terça-feira, junho 12, 2007

Festival Guarnicê de Cinema

Ontem teve ínicio o 30º Festival Guarnicê de Cinema, no Centro de Criatividade Odilo Costa Filho. Como pretendo desta vez me envolver bastante com o festival, estive presente já na estréia e pretendo também estar por lá até o dia 17, pra descontar os festivais que perdi. Muitas oficinas, workshops, palestras e exibições, nem sei o quê fazer e em qual tempo, mas já pretendo ver alguns debates e vou me esforçar pra assistir a alguns filmes. Inscrevi-me em um Curso de Produção Audiovisual e no Workshop Múltiplas Faces de um Ator, dos vários que tinham por lá, mas vou mesmo me dedicar às exibições.

Repercutindo a Abertura

Cheguei meio atrazadão! Mas não o suficiente para perder a solenidade e muito menos o mais importante, os filmes. Quando entrei no Odylo Costa Filho, encontrei logo várias caras conhecidas e me juntei a alguns amigos. Ganhei até um mingual de milho. Uma "musiquinha" chata, tema do festival, ficava tocando insistentemente, mas insistentemente mesmo, não trocavam ela por nada. Então fiquei conversando qualquer coisa com o pessoal até a hora de entrar. A "musiquinha" tocava. Uns dois atores famosos de cinema já estavam por lá. A "musiquinha" tocava e enjoava.......... : /

Chegando a hora da Solenidade de Abertura, entrei muito tarde no teatro e não tinha mais onde sentar (Droga!). Aconteceu então a Solenidade, bem básica, nada que tirasse o brilho dos reais objetivos do Festival; acontecia o mesmo blá blá blá de cerimônia, mas sempre embalado pela "musiquinha", que eu não aguentava mais. Falando nela, já dava pra perceber que era alvo de comentários e murmúrios no evento; e a "musiquinha" parece mais a chata trilha sonora daquele jogo "The Sims". Encerrada a cerimônia, foi a vez da exibição do vídeo de animação do festival, que precede os vídeos. (Embalado por quem? ... Pela 'musiquinha'!)...... * [

Começou os filmes e me dei conta de que eu estava em pé...(Droga!). Na doida (O que não faço pra assistir a um filme) sentei no chão mais a frente, enquanto ficava uma multidão "chique" atrás em pé. Não demorou muito, estavam todos sentados no chão também. Passado um tempo, um pessoal de uma fila, duas mulheres e um homem, resolvem sair de lá. Elas passam tranquilamente por mim e ele se desequilibra, dando um forte pisão na minha perna. Era Norton Nascimento. Ele pede desculpas, eu aceito e o cara vai embora.

O que eu não faço pra assistir a um filme?!..... : p


Comentários do Filmes

Apesar do que disse acima, valeu a pena ter assistido, muito! Pude ver como o cinema maranhense, por incrível que pareça, tem suas preciosidades e cineastas realmente talentosos. Dos seis filmes exibidos, só um não me agradou mesmo. Vou fazer um curto comentário do que pude perceber de cada um.

Na Terra de Caburé, de Murilo Santos: É um ótimo documentário em curta, que faz um apanhado histórico dos conflitos entre os indíos Teneteharas e os missionários Capuchinhos da região de Barra do Corda. Traz uma visão ampla da história, dando enfoque aos dois lados do conflito. É eficiente em levar, em poucos minutos, uma noção completa da história para o público.

Jardins Suspensos, de Euclides Moreira: Dos curtas exibidos, foi este que mais me agradou. As imagens mostradas do Centro Histórico de São Luís são quase poéticas, sempre retratando nas poesias das legendas que entremeavam as imagens, um saudosismo que refletia o que aquelas construções foram, e como aquela natureza, hoje, toma conta de si própria. Depois do lado belo das imagens de verdadeiros jardins supensos em telhados coloniais, o documentário se propõe a denunciar o descaso com essas construções. Tudo muito bem pontuado por uma ótima trilha sonora.

Rosas, de Ione Coelho: É um bom filme. Apesar de despretencioso no roteiro, exibe planos interessantíssimos. A estória se revela de maneira prazerosa quando vemos uma viúva, que visitava seu finado marido, dando de cara com outra aparente viúva triste no túmulo do falecido.

Litânia da Velha, de Frederico Machado: Conta a estória da simpática velhinha sem rumo. Ela abandona seu casebre e vagueia pela Centro Histórico enquanto perde as forças. No entanto, creio que funcionaria melhor sem a narração poética, que só não é dispensável por ter seus bonitos momentos. Neste filme percebi o quanto conheço cada canto do Reviver.... : )

Filé com Fritas, de Murilo Santos: Este não me agradou nem um pouco. Estória meio boba de um casal que vai a um restaurante e lá tem um indivíduo que observa constantemente a mulher, o marido furioso mata o indivíduo lá mesmo e uma manchete nos jornais afirma : "Cego foi assassinado em restaurante". A piada funciona, mas o filme em si é marcado por atuações que não convencem, exceto a de Murilo Santos, que além de convencer muito, arranca risadas do público.

Bom Te Ver, de Francisco Colombo: Outro preferido. Só a idéia de documentar, em entrevista, um pouco da vida daquela personagem já é ótima. O curta trata-se de uma entrevista com uma figura maranhense, uma ousada e "pra frente" atriz dos palcos do Maranhão (Desculpe! Mas não lembro o nome dela. O filme nos dá uma oportunidade de saber). Ela é puro carisma!.....................................
Frase da personagem: "Sou filha de pais separados...sou filha da puta. Na minha certidão não tinha o nome do meu pai."


Hoje prefiro pensar que o cinema maranhense sofre mais com limitações do que com erros de quem o produz. Há bons artistas e boas visões dentro do Estado, mas a escassez deles é uma questão bem mais complexa do que imaginamos.
Quem estiver interessado em acompanhar o festival, logo abaixo, nos coments, tem a programação.

domingo, junho 10, 2007

Ser comunicador, ser parcial.

Há quase três anos estudo Comunicação Social e confesso que já me vi confuso várias vezes quanto a como devo me posicionar enquanto um profissional de comunicação; ser ou não ser imparcial, quando vemos meios de comunicação altamente tendenciosos e que passam longe de cumprir seus deveres com a sociedade. Não vou citar nomes, nem quero, logo porque a situação aqui no Maranhão é a mais clara e ridícula possível. Mas qual é a mídia local que toma uma postura ideal? Que postura deve ser a do jornalista em geral enquando fazer parte de um grupo político não é a alternativa mais profissional? Ser imparcial seria a solução, caso realmente isso fosse possível? Mas ser parcial não seria a essência do comunicador? Como agir trabalhando em uma mídia com editoriais tendenciosos? A alternativa então é não trabalhar nesses meios? Para aqueles que estudam Comunicação, esse é um texto que talvez possibilite identificações; e para aqueles que só lêem, assistem ou escutam as notícias, ele pode revelar algumas dúvidas que alguns profissionais da área possuem.

Há algumas poucas décadas atrás, uma das primeiras coisas que o estudante de comunicação aprendia é que ele devia ser imparcial. Pode parecer estranho, mas isso ainda acontece muito, sem nem precisar que os professores disseminem a tal idéia da imparcialidade, ela já se movimenta sozinha na cabeça do futuro comunicador, quase que inconscientemente (ao ponto de que o ato de escrever na primeira pessoa pareça ser um crime). Graças a Deus, essa realidade tem mudado, e expor a nossa própria opinião se tornou algo até "elegante" dentro dos meios de comunicação. Qual é o estudante que não sonha em ter a mesma credibilidade de Arnaldo Jabor? Quem é que de fato não gosta de expor suas opiniões?

Quando o universitário estuda para ser um comunicador ou comunicólogo, ele se prepara para fazer interpretações do mundo, as mais coerentes e vantajosas possíveis. Diante de tanta preparação, é mais do que natural que ele possa usar de seus conhecimentos e de sua capacidade interpretativa; mais natural ainda, é que ele use o seu espaço amplificado como forma de influir na sociedade. Porém, um dia entrou a idéia pseudo-moralista da imparcialidade, que diz que o jornalista não deve tomar postura alguma, ou seja, que trabalhe apenas como um "reprodutor de informações", o que talvez nem seja possível.

Para piorar essa situação de dúvida, vemos acontecer a confusão que existe entre comunicadores que expõem suas opiniões e os meios de comunicação que tomam posições políticas, ou por vantagem própria ou por serem de concessão de grupos políticos. A idéia da parcialidade ganha uma conotação mais negativa quando vemos grandes mídias tornarem-se ou nascerem de grupos de poder. Nesse ambiente, o jornalista se vê como instrumento desses meios de comunicação e a parcialidade passa a ser um risco. Em tais circunstâncias, ser neutro seria até um boa solução, e talvez por isso o ideal de neutralidade ideológica tenha sido cultivado e defendido por muitos anos. Já outra questão que vem a martelar a consciência do jornalista ou do radialista seria: como ser parcial sem manipular o leitor, telespectador ou ouvinte?

Na coleção de questões em relação ao "ser comunicador" e em meio a esse confuso contexto, aos poucos fui tirando minhas conclusões e percebendo o quão delicada é essa profissão. Entendo, agora, que o comunicador deve sim expressar suas opiniões e idéias, mas tomando o devido cuidado para não impô-las ao seu público, tornando o seu espaço de fala e o de suas idéias mais como uma oportunidade de reflexão e questionamento, algo que o cinema já faz com propriedade (na forma de documentário). Quanto aos meio de comunicação, esses sim, devem ser imparciais, devem tomar a postura mais neutra possível, deixando o encargo de aliação ideológica para o jornalista, tornando-o mais livre para se expressar.

Esse ideal de comunicação foi alcançado com mais proximidade pela Imprensa Alternativa, bastante intensa na época da ditadura militar. Consistia em veículos criados por entidades independentes, de alcance a pequenos públicos e ideologias distintas daquelas das grandes mídias. Jornais como "O Sol" e "O Pasquim" se posicionavam da forma que considero hoje a ideal. Penso que talvez a única solução seja trabalhar na Imprensa Alternativa. A sorte é que ela ainda existe.

Visitando um site sobre o assunto, encontrei um texto interessante, escrito por Gustavo Barreto, editor de uma revista dessa linha. O texto define um pouco essa Imprensa Altenativa e ainda lança uma visão um pouco diferente da que mostrei aqui. Para os que chegaram até aqui, será interessante ler o que há no site: http://www.consciencia.net/2004/mes/06/barreto-alternativa.html

quarta-feira, junho 06, 2007

Cotas para quem?

Faz um tempo que sou a favor do sistema de cotas para negros e estudantes de escolas públicas, mas o que aconteceu com os irmãos Alan e Alex na UNB foi demais. Como apenas um dos gêmeos idênticos pôde ser aprovado no sistema de cotas da universidade? E o pior é que os caras são realmente iguais, pelo menos a cor é inegável.

Isso só prova que os métodos de análise da UNB, baseado apenas em uma foto, é falho. E ser negro é bem mais do que ter a pele escura. Alguém mais pensa que eles devem rever esses critérios de avaliação?
Ou talvez a solução seja criar cotas para gêmeos...hehehe.

Grande ou pequeno?!

Parece que tenho que fazer posts menores, eles são mais bem recebidos. Realmente estão meio grandinhos pra linguagem da internet... Ainda não sei, vou tentar ser mais conciso em alguns, e em outros, vou ser mais detalhista como já vinha fazendo.

quarta-feira, maio 30, 2007

Olhando meus pontos de vista

Olhando meus posts, percebi que só tenho escrito sobre cinema e Lost no último mês, nada mais. Isso com certeza deve refletir sobre o que anda passando na minha cabeça: cinema, cinema, cinema e Lost. Mas até que eu não tenho assistido muitos filmes, na verdade, tenho visto poucos, e não tenho me agradado muito do que anda lançando esse ano. Os únicos filmes que me encheram os olhos desde o início do ano foram 'O Bom Pastor' de Robert DeNiro, 'Pecados Íntimos' de Todd Field e 'A Rainha' de Stephen Frears; e esperava mais dos blockbusters da temporada, como o Homem Aranha 3 e 300 (que não conseguiram divertir muito...sinto que tenho que partir pra outros cinemas!). Lost acaba sendo uma das soluções pra se escapar das coisas ruíns que tem saído.

Mudando de Assunto...
É! Continuo falando de cinema. Mas enfim, é bem melhor do que falar do que já andam falando exaustivamente, da escandalosa Operação Navalha, em que todo mundo divide a mesma opinião. Falando nisso, cansei de tenta entender porque fulano ou sicrano do Senado é corrupto. Agora faço questão de ser simplista e de adotar um pensamento antagônico (coisas que gosto de evitar fazer): os PF's são os caras bons e os políticos são os caras maus, e ponto final! Pena que ninguém paga pelos seus crimes nesses casos.
Lembrando! Outro dia li uma nota em um jornal que dizia: "A Operação Navalha devia se chamar Operação Faca Cega: machuca até o osso, mas não corta a carne"...pausa para reflexão...!
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Criativo, o cara que escreveu isso, hein?! Deve ser do lado do Governo. Comecei escrevendo uma coisa e terminei em outra. Fazer o que? A boa conversa flui, né!

Logo, logo, um post sobre o season finale de Lost!

domingo, maio 27, 2007

Na 'teia' do Homem-Aranha 3

Quando vimos os dois primeiros filmes de o Homem Aranha, presenciamos a vida simples e humilde do jovem Peter Parker. Vimos como encarava o seu duplo dia-a-dia, como conciliava as obrigações de estudante, sobrinho, herói e de um homem apaixonado; e isso tudo sempre foi bem desenvolvido nos primeiros filmes. Enfim, o Homem Aranha nunca foi somente um exemplar dos filmes de super heróis e de ação, mas também de um drama pessoal, mas sob um contexto anormal.

No primeiro filme, soubemos como Peter Parker descobriu seus poderes; no segundo, como ele sofreu o isolamento social por conta da má administração de seus deveres e dos encargos que seus poderes lhe atribuem; já neste terceiro filme, olhamos um novo Peter Parker, que sabe de seus poderes e tem a consciência de que é superior aos outros, um Homem Aranha que é queridinho por Nova York. Vemos o ego inflado alterando a dignidade do personagem e levando-o, consequentemente, ao arrependimento, comum a pessoas que são auto-exigentes.

É meio triste afirmar, mas nessa continuação não vemos o mesmo trabalho de desenvolvimentos das personagens, mesmo nessa trama interessante. O filme é irregular por acrescentar personagens, sub-tramas e vilões demais. Fica até difícil contar uma sinopse agora, levaria o pouco tempo que tenho pra atualizar esse blog , mas vou ser breve.

Peter Parker já planejando se casar com Mary Jane, acaba se desentendendo com ela por ter alcançado tanto êxito como o Homem Aranha, enquanto a carreira de atriz de sua namorada está indo mal. Ao mesmo tempo, o amigo de Peter, Harry Osborny, já é seu atual inimigo, e o triângulo amoroso envolvendo os três personagens ressurge. E novamente "ao mesmo tempo", um novo vilão aparece, o Homem Areia, o verdadeiro assassino do Tio de Parker.


E assim o filme caminha, “ao mesmo tempo” muita coisa vai acontecendo, muitas subtramas vão se desenvolvendo ... e mais outras. O triângulo amoroso se transforma num quatrilho, que se transforma num “pentágono amoroso” (Desculpe a falta de uma expressão adequada). Mais um novo vilão aparece, e assim vai. Tudo isso acontece em meio a dezenas de reviravoltas e subtramas. Muita coisa para um filme só e o público cai na "teia" de o Homem Aranha 3, a caótica narrativa.

O tempo que os dois primeiros filmes usavam para desenvolver os personagens e seus conflitos em tramas bem mais simples, nesse filme é desperdiçado em excesso de estória. Como consequência, vemos em alguns momentos os personagens agirem sem que a gente possa entender os reais motivos de suas atitudes, o que leva a transparece um certo maniqueísmo pela falta de uma fundamentação (diga-se, motivação) para as atitudes dos personagens. Então, é muito provável que em alguns momentos, caso você assista, pense que a atitude de determinado personagem foi exagerada. --------------------------------------------------

Contudo, as cenas de ação são espetaculares (e elas não faltam, tem demais!), os efeitos são incríveis e com um trabalho de acabamento excelente, melhor que os anteriores. O longa possui grandes e divertidos momentos da estória do Homem Aranha, que agradarão aos fãs e a maioria também. O fato de terem incluido a farda escura do HA, soou quase como uma metáfora ao ego alimentado e ao desejo de vingança cultivado por Parker quando descobre que o assassino do seu Tio ainda esta vivo. Uma coisa é certa, não faltam momentos interesantíssimos no filme (o filme não falha nos seus elementos, mas na disposição deles), como a cena do surgimento do Homem-Areia (Fenomenal! Em ambos os sentidos) e o Peter Parker 'bad-boy', que ficou simplesmente hilário; e vale ressaltar o carisma e versatilidade de Tobey Maguire. E como ele também é bom na comédia!

Quanto ao vilão Venon, ele é demais! Ainda mais pra quem era fã do desenho.






Bom! O Homem Aranha 3 poderia ser mais, senão comprometesse o desenvolvimento das personagens em prol de um filme cheio de vilões e reviravoltas. Muitos que assistirem vão sentir falta de ver o cotidiano do Peter Parker. Eu senti. E confesso que acredito que só há uma resposta para o roteiro ter saído assim. Os produtores, a princípio tiveram a idéia de fazer dois filmes (como Piratas do Caribe) e acabaram se vendo obrigados a reduzir a estória (ou melhor, imprensar) para apenas um filme. Um exemplar dos blockbusters de ação e comédia, mas quanto ao drama, deixou a desejar. E como essa sempre foi uma das propostas da série, o filme acaba sendo inferior aos primeiros.

domingo, maio 20, 2007

Lost (S03E21) - O valor dos menosprezados


"Greatest Hits", com certeza, foi um dos mais comoventes episódios de Lost, apesar de ser um preparatório para o season finale deste 3º ano. Centrado em Charlie, o episódio ao mesmo tempo que mostra a planejamento dos sobreviventes para o ápice do conflito destes com Os Outros, desenvolve e trabalha o drama de Charlie, que se vê numa posição de elemento fundamental para que a primeira grande possibilidade de resgate dos sobreviventes do vôo 815 da Oceanic Air se conclua.

Um episódio tenso e emocionante, com cenas realmente belas e bem interpretadas (O que é normal em se tratando de Lost) que trabalham temáticas como heroísmo e sacrifício. Mas é no drama do personagem Charlie que tudo isso se consolida incrivelmente. Na trama tensa em que o personagem se envolve (ou melhor, é envolvido) desde o início da temporada, que experimentamos os momentos mais sensíveis e cuidadosamente escritos e dirigidos, em cenas que trabalham a sina e sofrimento do Charlie de forma singela e delicada, sem melodrama e deixando longe os clichês nas quais as temáticas poderiam ter caído. E é incrível como Lost quase sempre consegue fugir deles com tanto sucesso, e talvez seja isso também um dos motivos que torne a série tão bem sucedida e surpreendente. ------------------------------------------------------------
O mais bonito mesmo deste episódio foi o novo aspecto trabalhado na vida do roqueiro Charlie, enquanto este aguardava a morte. Autor do famoso e fictício single "You all everybody" tocado pela sua banda Drive Shaft, Charlie parece ter a importância de sua vida resumida a esse single. Um personagem que passou toda a sua jornada tentando alcançar uma estima e uma função relevante socialmente, tanto na sua vida antes de náufrago, quanto na própria ilha, onde o personagem foi diversas vezes regeitado pela trama e pelos personagens, o que parece ser um reflexo da dificuldade dos roteiristas que sempre se esforçavam para encaixar o roqueiro nos eventos. Menosprezado e vítima da desconfiança por ser um ex-drogado, Charlie passou por momentos de humilhação, sempre denotando uma baixa auto-estima e a luta pela conquista desta. Tanto que foi recorrente as cenas em que personagens descartam o roqueiro quando não precisavam mais de sua ajuda, enquanto este tentava se mostrar útil. O menosprezo pelo personagem foi também por boa parte do público, que não acreditavam na sua função na estória. Mas Lost não se trata só de mistérios e conexões, mas também de vidas. Charlie é uma delas.-----------------------------------------------------------------
No entanto, nesse episódio descobrimos que a passagem de Charlie, ao contrário dos que acham que é marcada pela inutilidade, se trata de uma estória singela e de uma jornada intimista, de um personagem que tenta lidar com a falta de auto-estima e com a sua "pequena patética vida" (frase recorrente na série, dita por personagens com os mesmos dilemas). Na melancolia e solidão diante da morte e do sacrifício, Charlie tem os supostos últimos momentos de vida marcados por lembranças simples, como a de seu primeiro mergulho em uma piscina com a ajuda de seu pai, em contraste aos grandes feitos do personagem, que ele nem mesmo percebe, mas que o tornam grande; o auto-sacrifício em prol do próximo, em prol de quem se ama.-----------------------------------------------------------------------------------
Momentos como a conversa final entre Charlie e Desmond e a despedida dele e de Hurley são memoráveis e dão o gostinho do que a série ainda pode ser, do que aqueles personagens ainda podem passar. Uma coisa é certa, quem assistir a esse episódio, terá medo da morte do roqueiro, por apenas entender a simplisidade do personagem. Eu, pelo ao menos, temo pelo personagem agora, mais que antes. ---------------------------------------
Quanto aos rumos do season finale, pode-se esperar mais reviravoltas e muitas novidades de uma série que parece já morna e sem estórias a mais pra contar. A julgar pelo vilão, que está melhor que nunca, ainda prevejo muitos grandes momentos, como aquele puta final do episódio 20. Confesso que estou louco pra saber com vai ser o final dessa guerra entre os Losties e os Hosties, e qual é o grande segredo sobre Kate que será revelado no último episódio. Agora que Lost já tem seu término marcado para o fim de 2010, é só esperar e relaxar, sem medo de que a série caia no vazio da enrrolação. Mais três temporadas de 16 episódios...isso cheira a planos mais sólidos e roteiros melhores (isso é possível?!).
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Que a ilha salve Charlie! (e um outro personagem também!!!)

Decidi!

Decidi!
Inspirado pelos grandes momentos do episódeo que acabei de assistir, que diga-se de passagem é excelente, resolvi que a partir de hoje vou comentar os melhores episódios dessa espetacular série, ou pelo ao menos os que assim julgo. E nada melhor para começar, do que comentar "Greatest Hits", o episódeo centrado no roqueiro Charlie. Com momentos memoráveis. Logo, logo estou postando!

domingo, maio 13, 2007

Apenas erros...e um elenco especial.

Quando o cinema brasileiro nos anos 90 deu aquela avançada básica, todos ficaram empolgados. E era realmente pra tanto, pois filmes como Central do Brasil e O Que É Isso Companheiro lançaram trazendo novo fôlego ao nosso cinema. Já hoje! Não sei não. Dizem que estamos no mesmo processo, mas a decepção ainda é constante. Pesquisas mostra que o número de produções está diminuindo e dá pra contar nos dedos o número de Longas bons que o Brasil tem produzido. O tão comentado Ó Pai Ó, ou Ó Paí Ó é o exemplar das besteiras que tem sido feitas ultimamente. Neste post vou me dedicar a mostrar minhas impressões em relação a Ó Pai, Ó.

O nome do filme que se trata uma expressão comumente usada na Bahia, significa o que diríamos aqui na seguinte forma: “Olha praí, olha!”, algo que não significa nada durante o filme, apenas é a transposição de um vívio dos personagens baianos para o título do longa.
Engraçado?! Divertido?! Legal?! Divertir, ele pode até divertir, mas somente aqueles que estão em busca de algo realmente descomprometido e que não possui estória nenhuma. A sensação de se assistir “Ó, Pai Ó!”, é a de está presenciando o cotidiano de algumas pessoas, mas quando digo cotidiano, falo do sentido pleno da palavra. Eu até poderia contar uma sinopse antes de analisar o filme, como sempre faço, mas não posso fazer isso simplesmente porque o filme não possui. Bom! Mas vou tentar.

O filme mostra o primeiro dia de carnaval dos habitantes de um cortiço, localizado no bairro da Barroquinha, logo abaixo do Pelourinho. Todo o conjunto de situações (Atenção! Digo, “situações” e não “trama”). Todo o conjunto de situações tem início quando impiedosa dona do pobre prédio fechara o registro de água para acabar com a festa de todos.

Após isso, apenas vemos atores como Lázaro Ramos, Dirá Paes, Stênio Garcia
, Wagner Moura (Que mostra sua pior performance, isso porque admiro muito o ator, mas sua interpretação estereotipada não convence nem os mais lentos) sendo desperdiçados em situações engraçadinhas e em musicais inúteis. De onde o filme começa, ele se encerra. Sem uma evolução das personagens. Sem uma trama que se desenrole. O filme se trata apenas de confusões umas atrás das outras com o único intuito de fazer rir. Sapatões, travestis, gays, prostitutas, cornos, todos usados no filme da forma mais pejorativa e desrespeitosa possível como formula de escandalizar as confusões do filme. Sem contar, que retrata esses personagens como se fossem a marca da periferia nordestina. Engraçado?! Não deixa de ser, mas se é legal, é outra história.

Contudo, como excelente ator que Lázaro Ramos é, o filme vale por uma cena em especial que este faz, no qual o seu personagem, Rock, discursa com toda a indignação contra argumentos racistas que ele escuta de outro personagem. Fica claro que o ator se inspirou em toda a raiva contida (ou não) em situações que ele deve ter sofrido durante a vida e na própria carreira. A cena é um espetáculo.


Tentando criar uma imagem mais vendável ainda da Bahia para o mundo todo através da bahianidade (e isso fica sempre claro, principalmente quando o filme tenta trazer conotações otimistas e divertidas para uma realidade infeliz), “Ó, Pai Ó” se propõe somente a isso, retratando um ambiente que todo gringo e brasileiro gosta de ver, e talvez por isso agrade uma maioria. Uma coisa é certa, mesmo que artisticamente falho, o filme vai ser divertido para a maioria dos nordestinos. Algumas identificações serão inevitáveis, do axé aos cabarés.

Erros e acertos

Nos últimos dias, decidi fazer algo aqui no blog que muito adoro; algo que pudesse dá uma movimentada por aqui, já que tava quase virando um blog-fantasma (se é que existe a expressão). Sou um amante do cinema. Uma das artes que mais vislumbro e que mais me empolgam, sem sombra de dúvida. Foi então, com toda essa paixão, que decide expor aqui as críticas (ou algo parecido; melhor, resenhas) que tenho escrito sobre alguns filmes. E aqui neste post mesmo vai o primeiro da lista.

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300 foi um filme mundialmente esperado e tem feito um sucesso estrondoso. O primeiro a causar tanto rebuliço na indústria da sétima arte nesse ano de 2007.
Aqui no Brasil, a maior referência ao filme é o ator Rodrigo Santoro, que nele tem a sua participação mais significativa em um filme Hollywoodiano. Ele que já veio tendo experiências fora do país em filmes como As Panteras; na série de TV Lost e fez par romântico com Nicole Kidman no mais atual comercial do perfume Channel, neste filme interpreta o vilão Xerxes; e pela primeira vez é destaque num elenco internacional. -------------------------------------------------------
O filme é inspirado nas estórias em quadrinho do autor Frank Miller, que narra a guerra histórica entre Espartanos e Persas. O filme então segue a mesma lógica dos quadrinhos, ao retratar a guerra de Termópilas de um modo fantástico e fugindo do habitual realismo. Leônidas, interpretado por Gerard Butler, é o rei de Esparta, que ao saber das invasões persas promovidas pelo rei Xerxes, decide levas seus trezentos homens para a entrada da Grécia e impedir os Persas e o rei Xerxes da invasão. Essa é considerada por alguns estudiosos, a maior batalha da história humana. ----------------------------------------------------------
Essa parte da nossa historia já havia sido retratada pelo cinema, mas sem grande sucesso. Agora, em 300, ela é abordada de uma forma diferente, enveredando para uma narrativa fantástica e um visual inspirado pelos quadrinhos, o que resultou em momentos incríveis de imagens belíssimas. O filme foi todo filmado em estúdio e o fundo é todo virtual, tendo apenas os atores nas formas reais (pelo menos a maioria!). Isso possibilitou uma liberdade imensa na direção de arte e na criação dos cenários. As imagens foram extremamente bem elaboradas, chegando em alguns momentos a parecer verdadeiras obras de artes plásticas.
Contrapondo a grandiosa e a belíssima estética visual, a narrativa do filme já não tem tanto êxito, pior, não consegue prender o ânimo do público continuamente. A construção da narrativa é pobre e simples, deixando a desejar pela falta de conflitos e de uma elaboração mais detalhada e que pudesse desenvolver mais os personagens. Para piorar, sempre que a narrativa muda para a história da rainha, mulher de Leônidas, enquanto este está na guerra, o ritmo cai muito, pelo contraste grande entre as cenas de ação da guerra e os momentos fracos e desinteressantes da Rainha, com exceção da última cena desta.
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Quanto a tão esperada interpretação de Rodrigo Santoro. O ator não deixa a desejar, e se mostra um interprete versátil e de um bom senso aguçado, sabendo distinguir personagens em que pode exagerar daqueles que ele tem que ser bastante cuidadoso. Neste caso, ele interpreta com uma maior liberdade de criação, exagerando um pouco nas expressões do personagem, já que este se trata de um semi-deus e tem uma natureza essencialmente divina e andrógena. Uma interpretação forte e coerente. E assim ele crescer cada vez mais em Hollywood. ---------------------------------------------------------
Com ótimos momentos de ação e um visual incrível que supera até mesmo as falhas da narrativa e do roteiro mal elaborado, 300 é de fato um grande sucesso. E devia ser visto de forma exemplar para aqueles que fazem filme não tão bons, pois mesmo sem uma história boa, outros ponto são extremamente bem trabalhados de forma a compensar.