hoje estou mais voltado a crítica cinematográfica, algo que gosto e que resultou de uma necessidade de entender essa arte e de buscar um "bom-senso artistico", mas vez ou outra escrevo outros tipos de textos que não sejam críticas, sempre referentes à mídia, arte e cinema, principalmente.

2 - O que te dá mais prazer em blogar?
O meu maior prazer é em exercitar a prática da escrita e da análise, e assim, ver o quanto posso pensar a respeito de determinados assuntos. Sempre releio meus próprios textos, isso às vezes é uma experiência boa e em outras, nem tanto.

3 – Indique um blog bom e um do qual você não goste e por quê?
Existem vários blogs bons e falar apenas de um é muito difícil. Nem saberia escolher. Gosto dos blog que tenham uma idéia, que tenham um objetivo, que não sejam um espaço pra tudo. Acho que quanto mais sólida a idéia, melhor o blog. Então, um blog como o "Bia Black Roses" está com certeza entre os meus preferidos, pois seu obejtivo de refletir e viajar nas próprias emoções é completamente alcançado - muito sensível. Ou então o blog "Metendo o Bedelho" que é incrivelmente pessoal, fala de tudo, mas com a mesma idéia englobando todos os diferentes temas discutidos, a de relatar fatos pessoas sempre nos deixando na dúvida entre o fictício e o real. Já blogs mal delimitados em suas idéias (não em seus conteúdos) costumam não me agradar, pela falta de um objetivo fixo.

4 – Qual tipo de música e quais suas bandas favoritas?
Gosto de Música Eletrônica, Rock, Pop, MPB, Reggae, Jazz, Chorinho, Axé e outros tipo diferentes ou novos que me agradarem aos ouvidos. Quanto a banda, não tenho preferidas. Gosto da música que me agradar e dificilmente me ligo a uma banda. Sou louco por algumas músicas de R.E.M., mas não sou fã do grupo, assim como acho Britney Spears uma cantora duvidosa, mas gosto do remix de suas novas músicas. Não sei se os créditos nesse caso vão para o DJ compositor ou para a "cantora", mas não entrerei nessa questão.

5 – Qual o assunto que você mais gosta de postar?
Cinema.

6 -Seaquinevassevocêusariaesqui?
Sim. Iria de esqui para o cinema ou teatro!

7 – Você é: casado, solteiro, separado, enrolado, desquitado, chutado, viúvo ou outros?
Segundo um amigo meu, quando você diz na internet que você é solteiro, você está sendo um desesperado. Olha! Sou solteiro... mas não desesperado (risos). Não sei por que as pessoas tendem a relacionar o espaço virtual à sexualidade (sonso).

8 - Por que você deu esse nome ao seu blog?
Parece bem óbvio, mas pensei nesse nome justamente por que queria mostrar meus pontos de vista e deixar as pessoas a vontade para mostrarem o seu. Mas as pessoas ainda são tímidas na internet para comentar. Não, melhor! São preguiçosas. Geralmente comenta quem também tem um blog.

9 - Qual o último blog que você visitou?
Sabe! Não sei bem. Deve ter sido o "Metendo o Bedelho", mas hoje visitei também "Diário de Bordo" e " Vide-o-Verso".

10 - Por que resolveu participar deste Memê?
Ora! Por que queria mais uma vez dar meus pontos de vista a respeito de ser um blogueiro. Não sei o que as pessoas pensam a respeito das minhas motivação para escrever aqui. Essa foi uma ótima oportunidade para exclarece-las!


Como faz parte do ritual, abaixo a lista das 6 pessoas a quem passo o Memê:

1 - O Blog da Bia: Bia Black Roses
2 - O Blog da Mary: Outro Blog da Mary
3 - O Blog da Luana: Lunaticidades (Pra apoiar o retorno dela)
4 - O Blog de Pedro Canto: Vide-o-Verso
5 - O Blog de Ricardo Moreira: Simulacro
6 - O Blog de Marcelo: Saco de Filó (e sem fundo)

É isso! Quero agradecer a Euzer Lopes pela indicação de meu blog. Valeu, rapaz!

terça-feira, março 18, 2008

Crash - No Limite e os Clichês

Crash - No Limite é sem dúvida um dos meus filmes prediletos. Para alguns não passa de um filme formulaico e cheios de clichês, julgando-o apenas pela forma e estrutura, sem analisar a importância destas para a idéia do filme. O que não se percebe em Crash é que a sua forma, uma estrutura narrativa composta por várias estórias e personagens que se chocam, possibilita mostrar com maior eficiência e sensibilidade a complexidade da natureza humana.

Crash - No Limite conta a estória de diversos personagens em várias tramas que se cruzam, tendo como fundo a cidade de Los Angeles. O filme retrata nessas várias estórias a posição defensiva que tomamos constantemente em nosso atual contexto de violência e medo, mas principalmente, mostra o que ocorre quando essas pessoas se chocam, e as diferenças tornam-se, além de um ponto fraco, um motivo de desconfiança e um potencializador do medo. No decorrer do filme, vemos estórias como a da mimada esposa de um importante promotor que, após um assalto, teme que o chaveiro que concerta a porta de sua casa tenha planos de roubá-la; e de um chaveiro que após ter uma difícil conversa com um Persa, que pouco fala inglês, acaba sendo mal compreendido; e de um Persa que julga ter sofrido preconceito, porém acusando a pessoa errada. E assim segue um conjunto de estórias em que suas reviravoltas nos revelam as contradições típicas do ser humano em uma realidade violenta e de constante tensão entre indivíduos.

Crash tem seu roteiro baseado nesse tipo estrutura já bastante explorada, e encontra em certos clichês formas de surpreender o público. Devido essas características narrativas, o filme foi um tanto incompreendido e, consequentemente, subestimado por alguns críticos e parte do público. A princípio, sempre estamos tentados a julgar a utilização de clichês, e ocorre que poucos tem a percepção de que a utilização destes não é algo condenável se for feito com cuidado, sensibilidade e evitando o maniqueísmo.

Se pararmos para pensar, antes de uma determinada cena, trama, fala ou reviravolta tornar-se um clichê, esta foi usada uma primeira vez e, provavelmente, como um elemento coerente ou importante ao roteiro onde foi incluso. Dessa forma, assim como a primeira vez que aquilo que hoje caracterizamos como clichê foi usado, em uma suposta quadragésima vez esse mesmo elemento poderia ter a mesma eficácia se utilizado da mesma forma, ou com a mesma precisão e sinceridade. A fraqueza do clichê reside na pobreza da utilização deste como mera forma de incluir esse elemento -já convencionado como bom ou como um elemento que funciona perante o grande público - a outros roteiros ou produções. Ou seja, se soa como clichê a estória de um jovem digno, respeitoso e que nos impreciona ao matar outra pessoa, esta mesma não soaria assim se, com a sensibilidade da direção e do roteiro, nela for desenvolvida cuidadosamente a complexidade e contrariedade do comportamento da personagem. E mais, essa estória não soaria também como clichê quando considerarmos o contexto ideológico e conceitual em que ela foi desenvolvida.

É exatamente o que acontece em Crash. O novato policial, interpretado por Ryan Phillippe, que durantes boa parte do longa nos mostra um comportamento averso a qualquer preconceito, em outro instante age preconceituosamente, chegando a matar um negro por pura insegurança e pré-julgamento. Nesse caso, o clichê foi perfeitamente encaixado como forma de solidificar e dar mais complexidade à questão do racismo (nesse exemplo, não declarado, o que por si só sinaliza uma contradição curiosa) e da constante defenciva à violência a qual nos encontramos atualmente, fortificada pelos medos, e estes, potencializados pelo preconceito (como uma pessoa sã, sentimos medo e evitamos nos colocar em situações de risco ou ser assaltados, mas esse medo pode ser potencializado quando um negro mal vestido atravessa a rua). Além disso, a estória desse personagem marca um belo contraponto a estória do personagem de Matt Dilon, que em um primeiro momento, tem atitudes racistas, e em outro, arrisca a própria vida para salvar uma negra que havia submetido a uma cruel humilhação. As contradições ressaltadas pela cena em questão e a catárse promovida por esta só enriquecem o filme, que já nos apresenta diversas formas de se agir preconceituosamente e como esse sentimento pode se manifestar. No entanto, nada disso seria feito sem uma direção delicada e sensível, assim como um roteiro muito bem elaborado.

Outro exemplo marcante de clichê em Crash - No Limite é a repetição de determinado evento: uma batida de carro, no início e no fim do longa. Da mesma forma como o intercruzamento das estórias é utilizado como forma de ressaltar o impacto e choque entre as diferenças hoje, já que, estes promovem as oportunidades ideais para estes eventos; as batidas de carros que abrem e fecham o filme são, além de um forma dinâmica de abrir e fechar a estória, uma maneira de representar o choque entre as váriedades (no filme, raciais). Esse tipo de repetição poderia soar pobremente caso fosse usado sem um propósito sólido e coerente, no entanto, para Crash, é mais um exemplo em que a forma complementa o conteúdo.

Percebe-se que existe uma preponderância muito forte, por uma maioria, em julgar clichês antes mesmo de se entender o funcionamentos destes e a forma como foram utilizados. Não sou nenhum defensor dos clichês, na maioria das vezes empobrecem e são mal utilizados por cineastas e roteiristas sem um menor talento. Mas com um mínimo de sensibilidade e precisão, este pode se tornar um trunfo, e é isso que Crash - No Limite faz. Aliás, arrisco-me a dizer que em Crash não há clichês, pois como disse, clichês são as formas (ou fórmulas) degradadas de elementos já tão repetidos na história do cinema, e se revigorados ou resignificados, não seria justo denominá-los ainda dessa forma.

segunda-feira, março 17, 2008

Sete Homens e um Destino

Posso ser condenado por ser um cinéfilo que escreveu as palavras a seguir, mas não posso deixar de falar das minhas reais impressões e grandes frustrações a respeito do clássico Sete Homens e um Destino. Lançado a quase cinquenta anos, Sete Homens e um Destino revelou-se um grande sucesso e um exemplar do gênero Faroeste. De lá para cá, o filme solidificou-se e tornou-se um clássico adimirado, imitado e homenagiado. Vou ser bastante direto: não sei o que é visto em Sete Homens e um Destino que o faça digno de tamanhos e calorosos elogios.

O filme narra a invasão e sequestro dos habitantes de um vilarejo mexicano por um bando de pistoleiros liderados pelo temido Calvera (Eli Wallach). Alguns moradores do vilarejo buscam a ajuda de dois pistoleiros desempregados, Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen), e mais cinco companheiros foras-da-lei para defendê-los de Calvera. Todos se dispões, na busca de aventura. A tentativa de solucionar a situação e libertar o povoado logo revela-se uma grande batalha pela salvação dos habitantes da pequena cidade.

Dirigido por John Stugers, Sete Homens e um Destino é sem dúvida um grandioso filme no que diz respeito aos atributos técnicos. Grandes e impressionantes cenários, trilha sonora marcante, uma fotografia que em certos momentos revela as enormes dificuldades na criação destas imagens, considerando a época em que foram produzidas, e a ousadia e beleza dos quadros e movimentos de câmera. E como resultado de toda a técnica e tecnologia empregada, as enormes e bem coreografadas batalhas e tiroteios são um espetáculo a parte, que nos fazem pensar como sempre foi grande o talento do cinema americano para as cenas de ação. O que mais impressiona, porém, é a capacidade que o roteiro, baseado no filme Os Setes Samurais, tem de abrir possibilidades a seu próprio favor (pela riqueza da própria premissa) e em quase nenhum momento, aproveitá-las. Perdendo tempo com detalhes pouco importantes, o roteiro decepciona ao desenvolver os seus personagens com certo maniqueísmo e unilateralidade, dedicando quase nada ao desenvolvimento destes, além de perder boa parte das oportunidades de tornar cada um dos heróis em figuras realmente interessantes e convincentes.

A limitação do roteiro é tão grande que, após sermos apresentados a cada uma das personagens, este passa a desenvolver apenas a trama principal, esquecendo completamente a abordagem das reações de cada personagem, assim como a dinâmica envolvendo os sete. No entanto, a maior falha reside na incapacidade que o roteirista Willian Roberts demonstra em tornar Calvera em um vilão mais humano e real, quando simplesmente abandona as razões que levaram este a cometer tais atos, deixando-as apenas como citações nos diálogos. Aliás, boa parte do filme acontece nos diálogos e comentário dos personagens, o que revela mais ainda a incapacidade do roteirista de transformar em fatos as suas idéias para o roteiro.

Como resultado, o filme possue um elenco sem muito o que fazer, investindo apenas em poses e nos trejeitos comuns aos personagens do gênero. E me adimiro como tão pouco feito por este elenco foi o suficiente para torná-lo quase que por inteiro em grandes estrelas dos filmes de ação nos anos seguinte. Sete Homens e um Destino é um filme que enche os olhos mas oferece uma aventura que pouco nos dá em termos de emoção (mais viceral) por simplesmente não investir no desenvolvimento das personagens e, consequentemente, em uma capacidade destes de criar empatia no público.

quarta-feira, março 12, 2008

Para Pedro sobre Lost


No último podcast da dupla de autores, Damon Lindelof e Calton Cuse, sobre as produções do seriedo Lost, estes responderam a seguinte pergunta feita por um fã sobre a série:

O que é e o que não é canônico para a série? Carlton diz que a série é o que estabelece as regras do que a trama trata mas cita os mobisódios e o vídeo da estação Orquídea (todos liberados através da internet) como parte desse processo também. Todo o restante como os ARGs (Lost Experience e o Find 815), livros e etc são apenas bônus que ajudam a curtir mais o universo da série. Carlton cita o livro Bad Twin como um exemplo disso ao afirmar que a história dele em si não tem nada a ver com a trama da série mas que ele ajuda a revelar que existe uma relação entre os Widmore e a Fundação Hanso. No fim, Cuse diz que para entender a série a única coisa que precisa ser vista de fato é a própria série ao que Lindelof brinca dizendo que as pessoas não precisam nem mesmo ouvir os podcasts oficiais.

Fonte: Dude! We are Lost