quarta-feira, janeiro 23, 2008

Homenagem à Lost: O Acidente Aéreo

Faltam apenas 9 dias para a estréia da 4ª temporada de Lost. Como todo e qualquer fã da série, estou contando os dias e me contendo para não ler spoilers.

No vídeo abaixo, mais uma homenagem a série, que mostra de forma sincronizada, o acidente aéreo que dá início a estória. No decorrer das temporadas, esse, que é o maior evento da série, foi explorado de diversas forma afim de nos mostrar as várias perspectivas e consequências do traumático acidente na vida das personagens.

Vai aí, uma edição muito bem feita por um desses fãs malucos de Lost que encontramos pela internet.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Quem Assistiu Sinais?

Na última quarta-feira fiz um programa não muito comum: assisti a um filme pela tv aberta, com direito a dublagens constrangedoras, intervalos inconvenientes e cortes imperdoáveis. Desde quando assumi uma rotina relativamente pesado, meio que me sinto na obrigação de ligar a tv e relaxar. O resultado! Assisti nos últimos meses a uns 4 ou 5 filmes em tv aberta, e já me sinto preso nas tramas da "novela das oito".

No entanto, o último filme que assisti não só digo que sofreu todas as alterações que acabei de comentar, mas que mesmo nessa circunstância, foi uma experiência bem interessante. Quem assistiu a Sinais?

O filme dirigido por M. Night Shyamalan, como todos do mesmo diretor, possui um suspense quase insuportável e lembro que a primeira vez que o assisti não pude descançar ou sentir-me confortável um só momento na poltrona do cinema. Nada contra as poltronas do cinema, o motivo mesmo de meu incômodo era de fato o filme. Shyamalan consegue manter um clima de suspense constante que mais tem a ver com o rítmo empregado durante todo o longa do que com uma cena isolademente que ele trabalhe. Desde a primeira sequência, somos atentados de que algo ruím está para acontecer, e mesmo que o longa dedique bom tempo no desenvolvimento das personagens, algo que em geral é ótimo, fica suspensa no ar uma sensação temerosa pelo destino destes.

Em Sinais (2002, EUA), somos apresentados a estória de Grahan Hess (Mel Gibson), um ex-padre que perdeu a fé após sua mulher ter morrido atropelada por um carro. Vivendo em uma fazenda em uma pequena cidade junto com os dois filhos e o irmão caçula, Granhan e sua família são surpreendidos com o surgimento de enormes sinais nas plantações, que eles descobrem ter aparecido também em várias partes do mundo, sugerindo uma intervenção alienígena na Terra. Enquanto Grahan procura entender a situação, tenta proteger a família e lidar com a perda de sua fé.

E em si tratando do elemento ameaçador da estória, M. Night Shyamalan desenvolve-o de forma eficiente, mostrando pequenos sinais de que uma suposta invasão alienígena está para acontecer. E se o termo usado (invasão alienígena) parece bobo, o mesmo não acontece no tratamento dado aos fatos acorridos no filme. Das grandes marcas nas plantações e atitudes agressivas dos animais, aos relatos misteriosos da presença de pessoas estranhas em uma pacata cidade, temos um ambientação mórbida sendo construída durante a primeira hora do longa. Vale ressaltar que mesmo com um rítmo lento e cenas silenciosas, algo que diferencia Sinais dos outros filmes do gênero, o filme não perde o equilíbrio e a tensão, e muito menos deixa o telespectador dispersar.

Na cena, em específico, em que Grahan Hess olha pela janela do quarto da filha uma criatura em cima do telhado de sua casa durante a noite, logo nossa primeira intuíção de que seja uma criatura alienígena é desfeita quando os personagens deduzem de imediato que seja uma brincadeira de mal gosto dos jovens vizinhos. E essa dúvida entre o caráter alienígena ou não dos fatos sustenta boa parte do suspense, além de tornar mais convincente o conflito existente de Grahan quanto a sua fé.

E tornando mais a estória em uma experiência mais dolorosa, ainda temos que suportar a fragilidades da família de Grahan, que após ter perdido a esposa, ele e sua família vivem num constante ambiente melancólico e apático, muito bem representado pelos enquadramentos, assim como pelas atuações e expressões dos atores. E se uma invasão alienígena muito bem relatada é algo que cria um forte suspense, quando assistimos isso pelos olhos de uma frágil e sensível família liderada por um ex-padre magoado e em conflito com a própria fé, nós, enquanto telespectadores, ficamos vulneráveis e sem um elemento de alívio para nos agarramos. Talvez o único alívio que exista seja o cômico, pois Shyamalan consegue tirar alguns momentos engraçados da própria manifestação de medo das personagens.


Quanto ao suspense, Sinais não falha e vai longe até na trilha sonora. No entanto, o filme, que mostra uma invasão alienígena pelo olhar de uma família em pesar, foi bastante criticado em suas conclusões. Depois que Grahan perdeu sua mulher em um acidente de carro, ele abandona a própria fé; vemos então, em boa parte do filme, argumentos que se opõem ao dogmatismo, e a própria existencia alienígena é algo que, quando comprovada, por si só desfaz os argumentos religiosos. Da mesma forma, a suspeita de que esteja ocorrendo uma invasão alienígena fundamenta mais ainda o ceticísmo de Grahan e nos faz pensar, enquanto telespectadores, se realmente pode existir um deus em circuntâncias contrárias àquilo que nossa religião diz. Tornando a questão um pouco mais complexa, o personagem irmão de Grahan, Merrill Hess (Joaquin Phoenix), afirma em determinado momento que tudo aquilo que ocorre possa, na verdade, ser um milagre e que a diferença dos que tem fé e os que não tem está na forma como a situação é encarada.

Enquanto o filme não nos dá respostas e trabalha o suspense da família em meio a essas questões está tudo muito bom, mas a conclusão escolhida por Shyamalan, que é o próprio roteirista de Sinais, é um tanto covarde e instaura certo alívio onde se poderia encerrar com algo que refletisse o sentido da atitude de se ter fé. Após um suspense incrível na cena que se passa no porão da casa, ficamos sabendo que simplesmente os alienígenas foram embora, pois descobriu-se que a água era uma substância nociva às criaturas. Não sou contra anti-clímax, mas nesse caso concordo com as críticas de que faltou uma exploração maior das criaturas na estória para que elas não parecessem meros motivos para cenas de suspense, e se assim fosse feito, haveriam momentos de maior catarse que refletiriam as questões dogmatismo/ceticismo.

Mas o alívio da conclusão fica mesmo por conta da sugestão (ou mesmo afirmação) de que tudo aquilo foi uma espécie de plano, de milagre, que nada é por acaso; até uma invasão alienígena! E isso é feito como forma de comprovar ao telespectador a existência divina. Mas me digam, se a fé é algo que se sente independentemente da comprovação, ter que ao final do filme mostrar que tudo é um milagre não me parece uma mensagem de fé, pois... a fé vive sem comprovação. Pelo ao menos assim penso.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

O Que Vem Por Ai...

Considero o ano de 2007 fraco cinematograficamente. Ainda é cedo para fazer uma análise mais justa, pois a melhor temporada de lançamentos do ano é entre dezembro e março. Poucas produções me agradaram ou foram interessantes, mas isso é muito relativo. O cinema brasileiro, por exemplo, saiu-se muito bem, e produções como Saneamento Básico, Tropa de Elite e Batismo de Sangue marcaram e enfatizaram uma das características mais marcantes do cinema nacional: a diversidade, tanto em estilos quanto em estéticas.

Desde quando me tornei um viciado em cinema - quando tinha uns 13 anos e esperava ansiosamente pelo lançamento de Jurassic Park 3 (Bons tempos!) - parte do meu facínio era pesquisar sobre as produções em andamento, descobrir quem estava sendo escalado como diretor, ator e assistir aos trailers em primeiríssima mão. Isso me rendia uma espectativa louca pelas estréias e, consequentemente, um envolvimento maior com o filme e a estória ao assistir-lo. Apesar de não dedicar mais tanto tempo ao hobbie, esperar ansiosamente pelos Blockbusters e ao mesmo tempo, ficar surpreso com os repentinos lançamentos dos quase sempre ótimos filmes independentes, ainda é a melhor equação de apreciação da 7ª arte. Voltando ao bom e velho hábito de pesquisar as produções em andamentos, pude ter uma visão do que vem por ai em 2008, e estou um tanto ótimista e empolgado. Coisas bem interessantes estão sendo produzidas.



Para 2008:

Cloverfield - Monstro: Uma produção de J. J. Abrams que surpreende e impacta só pelo trailer. O filme narra com imprecionante realismo a invasão de uma criatura gigantesca à Nova York enquanto alguns jovens fazem uma festa num apartamento. O filme é todo narrado através da da câmera digital dos jovens. Tenho fortes expectativas para esse filme, e vendo o trailer, percebi certa inspiração no visual sombrio e perturbador de "Irreversível". É de deixar qualquer um curioso!

Caroline: Pra uma animação, e estória é aparentemente bem intensa - A família de Coraline se muda para uma casa enorme, com várias portas. A última delas está sempre trancada, até que a garota consegue abri-la e se depara com outro apartamento. Mas os adultos de lá a querem como filha e tentam prendê-la.

Dragon Ball Z: Não fui fã do anime. Assisti impacientemente a pequenas partes, mas confesso que em linguagem cinematográfica, pode ser algo interessante, levando-se em conta o tamanho absurdo dos poderes dos personagens. A participação de Emmy Rossum já me agrada, mas a listagem do filme aqui é somente pela curiosidade. - A história do guerreiro Goku, que descobre ser um humanóide enviado à Terra para destruir a população, mas, em vez disso, escolhe protegê-la de um ataque alienígena que se aproxima.

James Bond 22: Esse sempre causa expectativa.

The Dark Knight: Essa nova série do Batman é excelente. Não lembra em nada a cafonice decalcada dos quadrinhos que vimos na série anterior. O melhor de tudo é esperar para ver o sinistro Coringa de Heath Ledger.

Jogos do Poder: Cinebiografia do ex-congressista americano Charlie Wilson, que, nos anos 1980, foi alvo de um escândalo após ser encontrado cheirando cocaína numa banheira com duas dançarinas, em Las Vegas - Filme de Mike Nichols, com Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman. Com certeza, algo tão bom quanto Closer-Perto Demais.

4ª Temporada de Lost: Ok! Lost não é filme, mas não poderia estar mais empolgado pra ver a 4ª temporada da série, que tem início dia 31 de janeiro.


Para os ano seguintes:

O Hobbit: Com apenas a produção executiva de Peter Jackson, os dois filmes ainda não possuem diretor, mas a MGM tem pretenções tão grandes quanto a New Line em recriar a magnitude de O Senhor dos Aneis no prólogo da trilogia. Torço para que Afonso Cuarón assuma a produção!

O Poderoso Chefão 4: Vai sair do papel. Finalmente!

X-Men Origins - Wolverine: Em 2009, a estória de Wolverine vai complementar a trilogia que, pra mim, é a melhor baseada em quadrinhos.


Esses são apenas alguns dos filmes. Em breve, voltarei a falar do que está sendo produzido.

sábado, dezembro 29, 2007

Lost: O Começo Do Fim

E para aqueles que acompanham Lost, o trailer da 4ª temporada.

Tradução do texto em off:
"Em 22 de setembro de 2004... o vôo Oceanic 815 desapareceu. Em 31 de janeiro de 2008... os desaparecidos... serão encontrados. Alguns deixarão a ilha... alguns não. Descubra você mesmo... em Lost - O retorno".



Tradução das falas dos personagens:

- Kate: "Está acontecendo. Nós vamos sair dessa ilha!"

- Sun: "Eu não acredito que terei meu bebê em um hospital!"

- Hurley: "Quando formos resgatados, e eu voltar, eu estarei livre"

- Desmond: "Não podemos deixá-los ter contato com o barco! As pessoas que estão nele não são quem dizem ser!"

- Faraday, personagem de Jeremy Davies: "Resgatar seu pessoal... Eu não não posso dizer que seja nosso primeiro objetivo". E
Jack pergunta: "Então, qual é ele?"

- Locke: "Seja por que eles estão aqui, não é"

- Ben: "Cada pessoa desta ilha irá ser morta"

- Sawyer: "E eu pensando que conseguiria uma boa noite de sono"

- Locke: "Há um traidor no meio"

- Jack para Sayid, que o segura: "Me deixe!

- Hurley: "Socorro! Socorro!"

- Miles, personagem de Ken Leung: "Você quer saber por que estamos aqui? Eu te digo por que estamos aqui!"

- Ben: "Vocês realmente não têm chance"

- Alex: "Não!"

- Locke: "Adeus, Benjamin"

- Locke: "Não temos tempo. Se vocês querem viver, devem vir comigo"

- Kate para Sawyer: "O que você está fazendo?". A resposta dele: "O mesmo que sempre fiz, Kate: sobrevivendo"

- Jack: "Nós cometemos um erro"

- Jack: "Não não devíamos viver. Nós temos que voltar para a ilha, Kate. Nós temos que voltar!"

Fonte: Blog Lost in Lost

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Mera Coincidência: o Achado e o Filme

Há alguns dias, olhando arquivos antigos no meu e-mail, encontrei aquela que pode ser minha primeira resenha sobre um filme. Lembro que foi um trabalho de uma cadeira eletiva do curso de Comunicação Social, ainda no 3º período. O texto é uma análise mais voltada pra questão da comunicação massiva, tema ao qual o filme é centrado. Confesso que revisitando esse texto, percebi que a minha análise de Mera Coincidência ficou limitada a apenas alguns aspectos do filme, além de possuir alguns equívocos sobre o entendimento e conclusões um tanto superficiais e simplistas a respeito dos meios de comunicação, mas nada que não fosse comum para a época.
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Em alguns momentos do filme Mera Coincidência, o personagem interpretado por Robert De Niro, Conrad Bean, afirma: “É verdade, passou na TV”, ora com verdade e passividade, ora com ar de deboche. A frase se torna quase emblemática e traduz toda a trama.

Uma comédia inteligente e atual, Mera Coincidência conta a estória de um presidente norte-americano que pouco antes das eleições ao qual é candidato para se reeleger, envolve-se num escândalo sexual; o que já traz ao filme aspirações a referenciais políticos do país. Determinado a mudar a opinião pública já afetada, o presidente contrata um produtor hollywoodiano interpretado por Dustin Hoffman. Normalmente excêntrico para sua profissão e com ganância de prestigio, ele cria através da inquestionável mídia, uma fictícia guerra na Albânia, em que o atual governo dos E.U.A. se encarregaria de acabar. Apostando em situações absurdas como forma de dar ênfase ao poder da mídia e mais especialmente à televisão, o filme nos alerta a uma realidade assustadora, possível e invisível.

Assim como no filme, a relação dos meios de comunicação com a política é profunda. Usada como meio de dominação ideológico, autopromoção, determinação de hegemonia e como forma de permanência no poder por políticos e seus grupos oligárquicos ou partidários, a televisão e todos os outros meios de comunicação, terminaram por deturpar a realidade mediante os interesses políticos dos que estão por traz da mídia.

Se em Mera Coincidência o presidente dos Estados Unidos através da televisão se passa por herói ao construir uma guerra em que poria fim, o mesmo ocorre na realidade tanto em âmbito mundial como local, sem que precisássemos sair do Maranhão para constatar isso. O Estado em que quase todas as notícias perpassam pelas ideologias das empresas de comunicação no qual foram divulgadas, sofre em si, uma verdadeira guerra política, pelo simples fato de todos os veículos de informação terem um partidarismo assumido.

Já a figura do produtor de cinema Stanley Motss, é a simbologia do poder do cinema norte-americano que cria e dissemina ideologias nacionalistas quase imperceptíveis ao grande público mundial, naturalizando os costumes e a cultura particular deles em outros países, ao mesmo tempo em que lesa e reduz a estereótipos, outras culturas e povos.

Tendo sua função mal compreendida por aqueles que usufruem de seus produtos de modo errado, diga-se de passagem, e seus objetivos deturpados por aqueles que almejam o poder; os meios de comunicação massivos tornaram-se, por um lado, instituíções problemáticas para a própria sociedade. No Brasil, onde a maioria não tem instrução e educação suficiente para se portar como um receptor crítico e consciente, deveria-se investir em uma educação da população para em seguida retirar as concessões dos meios de comunicação de posse dos políticos e promover uma verdadeira democratização destes. Afinal, a população consciente do que recebe, fará comunicadores conscientes do que enviam. Nessa relação, a mudança é inexorável.

sábado, novembro 17, 2007

Homenagem a 'Lost': Primeiríssima Cena da Série

Aumentem o som do computador, maximezem a tela do 'YouTube' e assitam aos 9 minutos e 59 segundos da primeiríssima cena da série Lost, que se consagrou na sua primeira exibição. Essa é uma homenagem que faço a série que sou declaradamente fã.

Para os que nunca assistiram, é uma boa oportunidade de conhecer a obra. Para os que já conhecem, não preciso falar, eles já sabem o quanto vale a pena assitir mais uma vez.

O mais incrível dessa cena é que ela mostra como 'Lost' é uma idéia sólida. Da concepção sonora aos personagens, essa primeira cena deixa claro na excelência de seus elementos, pra que que a série veio.

É carregar e assistir!


sexta-feira, novembro 16, 2007

Estação Cinema

Desde a última semana, faço parte do programa Estação Cinema na Rádio Universidade FM. Não preciso nem dizer que se trata de uma experiência interessante poder unir o que estou aprendendo sobre rádio com o gosto (amor mesmo) que tenho pelo cinema.

Convido-os a escutar o programa, toda quinta-feira às 17h50, com reprise nas sextas-feiras às 9hs, e inédito também nos sábados às 9hs, reprisando às 18hs.

Para escutar a Rádio Universidade Fm - 106,9, via internet, basta acessar o link:

www.universidadefm.ufma.br

Os Estúdios Vendem ou Não Vendem?


Descobrir uma forma de controlar mídias como a internet e o celular ainda é uma tarefa árdua. Vídeos, audios e produtos culturais em geral são partilhados e agora verdadeiramente democartizados através da internet. É uma grande confusão onde não se sabe mais a quem uma obra ou propriedade intelectual pertence e de que forma o dono vai ganhar em cima dela.

No meio de toda essa confusão, os roteiristas de Hollywood resolveram entrar em greve defendendo o seus direitos em cima do que produzem, ou seja, recebendo a parte que lhes é de direito pela comercialização de seus produtos na internet. A questão reside no fato de que os Estúdios de maneira nenhuma afirmam que ganham ou lucram ao diponibilizar séries, filmes e músicas para downloas.

Séries de Tv, hoje, são vendidas pelos sites das empresas que a produzem e quando não, são exibidas ao lado de propagandas que foram pagas para estarem lá. Na mesquinharia dos Estúdios, isso não é lucrar e muito menos deve ser compartilhado com os profissionais que idealizam o produto e são a base da indústria. É como dizer que a Tv Aberta não ganha pela transmissão gratuita de sua programação.

Na minha opinião, os Estúdios se fingem de prejudicados enquanto desenvolvem e descobrem formas mais lucrativas de comercialização dentro desse novo sistema de mídia, e omitir a perspectiva de sucesso e os experimento por eles feitos, é uma boa estratégia para sair lucrando enquanto todos pensamos que estão desolados. A verdade é que uma grande discussão deve ser aberta, e já está sendo. Definir o que é vendido e comercializado na internet é fundamental. Já é de conhecimento que a internet, a princípio uma grande inimiga, se revela agora uma aliada na venda desses produtos culturais. E hoje, vender DVD's, CD's ou Bilhetes de Cinema já não é o investimento ideal, quando uma mudança inexorável nos meios de comunicação exigi uma nova forma de comercialização desses produtos, algo que ainda se encontra na escura sombra criada pela momentânea democracia da internet. Os Estúdios que se preparem, ano que vem será a vez dos diretores e atores.

The Bubble

É interessante como entre os últimos grande filmes do gênero "romance", estão aqueles protagonizados por casais homossexuais. Ainda não entendi bem o que isso quer dizer dentro da arte cinematográfica, mas a sutileza com que os diretores trabalham essas estórias, além de diminuir o preconceito e naturalizar a relação entre pessoas do mesmo sexo, empolga e abre um leque de possibilidade a serem trabalhadas dentro desse gênero que já estava sendo esquecido.

The Bubble, no entanto, não se resume apenas a contar a estória de um casal homossexual, como em O Segredo de Brookback Mountain, mas leva a situação, já complexa pelo atual contexto de preconceito, a um nível mais intenso e polêmico. Ao contar a desventura de dois homens, um palestino e um israelense (inimigos por natureza histórica) que desenvolvem um romance em meio aos conflitos entre as duas nações - The Bubble vai além da polêmica pauta da diversidade sexual em meio a sociedade ainda hipócrita, e casa da melhor forma possível, dentro de uma estética limitada (algo que vou explicar mais a frente), essa temática com a questão do ódio entre dois povos.

Três jovens dividem um apartamento na cidade de Tel Aviv, em Israel. O balconista Noam, o gerente de café Yali e a vendedora Lulu, a única hétero do trio. A rotina dos personagens é abalada quando o palestino Ashraf chega a casa de Noam e inicia um namoro com este. O casal, com o tempo, sofre as consequências das questões políticas que envolvem as origens de cada um.

The Bubble tem início mostrando as tensões existentes entre os dois povos no cenário, talvez, mais representativo, que é a fronteira entre os dois países. Enquanto uma mulher palestina grávida entra em trabalho de parto e é encarada friamente pelos militares israelenses, Noam e Ashraf tem seu primeiro contato. Mesmo que a primeira cena tente marcar de imediato as dificuldades que os personagens irão enfrentar, logo esquecemos-as quando a direção do filme toma rumos inesperados ao tentar naturalizar e conferir um ar pop e universal à vida israelense. Com isso vemos o dia-a-dia de Noam, Yali e Lulu como se estes morassem em uma metrópole qualquer da América ou Europa, em que reality-shows como American Idol (no caso, Israel Idol) são as maiores audiências da TV Aberta; e raves, boites e bares são a diversão dos jovens israelenses.


A princípio, essa decisão do diretor Eytan Fox nos parece uma simples banalização das temáticas polêmicas as quais o filme aborda, em prol de uma "realidade" que fosse mais atrativa ao grande público. Ora, mas quem disse que a vida do jovem israelense é diferente daquela do jovem ocidental? Mesmo que os telejornais e agências de notícias nos mostrem um-quarto da vida em Israel e no Oriente Médio em geral, não é difícil percebermos que a vida por lá não é muito diferente dessa daquí, principalmente quando levamos em conta a globalização cultural.


O filme, em um primeiro momento, dedica-se a levar o telespectador a se identificar com a vida israelense a partir de tramas pequenas e até certo ponto "bobas", como a dificuldade de Lulu em encontra um homem que não queira apenas sexo, mas um relacionamento sério, uma subtrama que nada tem a ver com a temática do filme. The Bubble, porém, cresce consideravelmente quando parte das questões afetivas dos personagens e encontra o âmbito político ao qual o romance dos protagonistas toma seu curso dramático.


Trabalhando os problemas no romance dos personagens como uma versão micro da histórica guerra entre palestinos e israelenses, o longa nos apresenta à belíssimas cenas na última meia hora de filme, que trabalham a temática do homossexualismo e dos conflitos regionais. Como exemplo, a cena em que a irmã de Ashraf chora de vergonha em seu casamento quando lembra que o irmão é homossexual, algo completamente inaceitável na cultura palestina.


Contando com um ótimo elenco, uma trilha sonora lindíssima e desfeixo impressionantemente chocante, The Bubble nos obriga a levar o filme pra casa, apurando uma angustia, que só permanece no telespectador pelo grande truque do filme, que é mostrar o lado mais identificável da vida em Israel, tornando todas aquelas vítimas de atentados terroristas e homens bombas em muito mais do que estatísticas frias que vemos nos noticiáris todos os dias, mas em pessoas com alma, paixão, sonhos e inteligência - gente como a gente. A estética aparentemente pobre, pop e inapropriada para o tema possibilita, na verdade, que nos coloquemos no lugar daquelas pessoas que na maioria das vezes torcemos o nariz e olhamos com indiferenças, simplesmente porque os meios de comunicação são incapazes de nos mostrar quem são, que cultura é aquela e a humanidade dessas pessoas que morrem diariamente, vítimas do terrorismo. The Bubble apenas falha ao investir em alguns clichês baratos, como se tivesse que seguir a estética utilizada ao pé da letra; e também falha, ao não explorar o lado da Palestina da mesma forma que faz com Israel, o que revela uma certa tendenciosidade, algo até esperado de um país que não tem relação pacífica nenhuma com o outro.


The Bubble é a prova de que não importa a inteligência da estética utilizada; se é um filme que trabalha os aspectos psicológicos e sociais dos personagens de forma profunda, ou um filme light que diverte e aborda superficialmente uma temática. O que importa é o objetivo e qual é a melhor forma de alcançá-lo; e nesse caso, levar o público a se identificar com os personagens e a estória a partir de um filme leve e mais universalizado, foi o maior trunfo para que o objetivo de sensibilização do público às pessoas daquelas culturas fosse concluído. E saímos do cinema nos indagando: "Poderia ter sido com um amigo! Poderia ser aqui!"

terça-feira, novembro 06, 2007

Meu Primeiro Vídeo: "Infinito"

Abaixo, vocês poderão assitir ao meu primeiro vídeo. Trata-se de um "curtinha" experimental resultante do trabalho de uma cadeira do curso de comunicação. Dirigido por mim (Rafael Carvalhêdo), Agenor Barbosa e Pedro Canto, o vídeo mostra a fuga de uma garota pelos corredores de uma universidade deserta, enquanto ela é perseguida por algo.

Classificaria o vídeo como "tosco" ou "trash", não fosse tão trabalhoso e aprendesse tanto com a produção dele. Enfim, foi uma boa forma de experimentar a linguagem do cinema.

Quem puder, por favor, comente o vídeo: se a idéia estava clara, a impressão que ele passou e o que não funcionou. O comentário será um importante feedback para que nós avaliemos os erros e acertos no desenvolvimento da idéia do filme.