
Ontem teve ínicio o 30º Festival Guarnicê de Cinema, no Centro de Criatividade Odilo Costa Filho. Como pretendo desta vez me envolver bastante com o festival, estive presente já na estréia e pretendo também estar por lá até o dia 17, pra descontar os festivais que perdi. Muitas oficinas, workshops, palestras e exibições, nem sei o quê fazer e em qual tempo, mas já pretendo ver alguns debates e vou me esforçar pra assistir a alguns filmes. Inscrevi-me em um Curso de Produção Audiovisual e no Workshop Múltiplas Faces de um Ator, dos vários que tinham por lá, mas vou mesmo me dedicar às exibições.
Repercutindo a Abertura
Cheguei meio atrazadão! Mas não o suficiente para perder a solenidade e muito menos o mais importante, os filmes. Quando entrei no Odylo Costa Filho, encontrei logo várias caras conhecidas e me juntei a alguns amigos. Ganhei até um mingual de milho. Uma "musiquinha" chata, tema do festival, ficava tocando insistentemente, mas insistentemente mesmo, não trocavam ela por nada. Então fiquei conversando qualquer coisa com o pessoal até a hora de entrar. A "musiquinha" tocava. Uns dois atores famosos de cinema já estavam por lá. A "musiquinha" tocava e enjoava.......... : /
Chegando a hora da Solenidade de Abertura, entrei muito tarde no teatro e não tinha mais onde sentar (Droga!). Aconteceu então a Solenidade, bem básica, nada que tirasse o brilho dos reais objetivos do Festival; acontecia o mesmo blá blá blá de cerimônia, mas sempre embalado pela "musiquinha", que eu não aguentava mais. Falando nela, já dava pra perceber que era alvo de comentários e murmúrios no evento; e a "musiquinha" parece mais a chata trilha sonora daquele jogo "The Sims". Encerrada a cerimônia, foi a vez da exibição do vídeo de animação do festival, que precede os vídeos. (Embalado por quem? ... Pela 'musiquinha'!)...... * [
Começou os filmes e me dei conta de que eu estava em pé...(Droga!). Na doida (O que não faço pra assistir a um filme) sentei no chão mais a frente, enquanto ficava uma multidão "chique" atrás em pé. Não demorou muito, estavam todos sentados no chão também. Passado um tempo, um pessoal de uma fila, duas mulheres e um homem, resolvem sair de lá. Elas passam tranquilamente por mim e ele se desequilibra, dando um forte pisão na minha perna. Era Norton Nascimento. Ele pede desculpas, eu aceito e o cara vai embora.
O que eu não faço pra assistir a um filme?!..... : p
Comentários do Filmes
Apesar do que disse acima, valeu a pena ter assistido, muito! Pude ver como o cinema maranhense, por incrível que pareça, tem suas preciosidades e cineastas realmente talentosos. Dos seis filmes exibidos, só um não me agradou mesmo. Vou fazer um curto comentário do que pude perceber de cada um.
Na Terra de Caburé, de Murilo Santos: É um ótimo documentário em curta, que faz um apanhado histórico dos conflitos entre os indíos Teneteharas e os missionários Capuchinhos da região de Barra do Corda. Traz uma visão ampla da história, dando enfoque aos dois lados do conflito. É eficiente em levar, em poucos minutos, uma noção completa da história para o público.
Jardins Suspensos, de Euclides Moreira: Dos curtas exibidos, foi este que mais me agradou. As imagens mostradas do Centro Histórico de São Luís são quase poéticas, sempre retratando nas poesias das legendas que entremeavam as imagens, um saudosismo que refletia o que aquelas construções foram, e como aquela natureza, hoje, toma conta de si própria. Depois do lado belo das imagens de verdadeiros jardins supensos em telhados coloniais, o documentário se propõe a denunciar o descaso com essas construções. Tudo muito bem pontuado por uma ótima trilha sonora.
Rosas, de Ione Coelho: É um bom filme. Apesar de despretencioso no roteiro, exibe planos interessantíssimos. A estória se revela de maneira prazerosa quando vemos uma viúva, que visitava seu finado marido, dando de cara com outra aparente viúva triste no túmulo do falecido.
Litânia da Velha, de Frederico Machado: Conta a estória da simpática velhinha sem rumo. Ela abandona seu casebre e vagueia pela Centro Histórico enquanto perde as forças. No entanto, creio que funcionaria melhor sem a narração poética, que só não é dispensável por ter seus bonitos momentos. Neste filme percebi o quanto conheço cada canto do Reviver.... : )
Filé com Fritas, de Murilo Santos: Este não me agradou nem um pouco. Estória meio boba de um casal que vai a um restaurante e lá tem um indivíduo que observa constantemente a mulher, o marido furioso mata o indivíduo lá mesmo e uma manchete nos jornais afirma : "Cego foi assassinado em restaurante". A piada funciona, mas o filme em si é marcado por atuações que não convencem, exceto a de Murilo Santos, que além de convencer muito, arranca risadas do público.
Bom Te Ver, de Francisco Colombo: Outro preferido. Só a idéia de documentar, em entrevista, um pouco da vida daquela personagem já é ótima. O curta trata-se de uma entrevista com uma figura maranhense, uma ousada e "pra frente" atriz dos palcos do Maranhão (Desculpe! Mas não lembro o nome dela. O filme nos dá uma oportunidade de saber). Ela é puro carisma!.....................................
Frase da personagem: "Sou filha de pais separados...sou filha da puta. Na minha certidão não tinha o nome do meu pai."
Hoje prefiro pensar que o cinema maranhense sofre mais com limitações do que com erros de quem o produz. Há bons artistas e boas visões dentro do Estado, mas a escassez deles é uma questão bem mais complexa do que imaginamos.
Quem estiver interessado em acompanhar o festival, logo abaixo, nos coments, tem a programação.