segunda-feira, maio 19, 2008

Caso "Mídia na Isabella"

Dia 29 de março a "pequena Isabella" - assim que todos a chamam, com essa intimidade! - cai do sexto anda, sobre o gramado do prédio em que sua família mora. Não demorou muito para que os pais se tornassem os principais suspeitos e, com a mídia em uma cobertura desproporcional a importância do caso, essa história chamasse a atenção de todo o país.

Antes de qualquer coisa, não estou aqui para defender Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pois da mesma forma como evitei os culpar por não haver provas sufientes, evitei também eximi-los de qualquer suspeita. Eles são de fato fortes suspeitos. Esperei a "maré" baixar para dizer isso aqui, mas a postura da mídia nesse caso foi simplesmente ridícula. Ansiosos e cheios de equívocos, os meios de comunicação, argumentando fazerem seu trabalho, exploraram o máximo do que poderiam de um caso potencialmente chocante e que pudesse render boas audiências. As notícias, que a princípio eram informativas, passaram a ser meras repetições das mesmas versões, intercaladas por pequeninas novidades, quando estas não eram equívocas. Com as suspeitas do crime sobre os pais da vítima, o frenesi da mídia chegou ao seu ponto máximo. Não faltavam reportagens tendenciosas ou descuidadas que culpavam/queriam culpar o casal sem nem mesmo terem laudos investigativos liberados, e com a população já comovida, a apelação foi geral. Era comum matérias falsamente imparciais, em que o reporter ou apresentador chamavam o casal de suspeito, mas ao mesmo tempo, faziam acusações implícitas ou portavam-se descuidadamente por conta do desespero de comunicar as novidades antes de qualquer outro.

E o que tem de mais nessa história? Nada de novo. Casos como esse, de violência doméstica ocasionando em morte, é tão comum quanto os de bala perdida no Rio de Janeiro. Que é chocante e lamentável, não se pode negar - uma criança morre, mas não deveria ter sido encarado como se fosse uma notícia de tanta relevância social, afinal, o que isso acrescentou no fim? A população mal refletiu sobre a violência doméstica no Brasil, pois estava mais preocupada com a reviravolta da "trama". Houve um envolvimento tão profundo da população, constantemente bombardeada pelos insistentes noticiários, que víamos absurdos como pessoas aglomeradas em volta da casa da família Nardoni ou frente as delegacias que os suspeitos eram encaminhados pedindo justiça e acusando o casal; ou então as mais de cem mil mensagens enviadas para a mãe de Isabella, como se fossem íntimos desta, provando a superficialidade de algumas pessoas ou mesmo a incapacidade de analisarem os interesses da mídia nessa comoção. Mas claro, existem excessões.

Por que um apenas "possível assassinato" de uma criança por seus próprios pais causa tanto choque? Em uma família de classe baixa, não causaria mais que um abalo - isso se a imprensa desse importância ao caso - mas por si tratar de uma família de classe média a comoção estrapola, como se fossemos (sim, me incluo) intocáveis e cheios de direitos que um cidadão pobre não possui. Imagino Isabella como uma garotinha pobre no interior do Pará sendo assassinada pelos próprios pais, talvez nem saberiamos do caso e se soubéssemos, haveria uma indiferença lamentável àquelas pessoas. Até os pobres sentem mais facilidade de se identificarem com a classe média do que com a sua própria.

E se sempre desconfiei das notícias e agenda da Globo, dessa vez considero esta a mais sensata ao cobrir o caso. Sem abusar tanto quanto uma Record ou portais da internet, a Globo manteve o telespectador sempre informado sem abusar demais do potencial vendável dessas notícias, limitando a veiculá-las apenas em horários normais de seus telejornais.

Com mais de um mês, confesso que já não suportava matérias sobre o "Caso Isabella", e cada vez que um dos advogados de defesa fazia um pedido de habeas corpus, sentia uma vontade imensa de apedrejá-los e pedir justiça, não em nome de Isabella Nardoni, mas pela minha própria paz, pois cada pedido desses significava (infelizmente, ainda significa) uma nova remessa de matérias e notícias recapitulando toda a trama (trama? será uma novela?!). Já sei até quantos fios o assassino cortou na rede de proteção, antes de jogar Isabella pela janela. Mas sei que os advogados em nada tem a ver com essa quantidade de matérias, acredito que eles, ao contrários da mídia, estejam até fazendo um cuidadoso trabalho. Finalmente a maré baixou e espero imensamente que discussões como "invasões do MST à ferrovia da Vale" ou "a mal resolvida questão indígenas brasileira" sejam abertas pra valer. São bem mais relevantes.

sábado, maio 17, 2008

Recuperando Lost


Somethings Nice Back Home
No episódio, Juliet descobre que Jack está com apendicite e que necessita urgentemente fazer uma remoção cirúrgica do apêndice. Enquanto isso, Sawier, Claire e Miles retornam a praia para juntar-se aos outros sobreviventes. Centrado em Jack, o melhor do episódio fica mesmo com os flashforwards que, dessa vez, dedicam-se mais a desenvolver a relação de Jack e Kate (finalmente!) fora da ilha, assim como a forma com que o primeiro chegou a situação que vimos no último episódio da 3ª temporada. Com pequenas mas não desinteressantes revelações, Somethings Nice Back Home falha ao gastar tempo desnecessário com a cirurgia de Jack, pois, por já sabermos o bom estado de saúde futuro do personagem, pouca tensão é causada.

Já a caminhada de Sawier, Claire e Miles em nada acrescenta, a não ser a confirmação da morte de dois personagens e um acontecimento no fim do episódio que, tenho a impressão, ecoará até o fim da série. Um episódio lento, com poucos acontecimentos relevantes, mas que nos dar alguns detalhes interessantes da estória.


Cabin Fever

Um episódio fascinante e cheio de revelações, Cabin Fever nos leva a acompanhar o novo momento de Jonh Locke, o novo passo de sua jornada. Enquanto Locke, Ben e Hurley procuram a Cabana de Jacob em busca de instruções, Sayid e Desmond descobrem, com a chegada de Keame e sua tropa, que as intenções da equipe são as piores possíveis, restando a eles encontrarem uma solução para salvar as pessoas que estão na ilha de um possível massacre.

Crescendo em sua trama durante esse episódio, a tensão para os evento na série começam a subir, armando a estória para o final dessa temporada. Os flashbacks, dessa vez, são quase panorâmicos em relação a vida de Locke, mostrando-o desde seu nascimento, passando por alguns momento da infância e no colegial, até quando lutava por sua paralisia, para que entendamos completamente sua jornada e seu caráter "especial". Enquanto isso, no cargueiro presenciamos o retorno de Keame e também uma das melhores cenas do episódio, quando este tenta matar Michael três vezes sem êxito algum. (Proteção da ilha?! Quase certo.) Já Ben parece cada vez mais conformado com a importância de Locke nas atuais circunstância.

Culminando na cena em que Locke entra na cabana de Jacob, o episódio nos faz revelações surpreendentes, mas claro, com novas dúvidas bem mais intrigantes que o normal. O que Claire faz na cabana e por que tamanho conforto diante de situações tão confusas? Qual a relação de Cristian Sherppad com Jacob? E a mais intrigante de todas: O que será "mover a ilha"?

Uma cena curiosamente cômica em que Hurley divide um chocolate com Ben sem trocar uma palavra com este, agradou-me muito e me fez rir apenas pelas brilhantes atuações físicas destes.


There's No Place Like Home - Parte I



Um episódio extraordinário que me fez questionar como em tão pouco tempo pode-se fazer chorar, rir, temer e divertir-se. No Place Like Home é um episódio carregado, tenso, às vezes triste, outras engraçado, e marcado por vários momentos fundamentais na estória da série, tão fortemente desenvolvidos e explorados.

Esse é simplesmente o episódio em que vemos a chegada dos Oceanic's Six após o regate, reencontrando familiares, enfrentando a imprensa e tentando seguir a vida. A primeira cena é belíssima, dramática e "pesada", assim como todos os flashforwards que se seguem e outros momentos incríveis que nos mostram como Lost está em outra fase, não é mais uma série de mistérios e momentos casuais, e sim, de uma estória que ruma ao clímax, obrigando mistérios a serem revelados para que a trama prossiga adiante, portanto, para que o resgate de seis importantes personagens aconteça, é necessário que informações sejam liberadas ou que fatos aconteçam.

Com a chegada de Sayid a praia, os sobreviventes ficam sabendo das reais intensões da tropa de Keame e, com Jack e Sawier atrás do helicóptero, Sayid se ver na obrigação de buscá-los e tirá-los urgentemente da ilha. Enquanto isso, Locke, Ben e Hurley tentam entrar na escotilha Orquídea, já invadida por Keame. Os flashs nos mostram o futuro dos resgatados fora da ilha e o mais curioso de tudo é que, além de ser uma situação naturalmente dramática e traumatizante, o resgate destes parece ser marcado por precedentes terríveis, visíveis apenas pelo olhar das personagens, perdido em memórias desagradáveis e tristes. E se o elenco se mostra sempre competente, nesse momento os atores brilham em cenas certamente inspiradoras. Como descrever a excelência de Matthew Fox ao expressar o forte susto de Jack ao descobrir que Claire era sua irmã? (vi Jack ficar de todas as cores, como se o chão tivesse sumido para o personagem e este fosse tomado por um forte e contido pavor. Provavelmente lembrando o que deixou pra traz). Além desta, outras grandes revelações nos foram dadas, como completa versão falsa da queda do 815 e do resgate do Oceanic's Six, ou a explicação de como Michael saiu da ilha, narrada por ele com simplicidade. Vemos o reencontro de Sayid e Nadia, o desafiar de Sun em relação a seu pai, e um Ben, claro, sempre facinante. A temporada chega ao fim com uma grandiosa trama que nos faz pensar como essas seis pessoas ainda estarão juntas em tão pouco tempo.

O título, que soa irônico, acaba por ser o responsável pela reflexão a respeito de onde será o verdadeiro "lar" para essas pessoas. Tudo indica que as coisas mudaram para estes.

Viagens de minha Mente

Percebi que as nuvens inspiram minha criatividade. Olhando hoje para elas, dei-me conta de que quando era criança, eu as observava mais frequentemente e, como consequência ou não, possuia uma mente incrivelmente fértil. Hoje, ao contrário, busco idéias como quem procura uma agulha num palheiro, enquanto pouco observo o céu.

Trabalhando em setores que exigem tanta criativida, às vezes me questino quais são as melhores formas de cultivá-la. Se prestarmos atenção, as nuvens são como os enquadramentos de transição que nos levam de uma cena a outra de um filme, é como a câmera que olha para o céu e nos revela outro ambiente ao retornar. Mais ou menos assim as nuvens inspiram minha mente.

O cara que um dia inventou as expressões "caminhando nas nuvens" e "com a cabeça nas nuvens" definindo quem costuma agir como se estivesse pensando e imaginando constantemente, foi muito sensato ao perceber o céu como uma forma de abstração e um mundo de possibilidades.

Hoje olho para nuvens e penso, viajo, abstraio, tirando o maior número possível de idéias, carregadas com um toque fantástico. Cada um com sua técnica, essa é minha e funciona, tão imediata e eficaz. Para aqueles que buscam por boas idéias, pode parecer bobo, mas indico: Olhe para as nuvens. O céu é o limite.

sábado, maio 10, 2008

O Diário de Blindness

Blindness é o mais atual projeto cinematográfico do diretor brasileiro Fernando Meirelles, de parceiria Brasil-Canadá, no qual ele faz a adaptação da obra literária do famoso e premiado autor José Saramago. Intitulado em português como Ensaio sobre a Cegueira, Blindness é uma das grandes obras do autor, que conta a estória de uma terrível cegueira mundial. Após o momento em que um homem no meio do trânsito se descobre completamente cego, vemos a humanidade cair em uma verdadeira treva, na total cegueira que se alastra. Acompanhando a única mulher que não é afectada pela cegueira, a estória, então, passa a mostrar a humanidade mais voltado para si e para o que é humano, esquecendo das superficialidades da visão.

Infelizmente, nunca li um livro de Saramago e nem sou exatamente um fã de Fernando Meirelles, apesar de achar excelente os seus dois últimos longas. No entanto, estou muito motivado a ler o livro e assistir ao filme, e quem sabe, tornar-me um leitor fiel de Saramago. Como se não fosse um cinéfilo e me sentindo um tanto desisnformado, soube apenas a poucos dias a respeito do filme e do blog que Meirelles tem atualizado sobre a produção do longa.

Confesso que, se ainda não sou fã de Meirelles, estou a pouco de ser, pois tamanha é a curiosidade que tenho por seus projetos que li praticamente o O Diário de Blindness quase todo em um só dia. E aconselho a todos que gostam de cinema ou que experimentam a arte. Meirelles relata fatos e detalhes a respeito da produção e das filmagens em textos interessantíssimos e cheios de analogias retóricas e às vezes divertidas. Entre os vários relatos, há um sobre seu primeiro e tenso encontro com Saramago em um restaurante na Espanha, outro sobre as difculdades em filmar uma cena dramática e densa com Julianne Moore, em que a atriz teria que interpretar um momento difícil de sua personagem sem ter feito as cenas anteriores, importantes para que a ela pudesse chegar ao ápice dramático necessário; ou mesmo detalhes, como as oficinas para figurantes, já que estes estariam atuando sempre (como cegos). E surpreendi-me ao saber que os figurantes, caso recebessem intrunções do diretor, seriam promovidos a atores e teriam seus salários quintuplicados, devido as particularidades do trabalho destes, o que fez os produtores impedirem de todas as formas Meirelles de trocar qualquer palavra com os figurantes.

Enfim, são 15 posts interessantes pra quem gostaria de ficar um pouco por dentro dos detalhes técnicos e dificuldades de produção em longas. Como sempre minha intuíção dá um parecer a cerca de qualquer filme e geralmente acertando, nada mais justo do que esperar ansioso pelo filme. Estou providenciando o livro!

Vai ser interessante ver São Paulo sob cegueiras.

Trailer:



Impressões sobre o trailer: O elenco por si só já impressiona e quanto ao trabalho fotográfico, não sei se é apenas uma estilização do trailer, mas parece ter a iluminação um tanto estourada e uma composição visual interessante. Por mais que seja caótico, aparentar ser coerente a trama. Mas enfim, antes de entender a estória e ver na íntegra, qualquer afirmação pode ser equívoca.

Recuperando Lost

Breves comentários sobre os episódios da 4ª temporada já exibidos na ABC:

The Other Woman

Infelizmente a personagem feminina mais facinante de Lost dessa vez teve um episódio decepcionante. The Other Woman falha ao tentar, em seus flashbacks, nos explicar a relação entre Ben e Juliet, algo que poderia ter sido desenvolvido de forma mais ágil e superficial. Artificial em vários aspectos, o episódio cria uma trama desnecessária e fraca envolvendo uma nova estação Dharma, apenas para movimentar os novos personagens do cargueiro e Juliet, que pouco haviam feito até então. Servindo apenas para desenvolver mais uma nova faceta de Benjamin Linus, The Other Woman nada de novo nos mostra além da obcessão do personagem em relação a Juliet, o que pode impedí-la de uma dia sair da ilha, e o intrigante vídeo que Ben mostra a Jonh Locke, que aliás, foram os donos dos melhores momentos do episódio. De resto, redundante, fraco e artificial.


Ji Yeon

Esse seria um bom episódio, não fosse a escolha dos roteiristas em criar desnecessariamente uma reviravolta, e o pior, da forma menos sincera possível. Centrado nos casal coreano, Ji Yeon mostra a tomada de consciência dos sobrevivente em relação aos objetivos do grupo do cargueiro, expondo a preocupação e urgência de um resgate para Sun, já que esta não tem mais que duas semanas como prazo para sair da ilha. Investindo numa narrativa "furada" para nos contar com impacto a morte de um dos personagens principais, o episódio só não é ruím por conta nos mostrar o clima tenso dentro do cargueiro, traçar uma relação entre as diferentes necessidades entre Sun e Rose em relação a ilha e, curiosamente, por nos surpreender novamente com as atitudes de Juliet.


Meet Kevin Jonhson

Centrado em (se quiser saber, selecione o espaço ao lado) -> Michael <-, Meet Kevin Johnson nos mostra a jornada do personagem após ter fugido da ilha. Como uma jornada paralela aos fatos vistos na terceira temporada, acompanhamos Kevin Jonhson em um único e longo flashback, descobrindo as desagradáveis consequências de seus atos no passados, quando ainda estava na ilha. Um ótimo episódio que cria um clima de urgência e prepara os eventos seguintes, além de, revelar um pouco da força que a ilha exerce sobre certas pessoas. Mas o melhor está reservado no final chocante e inesperado.


The Shape of Things to Come

Benjamin Linus é simplesmente um dos personagens mais facinantes dessa série. Em The Shape of Things to Come o vemos em seu mais delicado e vulnerável estado, o que é sempre facinante para um vilão (um conceito um tanto relativo em Lost). Começando com momentos incomuns em Lost, o episódio mostra a invasão do grupo do cargueiro à ilha na tentativa de sequetrar Ben, enquanto na praia, os sobreviventes tentam descobrir de quem é o corpo que surge no mar. Com revelações surpreendentes sobre a mitologia da série e reviravoltas que mudam quase por completo o cenário da estória de Lost, esse foi um episódio incrivelmente importante e cheio de informações em que a estória caminha a passos largos. Excelente episódio, que contribui e muito para que essa seja a melhor temporada da série.

sábado, maio 03, 2008

Filmes que Marcaram


Por um Sentido na Vida
(The Good Girl, EUA, 2002)
Por um Sentido na Vida foi, para mim, um desses filmes que marcam a pessoa por um tempo após a sessão, que deixam algo ou promovem uma inquietação íntima como poucos filmes fazem. Às vezes, essas experiências têm mais a ver com o estado pessoal do que com a capacidade que o próprio filme tem de afetar o público. Nesse caso, acredito que Por um Sentido na Vida tenha de fato essa capacidade, e foi lembrando do quanto o filme me fez refletir sobre minha própria vida que decidi criar esse espaço aqui no blog, no qual poderei a cada post citar um filme que tenha me provocado e instigado. Infelizmente, poucas, ou melhor, nenhuma pessoa que gosta ou não de cinema que eu conheça ou tenha contato assistiu ao filme, algo que me deixa frustrado, pois nunca pude discutí-lo. O pior de tudo, nunca mais o encontrei em minha cidade para locar ou comprar.

O filme narra a estória de Justine (Jennifer Aniston), uma balconista de uma loja de conveniências de uma pequena cidade no interior dos EUA. Casada com Phil (John C. Reilly), Justine é insatisfeita com a relação e a forma de amar de seu marido, sofrendo o tédio da falta de perspectiva em sua própria e deprimente vida. Com a chegada do jovem e deprimido Holden (Jake Gyllenhaal), o novo funcionária da loja de conveniências, Justine ganha novas e excitantes pespectivas ao relacionar-se com o jovem. O envolvimento torna-se uma complicada aventura, quebrando o tédio da vida de Justine. No entanto, os riscos da relacão obrigam-na a tomar a difícil decisão de, ou fugir com Holden, abandonando o marido; ou terminar o complicado relacionamento com o jovem e retornar para a vida tediosa, ao lado do marido, que de alguma forma, a ama.

A príncipio, nada novo. Porém, a forma como a trama foi desenvolvida pelo roteiro de Mike Write faz da estória um drama existencial cativante e sensível, que conta com ótimo personagens e conflitos, tratados com profunda humanidade e sinceridade. Da mesma forma, a direção de Miguel Arteta é delicada e eficiente ao utilizar os elementos visuais, as excelentes atuações e o próprio cenário triste e deprimente da cidade onde a estória se passa para nos levar ao mundo de Justine. Toda a monotomia da vida da personagem é expressa na fotografia pálida e triste, assim como pelos cenários de sua casa e da loja, que pela falta de uma vivacidade, nos remete a uma apatia deprimente.

Cômico, triste e humano, Por um Sentido na Vida trata do cotidiano simples de pessoas comuns que buscam um sentido para a vida. Um filme brilhate ao retratar a apatia e tristeza da vida de uma forma tão divertida e emocinante.

Como insentivo, assista ao trailer abaixo:

sexta-feira, abril 25, 2008

Found: Em Busca das Críticas Negativas de Lost

Enquanto dados do nono episódio da quarta temporada de Lost são transferidos ininterruptamente da rede para o meu computador, minha ansiedade de fã cresce, assim como uma curiosa vontade de entender até que ponto esse fanatismo me cega enquanto crítico, como várias vezes fui avisado a respeito disso. Decidi, então, me certificar da realidade de minha percepção a respeito de Lost e embarquei em uma jornada virtual em plena aurora de uma sexta-feira.

A questão era: Lost estaria tão ruím quanto algumas pessoas que me cercam dizer estar ou, na verdade, seria uma grande coincidência estar rodeado de pessoas que não gostam da série? Caso ela esteja realmente ruím, poderei de fato entender até que ponto a empatia que sinto pela série (já fora de um padrão normal) atrapalharia em um olhar mais crítico. Minha jornada então começou na busca pelas críticas mais negativas e ofencivas a série que eu acreditava não ter conhecimento, e que poderiam ser fatores de uma possível distorsão da realidade da série que eu pudesse estar sofrendo.

Então googlei. Comecei na busca por sites de "críticas de TV", que pra minha decepção, quase não existem em domínios brasileiros. Em seguida, busquei pela expressão básica "Lost" e pude encontra apenas umas poucas 486.000 páginas de respostas, que graças ao sucesso da série, tinha nas primeiras páginas justamente os links para os sites que comentavam a série. Entrei em diversas páginas, dezenas até, e pouco pude constatar, a não ser uma louca convenção geral de que a série é um "sucesso", simples assim.

Não satisfeito, busquei por "Lost decepiciona". Nada de novo me foi apresentado, a não ser sites que diziam: "Primeiro episódio da terceira temporada decepciona na audiência, mas ainda é a mais assistida no horário". Cansado de notícias sobre audiência ruím (falácias que não passam de um reflexo de popularidade), procurei por "Lost ruím" e encontro repetitivas afirmações de "sucesso" ou anúncios de "fotos sensuais de Evangeline Lilly". Sem desistir, procurei por "Lost péssimo", "Lost temporada fraca", "Lost cancelada", "Lost greve", "Lost não, Heroes sim", "Lost merda", "Lost pop". E o que eu encontro? Além da afirmação de que a série é um "sucesso", achei, em meio a 98% de afirmações de que a série é - novamente, "um sucesso" - "uma revolução da televisão", apenas algumas poucas críticas interessantes e negativas voltadas geralmente para episódios em específicos, como: "Lost tá cada dia pior, mas a nova trama apresentada no último episódio até que levantou fôlego", ou "Que episódio ruím, perto daquele outro bom"; ou o pior dos argumentos pra quem quer criticar uma série que se chama Lost: "Essa série só cria dúvidas na minha cabeça e nada de respostas". E para a irônia de tudo, em meio a minha jornada exaustiva em busca da crítica negativa, e sem muito sucesso, encontro uma crítica negativa de um blog chamado .Ponto-de-Vista., que detona um episódio mais que qualquer outra blog que eu tenha procurado no Google, isso, no GOOGLE.

Aliás, certifiquei-me de algo: os internautas criticam a série com cuidado e é comum encontrarmos afirmações como: "Às vezes Lost me desanima..." sucedido por um "... mas não decepciona" ou "Os últimos episódios estavam tão fracos... mas esse último mostra Lost novamente"; sem grandes argumentos, sem postura, e críticas destrutivas que morrem no episódio seguinte, quando não, no season finale.

Busca frustrada, que pelo menos resultou em um alívio por saber que a minha percepção da série, mesmo sendo um fã bobo e apaixonado, é sensata como a de poucos que pude encontrar no google, além, claro, de constatar que a série não é ruím como andam falando. Desta busca, pude pelo menos conhecer diversos sites de críticas e informações de TV que frequentarei com constâncias. Acredito que minha razão fique por cima da minha paixão, afinal, não exito em criticar Lost quando devo ou quando me desagrada, da mesma forma como não me entrego ao deleite de criticar outras séries ou de negar-lhes os elogios merecidos, como CSI ou 24 Horas, que possuem um modo particular e um tanto eletrizante demais de contar suas estórias, algo que não me agrada muito. Prefiro personagens, por isso, prefiro Lost.

Mas eu percebi uma coisa, das próximas vezes serei fã de uma coisa menos popular e conhecida. As pessoas tendem a associar popularidade a produtos ruíns. É o que eu sempre falo por aqui, preconceito artístico!

quarta-feira, abril 23, 2008

O Padre Voador está Lost


O teor cômico dessa história é inegável. O padre simplesmente, e na melhor das intenções, se amarrou a 1.000 balões e seguiu sua arriscada jornada, portando um GPS, que logo descobriria não saber como funciona. Por que alguém se submeteria a isso de forma tão precipitada? Antes de ver essa imagem, não havia rido em nenhum instante ouvindo essa história, mas sabia da graça que se escondia por trás da tragédia; agora com essa imagem, como não rir? Não costumo me divertir com a tragédia alheia, mas um mínimo de distanciamento que tomamos em relação ao padre é o suficiente pra tornar tudo engraçado. Um pé na tragédio e outro na comédia!

Lamentável, trágico e triste, mas inevitavelmente cômico. Balões de aniversário, nenhum colete salva-vidas, mal tempo, ausência de equipe de apóio, GPS sem intruções... como esse plano perfeito foi dar errado?!

Filmes que Assisti


Notas Sobre um Escândalo


Há alguns dias, assisti a esse filme pelo TV (legendado, graças à TV a cabo) e, sem muito me surpreender com as facinates interpretações de Judi Dench e Cate Blanchett, fiquei estranhamente vidrado naquela verdadeira montanha-russa emocional. Poucos filmes conseguem mater um ritmo tão constante, com tamanha tensão e intensidade.

Contando a estória de uma professora que tem a sua vida profissional e pessoal abalada pela acusação de ter mantido relações sexuais com um aluno de 16 anos, o filme nos apresenta a uma dinâmica interessante entre personagens, e nessas complexas relações, um estudo incrível destes. Sou um simpatizante completo de estória rápida, velozes, cheias de reviravoltas e tensões provindas de conflitos entre as personagens; e é exatamente isso que Notas Sobre um Escândalo nos oferece. Indico, indico!


X-Men: O Confronto Final

Quando o primeiro filme da saga dos mutantes lançou, de certa forma foi marcada uma transição na forma de tratamento dos atuais filmes de ação. O padrão "a là Batman" de adaptação das estória em quadrinho era abandonado em prol de estórias mais complexas, com personagens profundos e razoavelmente trágicos em seus destinos. A era dos heróis trágicos e complexos.

No entanto, mesmo com uma mudança significativa dos heróis de ação de hoje e suas estórias, X-Men continua com o posto de melhor adaptação de HQ's para o cinema, como um marco da mudança para o novo tempo em que a industria tende a prender seu público através de estórias menos rasteiras.

O Confronto Final fecha a trilogia da melhor forma possível, arcando a todo custo (inclusive com a vida de personagens importantes) com as consequências da trama desenvolvida nos dois filmes anteriores e pelos primeiros minutos do último episódio. Complexo, trágico e provido de um interessante subtexto, o terceiro filme dos X-Men's traça com mais força o paralelo entre os conflitos homem/mutante e a nossa sociedade aversa às diferenças.

terça-feira, abril 01, 2008

Desabafo

Ao visitar o blog Calango Net News, li um post chamado O Circo dos Horrores que comentava sobre a situação deplorável do Congresso Nacional, com seus escândalos, baixarias e casos de corrupção que não acabam nunca. De alguma forma, o texto escrito pelo autor não-identificado me trouxe uma série de reflexões nada novas a respeito dessa situação. Quando decidi comentar, o que era pra ser uma breve opinião, tornou-se em um longo comentário escrito quase que ininterruptamente e como se fosse um desabafo. E sendo assim, nada mais justo que postá-lo no meu próprio blog. E a resposta ao post foi a seguinte:


Sério! Esse é um problema cultural diretamente relacionado à educação. O brasileiro sempre se viu na corda bamba, sempre se viu obrigado a achar o jeitinho brasileiro. E o que é o jeitinho brasileiro? Teoricamente, uma forma desrespeitosa de buscarmos um modo de sobreviver e ultrapassar as dificuldades, infringindo leis e trapaceando. O brasileiro, de romântico, não tem quase nada, mas de cínico, praticamente tudo. A convenção de que devemos driblar as regras para sobreviver é tão grande e cara de pau, que qualquer sinal de sentimentalismo, romantico ou não, nacionalista ou não, que possa nos fazer pensar no próximo ou no coletivo, parece vergonhoso.

O pobre se ver no direito de trapacear com seu jeitinho brasileiro. O rico se ver igualmente no direito de, às escondidas, infrigir leis. Por que seria diferente se a educação cultural no fim é praticamente a mesma? Ninguém é vilão... somos todos mal acostumados. Mal acostumados a morrer de fome enquanto buscamos uma forma justa de sobreviver. Sem romantismo, isso é impossível. Mal acostumados a pensar no próximo enquanto queremos acumular fortuna ou sentí-la mais sólida quando nossas inseguranças e neuroses sempre dizem que o que temos não é o suficiente ou quando somos seduzidos cada dia mais pelo "ter" e pela publicidade.

Quem é o vilão? O congresso, com seus exemplares de pessoas egoístas ou de mazelas brasileiras potencializadas pelo poder? Seria o pobre, que fura a fila do SUS ou burlar algum sistema pra sobreviver sem ao menos lembrar do outro pobre que ficou pra trás? Como brasileiros, somos todos egoístas. Mas você me pergunta: "Por que pensar no outro se, caso a situação fosse inversa, o outro não pensaria em mim?". Esse é o cúmulo de uma mizerável convenção.

Nosso tão estimado calor humano e abraço, em certos momentos, não passam de superficialidades. Nossa proximidade uns dos outros e facilidade de relacionar-se, à vezes, revela o elo fraco que temos entre nós, e quando caímos no mais puro individualismo, isso fica mais que comprovado. Poucos são os brasileiros que pensam em outros brasileiros, e esses, são românticos, idealistas e quase extintos. Se no mundo o homem passa por um processo de individualisação, no Brasil, então já somos individualistas, mas da forma tipicamente brasileira, ou seja, fingindo sermos próximos, achegados, caridosos e carinhosos. Pessimismo? Não. O que acontece no "circo dos horrores", o Congresso, é a maior prova da desventura do brasileiro enquanto cidadão, e esse é o reflexo ou a maior divulgação de nosso comportamentos.

Da mesma forma que o brasileiro baixinho e jogador de futebol se viu obrigado a desenvolver dribles mirabolantes para ultrapassar os altos jogadores europeus, fomos também educados pela nossa própria história a ser assim, "dribleiros", infratores de nossas próprias leis e, consequentemente, problemáticos com nossa baixa auto-estima, que está direta ou indiretamente ligada com as nossas atitudes, ou talvez seja resultado de um pouco de culpa que sentimos pelos nossos atos. A verdade é que, de modo geral, só a educação para nos salvar, não só o Brasil, mas o mundo que anda invertido em seus valores. Só a educação para nos tornar conscientes de nossas próprias mazelas, e para o Brasil falta muito. Muito além do consciente e inconsciente do brasileiro, a educação deve mudar o inconsciente coletivo, em um processo a longuíssimo prazo. Pena que não começamos ainda!