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sábado, maio 10, 2008

O Diário de Blindness

Blindness é o mais atual projeto cinematográfico do diretor brasileiro Fernando Meirelles, de parceiria Brasil-Canadá, no qual ele faz a adaptação da obra literária do famoso e premiado autor José Saramago. Intitulado em português como Ensaio sobre a Cegueira, Blindness é uma das grandes obras do autor, que conta a estória de uma terrível cegueira mundial. Após o momento em que um homem no meio do trânsito se descobre completamente cego, vemos a humanidade cair em uma verdadeira treva, na total cegueira que se alastra. Acompanhando a única mulher que não é afectada pela cegueira, a estória, então, passa a mostrar a humanidade mais voltado para si e para o que é humano, esquecendo das superficialidades da visão.

Infelizmente, nunca li um livro de Saramago e nem sou exatamente um fã de Fernando Meirelles, apesar de achar excelente os seus dois últimos longas. No entanto, estou muito motivado a ler o livro e assistir ao filme, e quem sabe, tornar-me um leitor fiel de Saramago. Como se não fosse um cinéfilo e me sentindo um tanto desisnformado, soube apenas a poucos dias a respeito do filme e do blog que Meirelles tem atualizado sobre a produção do longa.

Confesso que, se ainda não sou fã de Meirelles, estou a pouco de ser, pois tamanha é a curiosidade que tenho por seus projetos que li praticamente o O Diário de Blindness quase todo em um só dia. E aconselho a todos que gostam de cinema ou que experimentam a arte. Meirelles relata fatos e detalhes a respeito da produção e das filmagens em textos interessantíssimos e cheios de analogias retóricas e às vezes divertidas. Entre os vários relatos, há um sobre seu primeiro e tenso encontro com Saramago em um restaurante na Espanha, outro sobre as difculdades em filmar uma cena dramática e densa com Julianne Moore, em que a atriz teria que interpretar um momento difícil de sua personagem sem ter feito as cenas anteriores, importantes para que a ela pudesse chegar ao ápice dramático necessário; ou mesmo detalhes, como as oficinas para figurantes, já que estes estariam atuando sempre (como cegos). E surpreendi-me ao saber que os figurantes, caso recebessem intrunções do diretor, seriam promovidos a atores e teriam seus salários quintuplicados, devido as particularidades do trabalho destes, o que fez os produtores impedirem de todas as formas Meirelles de trocar qualquer palavra com os figurantes.

Enfim, são 15 posts interessantes pra quem gostaria de ficar um pouco por dentro dos detalhes técnicos e dificuldades de produção em longas. Como sempre minha intuíção dá um parecer a cerca de qualquer filme e geralmente acertando, nada mais justo do que esperar ansioso pelo filme. Estou providenciando o livro!

Vai ser interessante ver São Paulo sob cegueiras.

Trailer:



Impressões sobre o trailer: O elenco por si só já impressiona e quanto ao trabalho fotográfico, não sei se é apenas uma estilização do trailer, mas parece ter a iluminação um tanto estourada e uma composição visual interessante. Por mais que seja caótico, aparentar ser coerente a trama. Mas enfim, antes de entender a estória e ver na íntegra, qualquer afirmação pode ser equívoca.

sexta-feira, março 07, 2008

Por Que Divulgo o Blog?

Uma parcela das pessoas que costumam lêem o blog (sei que visitas acontecem, graças ao contador) recebem vez ou outra um e-mail no qual divulgo o que ando postando por aqui, no Ponto-de-Vista. Não sei bem o que as pessoas pensam a respeito disso, se funciona ou se isso não causa um efeito contrário. Digo "efeito contrário" porque meu maior objetivo com esse blog é, na verdade, abrir discussões sobre Cinema, Mídia e Arte em geral, assim como, utilizar um pouco desse abençoado espaço virtual que hoje todos podem ter; no entanto, fora eu e alguns outros, ninguém faz isso. Percebo que as pessoas, no domínio da internet, pouco fomentam discussões, não põem seus pontos de vista e muito menos discordam e contra-argumentam quando possuem a oportunidade. E quando se trata de cinema e arte, chega a ser frustrante.

Na UFMA, universidade ao qual sou graduando em Comunicação Social e que por obrigação deveria utilizar os potenciais e as vantagens do espaço virtual, pouco o faz em si tratando de aberturas de debates dentro desse espaço. E a respeito de cinema, esses debates são quase inexistentes no próprio plano presencial, logo, a internet, onde a possibilidade de argumentarmos e nos comunicarmos sem constragimento público está sempre escancarada, parece não ter a importência devida.

Se aproveitar um espaço virtual para abrir discussões já é algo incompreensivelmente difícil; analisar um filme, um produto cultural e artísticos, ou fatos da atualidade é algo praticamente impossível (a experiência me fez perceber dessa forma). O que não se percebe por aqueles que se julgam cinestas, cinéfilos ou amantes do cinema e da arte, é a importância de uma análise crítica e esmiuçada daquilo que prestigiamos ou assistimos. Ver ou sentir o que é bom ou ruím é relativamente fácil, mas buscar uma reflexão que nos faça entender o que nos incomoda e nos agrada, para então argumentarmos com propriedade, trata-se de um trabalho árduo de percepção e pouco fazemos para isso.

Hoje, salvo os cineclubes (estes mais assitem que analisam), não vejo espaço de discussão voltado para cinema em canto algum de uma universidade com potenciais de produção no setor. Fora que, um curso que tem por obrigação trabalhar conteúdos como análise de discursos e análise estética - ao mesmo tempo que deve evoluir na produção de audio-visuais - não possuir espaços dedicados a debates sobre cinema e tão pouco se ver presente nos "blogs da vida" de alguns poucos oriundos dessa universidade (mesmo quando estes a divulgam para o público de interesse) é algo que realmente não compreendo e me faz ter menos esperança ainda em um "deslanche" do pobre e inexpressivo cinema maranhense (tanto em produção quanto em público ativo e perceptivo).